O motorista do Uber logo chega e me leva para o Aeroporto RJ-Galeao, que é bem próximo daqui.
{30min depois...}
O Uber me deixa no aeroporto, e logo em seguida entro e fico só aguardando minha prima aparecer.
Jade narrando:
Cheguei no Rio, nossa, já tô sentindo uma diferença enorme, é como se tudo fosse mudar agora e vai, claro. Pego minhas duas malas, um moço me ajuda a pegá-las, agradeço e logo saio, vou andando e de repente escuto alguém gritando meu nome, olho em volta e vejo uma menina pulando, nem acredito que ela ficou mais alta que eu, vou andando mais rápido em direção à ela.
Angela- Jadeeeee! -continua pulando, ela não mudou em questão de ser doidinha.
Jade- prima como você mudou na aparência, está mais alta que eu, antes éramos do mesmo tamanho. -falou enquanto a abraço forte, e uma lágrima solitária desce no meu rosto.
Angela- e você é baixinha, não imaginava você sendo menor que eu. -começou a rir da minha altura.
Jade- tava com tanta saudade, desculpa eu tá chorando assim do nada, tô muito sensível, e seu abraço me fez tão bem! -abraço ela novamente.
Angela- pode me abraçar quantas vezes quiser minha baixinha, agora vamos logo pra casa né, me da sua mala aqui, deixa eu te ajudar. -falou puxando uma mala da minha mão.
Fomos andando em direção ao Uber, que a Angela chamou, colocamos as malas no porta-malas do carro e partimos. Abro a janela e fico sentindo aquele vento bater em meu rosto, e minha prima segurando a minha mão, é tão bom se sentir acolhida por pessoas que realmente te ama. Não sei o que vai ser daqui pra frente, mas vou lutar dia após dia, pois sei que, onde meus pais estiverem estão olhando por mim e sei que eles não querem me ver triste, tenho que ser forte.
Chegamos bem rápido, até que não é tão longe do aeroporto, o motorista do Uber nos ajuda a tirar as malas, e daí a minha prima começa a gritar de novo, ela é bem tagarela e engraçada, amo esse jeito dela, tá nem aí se está chamando atenção.
Angela- Alêeeeeee, vem cá ajudar a gente
Alê- Vou chamar um vapor pra ajudar vocês, blz?
Jade- certo. -Assenti com a cabeça.
Angela- e você não pode ajudar por quê?
Alê- porque eu vou ter que ir na boca rápido, mas eu vou chamar o Fiote. -ele pega um rádio e começa a falar com o tal "fiote".
Fiquei toda confusa, é tudo muito novo pra mim, mas tenho que me adaptar.
Em 5min chega o vapor em um carro e nos ajuda com as malas.
Angela- Fiote, leva a gente pra minha casa, ela vai morar lá agora
Fiote- beleza, gatinha ela hein? ela não fala não?
Jade- falo sim, oxe
Fiote- oxe? você é do nordeste? pensei que fosse daqui do Rio mesmo
Jade- pelo sotaque dá pra perceber que sou nordestina né, morava na Bahia. -falei com a voz embargada, e abaixei o olhar.
Fiote- se não quiser falar não tem problema, foi m*l aí, ó chegamos já. -falou apontando pra uma casa com a aparência até que bonita, a frente da casa tem um portãozinho que sobe uma escadinha de cerâmica marrom clara e logo quando sobe tem uma porta de madeira. A Angela pega as chaves e abre o portão, subimos a escada e ela abre a porta, em seguida entramos.
Angela- lar doce lar, é simples mas espero que goste e se sinta confortável na sua nova casa. -ela fala me abraçando.
Jade- nossa, obrigada mesmo, é ótimo aqui, melhor do que ficar sozinha em uma casa enorme, aqui já sinto cheiro de conforto, de proteção, só tenho que agradecer. - começo a chorar de novo, nossa, parece que não dá pra controlar essas lágrimas teimosas que insistem em cair.
Angela- pode chorar mas de alegria viu, nós somos uma família baixinha, vamos sempre uma apoiar a outra, mais tarde mamãe vai trazer pizza, vai ser uma noite das meninas, topa? -ela disse, andando em direção a cozinha e abrindo a geladeira.
Jade- Opaa, noite das meninas? amei a ideia, vamos assistir um filme? -segui ela até a cozinha e me sentei na cadeira da mesinha.
