A visita dos pais de Ash

2971 Palavras
Acordei com seu peso sobre mim, ele praticamente dormia enroscado nas minhas pernas e no meu corpo, seu corpo quente me fazia suar, minha bexiga estava cheia e eu precisava ir ao banheiro, escorreguei para fora da cama e corri e me aliviei, eu estava no céu e em êxtase, definitivamente eu era feliz e seria muito feliz com Ash, não só por causa do s**o, mas por que nos entendíamos e nosso amor era bonito e romântico. Ash não foi trabalhar naquele dia, ficamos a toa em casa, cozinhamos juntos, e tomamos banho de piscina e ficamos jogados na espreguiçadeira, tínhamos que aproveitar o sol magnífico que fazia e deixar nossos corpos se bronzearem e a descansar. "Consegui uma semana para irmos a Axton ver meu pai e meus tios!", disse me virando de bruços na espreguiçadeira, seus olhos se encontraram com os meus, ele puxou o ar com força. "Dentro de quantos dias?", perguntou meio brusco. "Dez dias!", o encarei, ele vinha me enrolando há quase dois meses. "Tudo bem!... Eu consigo uma semana de folga!", ele sorriu. Abri um sorriso enorme e peguei em sua mão, "Obrigada!". Ele piscou, mas puxou o ar novamente e olhou para o outro lado, passou a mão livre no rosto, e voltou a me olhar, "Dentro de três dias meus pais virão nos fazer uma visita!". Me pus sentada de imediato com a noticia de que meus sogros estariam em casa em três dias, não sabia o que dizer, ele ficou me olhando assustado e se sentou e ficou de frente para mim. "O que foi?". "Três dias?", passei a mão no rosto, " Você ficou sabendo disso quando?". "Ontem antes de vir para casa, minha mãe me ligou dizendo que estava com as passagens compradas!". Ele sorriu percebendo meu desespero, "Eu contei a ele que me casei de novo, assim não levariam um susto quando chegassem aqui e me vissem de aliança e ao lado de uma criatura linda como você!". Ele me beijou logo depois que me desmontou com aquela fala, ele tinha essa mania de me deixar atordoada e logo em seguida contente e apaixonada e me sentindo uma boba adolescente parto dele. "Meu Deus!... Eu me sinto uma intrusa agora!", disse olhando para meus dedos, minha experiência com sogra no passado não foi nada agradável, "E se ela não gostar de mim!?". "Problema é dela!... Não vai morar com a gente mesmo!", o encarei, aquilo era um sinal claro de que a mãe de Ash não era uma pessoa fácil de se lidar, tombei a cabeça para o lado e estreitei os olhos para ele.3 "Ash!?... Se tem algo para me dizer... Que seja agora!". Ash torceu a boca e pegou nas minhas mãos e acariciou, "Vamos dizer que para minha mãe não existe mulher que possa me fazer feliz!". "Sua esposa tinha problemas com ela?!", minha voz quase não saia, ele me olhou, nunca falamos de sua ex depois que fui morar ali. "Minha mãe tinha mania de fazer comparações o tempo todo do que ela fazia e de como... Minha ex fazia as coisas dentro de casa ou cozinhava!", ele engoliu em seco, "mas é só não dar bola!". "Ah!... Ok!", disse me sentindo uma pilha de nervos, "Eu não sei lidar com pessoas rudes!", disse alertando-o. Ash riu, "E nem esperava que fizesse isso!". "Ash!?", protestei e comecei a rir, ele me conhecia muito bem e isso me deixava feliz, "Sabe quanto tempo ficarão?". "Creio que dez ou quinze dias!". "uauuuuuuuuu" tinha que por minha criatividade para funcionar, mas o olhei, "E nossa viagem para Axton melou novamente se ficarem mais de dez dias?". Ele deu de ombros, estreitei os olhos novamente em reprimenda, mas ele não iria se livrar desta, levantei as mãos, "Eu vou transferir minha folga para dentro de vinte dias!", me levantei e saí deixando-o sozinho de boca aberta, mas quando o olhei, ele vinha em minha direção, eu corri, rindo e ele correu a traz de mim e me laçou no fim da escada da sala do subsolo, rolamos no chão e nos beijamos e muito. Os três dias se passaram, eu estava num ritmo de trabalho enorme e tinha me esquecido por completo da visita dos pais de Ash, eu e ele ainda estávamos em lua de mel, eu curtia e muito minha aliança na minha mão esquerda, contar para meu pai que nos casamos foi bem difícil, ele queria estar presente, mas