Capítulo 2

993 Palavras
✧ Heitor ✧ Tá ligado que eu não sou o melhor marido. Deixei muito a desejar desde o momento em que virei dono desse morro. Hoje em dia, só quero três coisas: dinheiro, mulher e poder. Amo a Luiza, demais, mano. Tanto que não consigo deixá-la livre, na moral mesmo. Esse amor que sinto por ela é diferente, é obsessivo. Ela é minha, e só vai deixar de ser minha quando eu morrer. Caso contrário, vai ser sempre minha. Tô com um plano na cabeça que vai me fazer ter tudo que eu quero. Tudo é muito, mas se eu conseguir matar o chefão do PCC, vou tomar todos os morros dele. E quem sabe não consigo o da CV como brinde? Mas, enfim, bora voltar a falar da minha dama. Aquela ali me fortaleceu muito quando eu precisei. Quando fui parar no xadrez, foi ela que fechou comigo, enquanto as putas se negavam a enfrentar fila no presídio. Sou trouxa? Sou, pô. Mas a gente não liga, não. Quando saí, fiz tudo de novo. Minha vida é assim, eu sou assim, e não consigo mudar. Minha mãe não fala mais comigo. Ela conversa sempre com a Luiza, mas quando me vê na rua, passa como se eu fosse um estranho. Diz que virei um monstro, um egoísta, que só penso em mim e que minha ganância vai ser meu pior inimigo. Mas sabe o que eu acho sobre isso tudo? Drama. Minha mãe acha que pode me manipular, mas não vai conseguir. Eu vou conquistar o que eu quero, ela querendo ou não. Virei o monstro que ela tanto fala, mas virei pra cuidar dessa p***a aqui e pra colocar comida na mesa. Tudo que eu fiz foi pra cuidar dela, mas a ingrata só sabe reclamar. Tá maluco. Com 11 anos, eu já tava envolvido nesse mundo. Via minha mãe chorando por não ter comida pra botar na mesa. Às vezes, ela ficava sem comer pra me dar a única coisa que tinha no armário. Comecei lá embaixo, como fogueteiro. Depois fui pra vapor. Quando o dono do morro me colocou como gerente, o poder já tinha subido à minha cabeça. Eu já tava com moral na favela. Foi aí que eu decidi matar o Baiano. Num dia de baile, com todo mundo distraído, cheguei nele e disse que tinha um drogado querendo falar com ele. Com muito custo, ele foi até o beco. Eu tava atrás dele o tempo todo. Quando ele deu as costas, atirei. Foram 12 tiros – 6 pelo corpo e 6 na cabeça. Se eu fiquei com a mente pesada? Claro que não. Aqui é bandido, não Maria. Nessa vida, é matar ou morrer, e eu escolhi matar. Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo, só que de uma forma mais lenta e dolorosa. Depois que matei ele, voltei pro baile e fui direto pro palco pra anunciar que eu era o novo dono daquela p***a. Ninguém gostou, mas respeitou, porque agora eu era o chefe. Quando desci do palco, as piranhas já tavam me agarrando. Nem gostei, logo eu que amo mulher. Um ano depois, conheci a Luiza. A mina tinha acabado de fazer 15 anos e eu tava com 18. Fiquei encantado, tá ligado? Parei de pegar as putas e foquei nela. Depois que consegui conquistar, fiz ela ir morar comigo. Três meses depois, voltei a comer as putas – duas por dia, fácil. Porque eu sou desses, fiote. Ninguém me para, e nem mudo por mulher nenhuma. Depois, comecei a bater nela. Sempre que eu escutava os vapores falando dela, eu batia neles e depois nela também. Isso foi ficando frequente, tá ligado? Aí eu proibi ela de sair de casa. Falei que, se saísse, eu matava a mãe dela. Hoje, ela só sai na rua comigo. As compras do mês quem faz é a mulher que faz faxina lá em casa. Nem a mãe dela eu deixo ela visitar. Porque a velha faz de tudo pra Luiza me deixar. Já tentou até apresentar macho pra minha mulher. Só não matei ela porque a Luiza entrou na frente, mas essa velha tá na minha mira. Qualquer vacilo, eu mato ela, e não tô nem aí. Aquela velha é chata pra c*****o. Sei que sou o cara totalmente errado pra ela. Sei que ela não merece essa vida, e muito menos um cara canalha como eu. Mas ela é minha, e minha vontade de mantê-la presa a mim, mesmo que à força, é grande. Luiza não é feliz ao meu lado, eu sei, mas também não vai ser feliz com outro cara, isso nunca. Prefiro vê-la morta ou eu mesmo matá-la do que ver ela se exibindo na rua com outro. Tem um merdinha que gosta de ficar perto da minha Luiza, o tal do Luiz. Já prometi a mim mesmo que, no dia que eu souber que ela tá com ele, eu mato os dois sem dó. Não gosto de ser traído. Eu posso ter várias mulheres à disposição, porque sou o dono dessa p***a toda, mas minha mulher, minha fiel, não pode me trair. Não suportaria a vergonha de todos saberem que o grande chefe Heitor foi chifrado. Luiza sabe como eu sou e sabe que, se errar comigo, apanha. Mulher faz por merecer apanhar. Se não fosse assim, não ficava me provocando. Eu sou isso aí que vocês estão vendo. Sou o dono da p***a toda e não me importo com nada. Sim, sou egoísta mesmo. Porque, se eu não for, quem vai tomar conta das coisas por mim? Traio mesmo, bato mesmo, faço o que eu quiser, porque é isso que elas merecem. Vagabundas que se entregam pra qualquer um, tudo por dinheiro. Por isso eu sou o que sou. Elas me dão o que eu quero, e eu dou a elas o que elas querem. E assim eu sigo minha vida, sem me importar com nada.
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