Angela- Vamos assistir lá no quarto da mamãe, é tão bom e agora com você aqui vai ser ainda melhor, você quer comer lasanha? vou esquentar aqui
Jade- quero sim, mas antes vou tomar um banho, pode ser? - falei me levantando da cadeira
Angela- toma um banho lá no banheiro do meu quarto, que aí você já se troca lá mesmo
Jade- certo, obrigada por tudo prima. -falei sorrindo pra ela que logo retribuiu.
Angela- e pode parar de agradecer sempre por tudo, nós somos família pô, já disse, rum, agora vai lá tomar banho.
Fui andando até o quarto, separei logo uma roupa e coloquei em cima da cama. Entrei no banheiro, coloquei uma música no meu celular "ela só quer viajar, ela só quer viajar daqui pra qualquer lugar...", liguei o chuveiro e a água caindo no meu corpo todo, estava totalmente grata por esse dia, sinto que meus pais estão felizes por me ver bem ao lado de pessoas que me amam e me acolheram tão bem, sei que esses anos vivi chorando e triste pelos cantos mas sei que meus pais onde estiverem querem me ver forte e feliz, e a partir de hoje vou ser forte, esquecer do que aconteceu é impossível, foi uma tragédia perder meus pais naquele acidente, mas minha vida não pode parar, eles querem me ver bem e eu sinto isso, eles agora são minhas duas estrelas, sempre vou olhar pro céu e lembrar deles. Termino meu banho, e vou ao espelho e penteio meu cabelo e deixo solto mesmo. Saio do banheiro e vou pegar minha roupa que deixei na cama, visto um short jeans preto e um cropped de crochê vermelho, pego 50 reais na bolsa e vou falar com a Angela, que não estava mais na cozinha e sim na sala assistindo série
Angela- que demora menina, tô com mó fome e fiquei te esperando pra gente comer juntas.
Jade- vamos no mercado comprar refrigerante e comprar o material de fazer um pudim pra gente comer de sobremesa
Angela- vamo lá, deixa eu só beber água rapidão. -falou correndo em direção a cozinha, bebeu água bem rápido e voltou
Jade- então vamos. - abri a porta e descemos as escadinhas.
Fomos descendo a rua e algumas pessoas ficavam olhando pra gente, a maioria homens e umas mulheres ficaram olhando torto pro nosso lado, fiquei meio constrangida, mas continuei andando como se não tivesse vendo ninguém.
Chegamos no mercado, compramos as coisas tudo certinho e saímos de lá. Ela foi me levando em direção a uma quadra.
Jade- ué, nós não vamos pra casa? -perguntei arqueando uma sombrancelha
Angela- vamos sim, dá pra gente ir por aqui também, relaxa, eu só quero que você conheça mais o morro né garota. -começou a rir.
Tinha muitas crianças ali brincando, e também tinha muita gente principalmente aquelas mulheres que fica olhando com cara de cu pro lado da pessoa, gosto nem de briga, sério mesmo. Tinha uns gatos jogando bola, daí a Angela cutucou meu braço.
Jade- que foi?
Angela- vou te apresentar meus amigos, os únicos que não estão aqui é a Gabi e o Cerol
Jade- cerol? que apelido é esse gente. -comecei a rir
Angela- menina, cerol é o dono do morro, ele e a irmã dele são uns dos meus amigos de infância, depois eu te conto sobre o vulgo dele ou você pergunta pra ele quando o conhecer.
Jade- sé...sério? não quero conhecer não então. - fiquei surpresa com o que ela disse e coloquei a mão na boca.
Angela- mas ele é de boa prima, pelo menos com a comunidade, com os amigos e a irmã dele
Jade- tudo bem então
Angela- olha lá, lá vem o Alê e o Thiago
Jade- quem são?
Angela- o Alê eu considero muito como amigo, mas o Thiago, eu sou apaixonada por ele desde a infância, a gente teve uns rolo aí nada sério pelo menos pra ele, cansei de ser trouxa e deixei de mão, sabe... tem hora que a gente se toca
Os dois chegaram na nossa frente e abraçaram ela.
Angela narrando:
Veio o Thiago e o Alê me abraçando, que cheiro bom esse do Thi, sério...
Thiago- e aí gatinha, firmeza? quem é essa que tá contigo?
Angela- é a minha prima Jade que veio da Bahia, prima esse é o Thiago e esse é o Alê. -falei apontando pra eles.
Jade- Prazer meninos
Alê- Prazer só na cama gata
Thiago- satisfação princesa
Angela- Alê, mais respeito com minha prima viu. -começamos a rir.