cap 07 você é a ex dele

1416 Palavras
Mirella . . . Eu e o KL saímos de casa e viemos caminhando e zoando até a casa das meninas. Ele era um cara muito legal e divertido de verdade. Mas eu tenho que admitir pra mim mesma que só fiquei com ele pra desestressar e tentar esquecer o Dacruz. Até que resolveu um pouco, mas não muito, porque já estou aqui pensando nele. Cara, que homem é aquele! Ele ficou muito mais lindo, forte e gostoso. Antes era mais do tipo moleque mesmo, mas agora tá um homão. É aquele ditado né? Deus me livre, mas quem me dera! Chegamos na casa das meninas e nos despedimos com um selinho. Bem de boas na verdade, acho que já considero ele um amigo colorido. Assim que eu ia bater na porta, vi que a mesma estava aberta, então só entrei. Elas devem ter chegado tão bêbadas que nem conseguiram trancar. Fui pra cozinha e encontrei Eduarda e Débora conversando. As duas me viram e ficaram com o semblante mais sério. Eduarda: Oi... Mirella: Oi, bom dia. Débora: Não gosto de enrolação, então já vou direto ao ponto. Nós três erramos sim por ter te escondido a verdade sobre o Dacruz. Porém a gente sabe que é uma situação complicada, e por isso não queria te contar. Você ia se assustar, então foi melhor tu ver com seus próprios olhos. Mirella: Me assustar com o quê, gente? E o Dacruz, ele só tá diferente na aparência, mas não tem motivo nenhum pra assustar. Só não entendi até agora por que ele é chamado de "chefe". – fiz uma careta, e as duas se olharam. – Eu tô perdendo alguma coisa? – perguntei confusa. Na hora, a Emilly brotou na cozinha do nada, com uma cara super séria. Emilly: Sim! A gente achou que tu ia perceber logo de cara, mas pelo visto tu é muito lerda. – revirou os olhos. – O Dacruz é o dono do Vidigal. Assim que ela disse, minhas pernas tremeram e meus lábios se abriram. Não conseguia acreditar. Como aquele menino que eu conheci super ingênuo se transformou em um “bandido”? É até estranho falar essa palavra. O Dacruz nunca foi dessas coisas. Mirella: Como assim? Emilly: Uns meses depois que tu foi embora, a avó do Dacruz ficou muito doente, então teve que fazer várias cirurgias em hospitais particulares. Com isso, uma dívida enorme foi aparecendo e, quando a dona Elisa faleceu, toda essa dívida caiu em cima dele. Ele vendeu a casa que tinha lá na nossa cidade e veio pro Vidigal tentar alguma chance de emprego na Barra. Mas não conseguiu nada e acabou virando vapor aqui no morro. Com o tempo, ele conseguiu pagar todas as dívidas, mas o crime já tinha tomado a cabeça dele, e ele resolveu que essa seria a vida dele dali em diante. Depois de um tempo, foi crescendo e crescendo de cargo até virar o dono do morro. – respirou fundo. – Ele me chamou pra morar aqui, disse que tinha arrumado uma casa boa pra mim, e como eu já queria sair da casa dos meus pais, aceitei. Chamei a Débora e a Eduarda pra virem morar junto já que a casa era grande, mas a cagona da Eduarda não quis. Me sentei na cadeira tentando assimilar tudo que a Emilly tinha dito. Realmente fazia muito sentido, mas eu ainda não compreendia por que o Dacruz escolheu continuar nessa vida. Fiquei triste por ele, porque no momento em que ele mais precisou de ajuda, eu não estava aqui... Eu estava sentindo algo estranho no peito, como se fosse arrependimento ou até medo. Débora: Mih... – me chamou. – Fica calma, tu não tem culpa de nada disso. As coisas acontecem, e às vezes não tem nada que a gente possa fazer. Eduarda: Perdoa a gente de verdade, cara. Nós não fizemos por m*l, só não sabíamos como te contar. Mirella: Tudo bem, gente... – suspirei. – Vocês não tiveram tanta culpa. Eu também surtei demais por coisa boba. Nos abraçamos, nós quatro. A gente sempre fazia isso quando se reconciliava. Eduarda: Vamo pro bar beber pra comemorar então. Emilly: Comemorar o quê, maluca? Eduarda: Nada, pô. Só quero beber mesmo. Mirella: Aí vamos, também quero beber. Débora: Tudo cachaceira. Eu vou ficar só no refrigerante porque sou uma menina de responsabilidades. Emilly: Tá bom, viu, madre Teresa. – debochou, e nós todas rimos. Eu e as meninas nos arrumamos rapidinho e já saímos de casa em direção ao bar. No caminho, todas nós ríamos que nem malucas, com Emilly e Débora falando m*l das pessoas daqui. Débora: Ih, carai, olha ali teu homem, Emilly. – apontou pra um homem que tava sentado em uma mesa no bar, acompanhado de outro. Do lado estavam o KL e, infelizmente, o Dacruz. Assim que nos viram, os homens que eu não conhecia acenaram pra gente e pediram pra nos juntar a eles. Emilly: Se você não quiser sentar lá, não tem problema, a gente arranja outra mesa. – sussurrou no meu ouvido. Ela sabia que eu ia ficar desconfortável com a presença do Dacruz, mas mesmo assim eu disse que tava tudo bem. Nós sentamos na mesa, e meu olhar se cruzou com o dele. Dei um pequeno sorriso de lado, mas ele me ignorou e virou a cara. Tô falando que esse cara é doido. KL já veio se sentando do meu lado, me dando um beijo na bochecha e passando o braço pelo meu pescoço. Mirella: Quando você dá i********e pra pessoa, é f**a né? – falei pro KL. KL: Realmente. Agora se acostuma com a nossa i********e. – piscou pra mim. Xxx: E tu é quem? – o homem que estava abraçado com a Emilly me perguntou. Mirella: Sou a Mirella. – olhei pra Emilly querendo saber quem era aquele moço. Emilly: Miih, esse aqui é o JP, meu “fiel”. – fez uma careta, e ele deu um peteleco nela. Eu ri. – Esse daí que tá quase comendo a Débora é o RN, ficante dela. RN: Sou marido dela, parceira. Débora: Pessoa emocionada é fogo. RN: Aí, aí... Mas e aí, mina? Esse aqui é o Dacruz, dono do morro. Mirella: Tô ligada já... – disse, e ele me olhou com uma cara indecifrável. Eduarda: Gente, na moral mesmo, parem com essa melação. Eu sou a única que tá sozinha aqui, c*****o. Débora: Arruma um homem pra tu então. – todas nós rimos, menos a Eduarda, que fez careta e foi buscar bebida no bar. Do nada, apareceu uma garota ruiva e cumprimentou todos, menos eu. Já não gostei dela. Xxx: E aí, gente. – disse e se sentou no colo do Dacruz. Meu ranço já tá como? Estourando. Todo mundo cumprimentou ela. Emilly fez cara de deboche e eu quase ri. Xxx: E tu? É quem? Mirella: Sou a Mirella... – ia perguntar quem era ela, mas me interrompeu. Xxx: Mirella Gomes? – fez cara de espanto e eu assenti, sem entender como sabia meu sobrenome. – Não é aquela tua ex? – perguntou pro Dacruz, e todos da mesa olharam pra nós dois. Ele bufou e a garota olhou pra mim. – Tu é a ex dele, né? Abaixei a cabeça e assenti, morrendo de vergonha. Pô, ninguém precisa ficar sabendo do meu passado não. Xxx: Ele já me falou algumas vezes de você... Mirella: Sério?! – franzi a testa, confusa. Na hora que ela ia falar, o Dacruz a interrompeu. Dacruz: p***a, Letícia, vai embora, na moral. Quero me estressar contigo não. Para de ficar falando da minha vida pros outros. Ele se levantou com brutalidade, quase derrubando o copo de cerveja, e saiu com a menina ruiva atrás dele. KL: c*****o, você é ex do Dacruz? Mirella: Sou né... Mas isso já faz mó cota, a gente ainda era adolescente. – falei já sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas. Odeio ficar falando do passado. JP: Nunca imaginei o Dacruz namorando, mané. Serião. Ele tem uma personalidade, digamos, insuportável. Mirella: Ele não era assim. Na verdade, era um ótimo amigo. Mas as pessoas mudam, né? Enfim, vamos trocar de assunto. – disse rapidamente, e acho que eles entenderam, porque não renderam mais esse papo. Ficamos a tarde toda bebendo com os meninos. Eles eram muito engraçados e ainda ficavam fazendo fofoca com a gente sobre umas pessoas do morro. Tá aí uma coisa que eu nunca pensei: bandido também é fofoqueiro.
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