falei que foi mais para termos um papel de união, ele se conformou, mas não deixou de me dar uma bronca em fazer as coisas sem contar para ele, mas tinha certeza que quando conhecesse Ash, ele iria ama-lo como um filho. É quinta-feira e ainda estou trabalhando no turno da manhã até as 14 horas para cobrir a enfermeira chefe do setor de pediatria, cuidar daqueles bebês era uma tarefa nada fácil, mas era gratificante quando os pegava no colo para trocar suas fraldas e por roupinhas e dar banho, o desejo de ter um filho me atingiu como uma pancada no meu ventre, eu os desejei, queria que cada um ali fossem meus, eu os cheirava e embalava quando tirava do banho, eu fiquei apaixonada por eles, Juan era um dos bebês que eu tinha mais paixão, na UTI a mais de 15 dias, nasceu prematuro e ganhava peso rapidamente, e quando eu chegava perto e começava a conversar com ele, parava imediatamente de chorar, tira-lo da incubadora e entregar para a mãe segurar, me dava uma margem pequena para segurá-lo e curtir aquele corpinho frágil e hoje ele ganharia alta, eu tinha que deixa-lo seguir seu caminho, eu não era a mãe dele. Dei seu ultimo banho no hospital, o vesti e conversei com ele, ele estava esperto e ativo, sacudia as mãos e os pés sem parar, quando o deixei arrumado em seu macacão azul marinho e toquinha da mesma cor, eu me derreti, os pais de Juan chegaram e a despedida foi em lágrimas, vi Juan atravessar as portas da maternidade e sumir com os pais felizes por ter seu filho nos braços, e eu segui meu caminho para casa, usando a roupa do hospital mesmo, eu queria ficar com o cheirinho dele, chorei o caminho todo, eu sabia que nem eu e nem Ash tínhamos intenção de ter filhos tão sedo, eu ainda sonhava em fazer medicina, e ele ainda estava se estruturando na vida, mas o desejo parecia avassalador dentro de mim, entrei na garagem e nem reparei que o carro de Ash estava estacionado na frente de casa, eu só queria um banho e cama, estava arrasada, subi as escadas lentamente, passei pela sala superior e fiz a curva para subir para o quarto, eu estava aos prantos, meu choro era egoísta e dolorido demais, quando pisei no degrau seguinte escuto alguém me chamar. "Vick?", Ash tinha a voz preocupada. Me virei assustada, eu achei que estava sozinha, meu rosto deveria estar vermelho e inchado, as lágrimas desciam rasgando, eu olhei para aquelas três pessoas paradas perto da porta que dá para a piscina, meu mundo correu dos meus pés, eu estava exausta e não queria ser gentil com ninguém, Ash veio até mim, pegou no meu rosto. "Por que esta chorando?". Ele não devia ter perguntado, o abracei e afundei meu rosto em seu peito, ele estava lindo de social e camisa creme, eu o apertei nos braços e disse baixinho. "Me desculpa!.. Eu estou muito cansada!", o olhei, eu estava em suplica, queria que me deixasse em paz, eu queria que se afastasse de mim para que meus hormônios se acalmassem e eu não soltasse a minha vontade de ser mãe aos 24 anos de idade. "Vick!... Meus pais estão aqui e estão loucos para te conhecer!", deixou claro que não iria abrir mão de mim naquela hora. Desviei o olhar dele para os pais de Ash, minhas vistas estavam embaçadas, sentia as mãos de Ash no meu rosto molhadas das minhas lagrimas, peguei e as tirei do meu rosto, "Me deixa só jogar uma água no rosto e eu já desço para cumprimenta-los", acenei com a mão pedindo calma para ele e subi, Ash ficou na escada me observando a subir. Me olhei no espelho e me sentei no vaso para me acalmar, tinha que mudar o foco dos meus pensamentos, agora precisava me preocupar com meus sogros e agrada-los de alguma forma, me levantei e joguei água no meu rosto e prendi meus cabelos em um r**o de cavalo e passei uma maquiagem leve e respirei fundo esfregando minhas mãos. A mãe de Ash Sra. Cristina, era mais alta que eu, fiquei até constrangida, me cumprimentou formalmente, sorrindo em uma linha tranquila, não demonstrava se tinha ou não gostado de mim, já o Sr. Oscar me deu um abraço apertado e nos desejou felicidades, ele sim era a simpatia em pessoa, eu ficava pasma como duas pessoas diferentes podiam conviver juntas, mas no caso do pai de Ash até entendia, ele mais viajava a negócios do que ficava em casa, era fácil assim de se conviver, descemos para a cozinha, Ash e o Sr. Oscar ficaram no sofá conversando, a Sra. Cristina até que tentou ficar com eles, mas ao me ver pegando algumas coisas na geladeira para preparar algo para comermos, veio me fiscalizar. "Já almoçamos menina!", disse ela me olhando, eu coloquei tudo sobre a bancada e a olhei e sorri. "Eu sei!... Ash tinha me dito que levaria vocês para almoçarem, assim não precisava me preocupar, mas eu gosto de adiantar o jantar e fazer com calma", sorri mais uma vez e dei atenção aos meus legumes. "Em minha casa, eu já cozinho tudo e deixo congelado, assim não tenho trabalho!". Fiquei quieta diante de seu comentário, e dispus a descasca-los, os brócolis e a couve flor lavei bem e deixei de molho por 5 minutos na água com produto para higienização para verduras, e preparei a abobrinha e as batatas, Cristina me ajudou calada, eu realmente não estava bem e acho que ela respeitou isso. "Você é enfermeira... Ash nos contou que trabalha na emergência e que é muito eficiente!", ela sorriu. "Ash como sempre exagerando!", disse a olhando com um sorriso grato, "Sou tão boa quanto as outras enfermeiras!... E na verdade meu turno é das 18 as 06H da manhã, mas estou na UTI pediátrica cobrindo uma enfermeira chefe, mas dentro de dez dias volto para a noite!". "UTI pediátrica?", ela me olhou espantada. "Sim!... Neonatal na verdade!", sorri triste, "É muito difícil!... Mas eu gosto mesmo assim!". "Claro!", disse ela se calando novamente, vi que desviou o olhar de mim para Ash sentado e conversando animado com o pai e voltou a me olhar, senti que existiam segredos guardados e que não seriam revelados, olhei para Ash, me ocorreu de que Ash poderia ter sido pai em algum momento de sua vida e por isso não tinha a mínima vontade de ser pai e era isso que ele gostava em mim. De repende percebi que eu não conhecia tão bem assim meu marido, ele tinha segredos e não queria me contar, ele as guardava dentro dele, me excluía de sua dor, eu o conhecia no s**o e na alegria e o que gostava de comer e suas preferências para passeios e diversão, mas quando se via pressionado, ele se esquivava ou se mostrava indiferente e dava um jeito de se livrar, eu não queria ser a esposa só para os momentos bons e felizes, eu queria ser a esposa para as horas difíceis e cair com ele se for preciso, aquele pensamento me deixou exausta, larguei a faca na pia e me apoiei, praticamente me segurando, eu estava a ponto de explodir de alguma forma, Cristina me olhou e também largou a faca, eu não tinha dormido direito, a emoção do dia com a despedida de Juan e o stress da chegada dos pais de Ash, Cristina tocou no meu braço. "Você está bem?!". A olhei, não estava bem, era visível em seus olhos, só escutei, "Ash!". Desabei no chão, perder os sentidos para mim foi como me desligar do mundo, me senti em paz de repente, eu queria dormir, eu queria que me deixassem dormir, acordei deitada no sofá, sentindo o cheiro do álcool passar em minhas narinas e meus pulsos gelados, Ash estava branco e praticamente sobre mim sentado na beirada do sofá, Cristina passava o álcool nos meus pulsos. "Ah Graças a Deus!", disse ele puxando os cabelos para traz. "Está tudo bem!... Eu só estou muito cansada!", disse me sentando no sofá, respirei fundo, "Eu estou bem!... Eu só... Estou casada de verdade!". "vá descansar minha filha!", Disse Oscar me olhando. "Tenho que fazer o jantar!", tentei me levantar, mas Ash me segurou, "Deixa isso para depois!", ele se levantou, "Vou levar você ao hospital!". Comecei a rir, "Não mesmo!",me levantei, "Se quer ver meus exames estão todos na gaveta do meu criado mudo... Nosso controle de saúde é rígido e eu estou perfeita... Foi só uma queda de pressão!" disse saindo do encalço deles e seguindo para a cozinha, "Na verdade eu não comi nada o dia inteiro!", puxei uma cenoura e comecei a roer e voltei para os meus afazeres, Ash veio até mim, passou a mão pela minha cintura e beijou meus cabelos e suspirou. "Tem certeza que está tudo bem?", ele me olhou. "Tenho!". "Estou exigindo demais de você!", disse ele me apertando na cintura. "Não!... Eu é que estou exigindo demais de mim!", larguei tudo e me virei para ele e o lacei pela cintura, "Me desculpa... Não queria preocupar todos vocês... Mas é sério quando falei da minha saúde... Eu estou perfeitamente bem!". "Não está grávida não é!?", seu olhos azuis me penetraram, me corpo vibrou. "NÃO!", praticamente gritei, mas um arrepio percorreu minha espinha, o larguei e voltei para os meus legumes, "Sai daqui Ash, me deixa terminar isso!", disse baixinho e ríspido, eu queria-o longe de mim. Ash passou a mão no rosto, sua respiração parecia aflita, ele tocou o meu ombro, eu rosnei, ele me soltou e hesitou em sair de perto, mas fez mesmo contra a vontade, engoli em seco com a possibilidade de a injeção ter falhado aquele mês, eu estava com os hormônios tão a flor da pele que podia jurar que sentia que algo estava mudando dentro de mim, mas podia ser loucura da minha cabeça, eu podia estar fantasiando isso, terminei de cortar os legumes, ao me virar, não tinha mais ninguém na sala, nem Cristina estava lá, e pude chorar mais uma vez, eu não estava me reconhecendo, eu estava muito sensível, eu realmente precisava dormir. O jantar foi servido as 18H em ponto, meu humor tinha melhorado e conversamos e nos conhecemos um pouco mais, Cristina era a única que me olhava desconfiada e em silencio, Ash também não estava muito convencido e certo do que estava acontecendo comigo, mesmo assim eu procurei ficar quieta e manter minha tranquilidade, depois do jantar, arrumei a cozinha e discretamente sumi das vistas deles e corri até a farmácia e comprei um teste de gravidez, já que todos estavam desconfiados e eu também, um teste seria maravilhoso para tirar a duvida, voltei e dei de cara com Ash me procurando no piso de baixo. "Aonde você foi?", perguntou ele com as mãos na cintura. "Fui no carro pegar algumas coisas que deixei", o olhei, "O que foi?... Precisa de alguma coisa?". Ele sacudiu a cabeça e me abraçou, "Você precisa dormir!". Me larguei em seu abraço, até que enfim alguém disse algo bom, "Estou morta e desejando e muito uma cama!". Demos risadas, "Suba, tome um banho e caia na cama!... Eu cuido do restante!". "Ah!... Obrigada!", disse o beijando. Depois de um banho me arrastei para a cama e cai dormindo, eu estava exausta e meus sonhos foram perturbadores, me via com um bebê nos braços e Ash me olhando f**o, ele não queria o bebê e não me queria mais, eu queria chorar e ao mesmo tempo precisava acalmar o bebê no meu colo, ele chorava estridente, eu o juntava nos meus braços, eu esbravejava com Ash, ele não queria me ajudar a cuidar dele, chorei várias vezes, acordei com Ash me abraçando forte. "Shhhhhhhhh!... está tudo bem!", disse ele beijando meu rosto e me puxando mais para ele, "Tudo bem!". "Ash!", disse baixinho, "Eu amo você!". "Também te amo meu anjo", agora dorme. Seu corpo estava quente, eu me aninhei a ele, meus olhos pesaram e eu dormi até às 5H da manhã, me levantei, Ash estava divino esparramado na cama, fui para o banheiro, estava louca pra fazer xixi, mas fui em busca do teste que tinha guardado na gaveta, Ash tinha mexido ali, ele também estava preocupado e eu vi o quanto isso era um assunto delicado, fiz o teste e tinha que esperar 30 minutos, eu tomei banho enquanto isso, lavei meus cabelos e meu corpo, depois tirei todo o sabão, evitei ao Maximo em não olhar para a pia onde eu deixei o teste, respirei fundo e desliguei o chuveiro, tirei o excesso de água dos cabelos e puxei a toalha e dei as costas para a pia, eu não queria dar bola para aquilo, me enxuguei e sequei ao Maximo meu cabelo e me enrolei na toalha, hoje chegaria atrasada no trabalho, normalmente levanto as 4h para ir trabalhar, mas aquele dia eu estava exausta e precisava deste tempo, me virei e saí do Box, levei um susto, o teste tinha sumido de cima da pia, procurei dentro da cuba e vi Ash sentado na cama com o teste na mão, meu coração disparou, agarrei a beirada da pia e o olhei.
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