Mirella...
Já era quarta-feira e meu coração estava quase saindo pela boca. A ficha de que eu estava indo pra outro país ainda não tinha caído. Eu estava a caminho do aeroporto com a Eduarda e a Débora. Me despedi da minha mãe antes de sair de casa, ela não quis ir porque odeia despedidas.
Fomos nós três o caminho inteiro zoando, e as meninas insistindo que eu tinha que arrumar algum gringo rico pra elas.
Débora: Vocês estão achando que eu tô brincando? – olhamos pra ela – Eu tô falando sério, arruma um gringo rico pra mim. Não dá pra ser pobre a vida inteira, gente, pelo amor.
Mirella: Meu Deus... – dei risada – Mano, eu nem peguei o avião ainda e vocês já tão falando de casar com gringo rico.
Eduarda: Quem perdoa é Deus, meu amor. Se for arrumar algum macho pra mim lá, por favor arruma um de 80 anos milionário.
Mirella: Por que 80 anos?
Eduarda: Se liga no meu plano: tu vai me arrumar um velho de 80 anos, vou fazer ele se apaixonar por mim e... ops! – fez sinais com as mãos – ele vai cair da escada “acidentalmente” e passar todo o dinheiro pra sua esposa querida, vulgo eu.
Mirella: Cara, vocês são impossíveis, papo reto. – gargalhei. Assim que descemos do táxi, falei – Meninas, fiquem sentadas aqui que eu vou lá fazer meu check-in. Querem que eu compre algo?
Débora: Só se tu for rica, né? Porque uma garrafa de água aqui é 21 reais, bebê.
Mirella: Então passem sede. – revirei os olhos e fui até a atendente.
Recebi todas as informações da minha primeira viagem, fiz o check-in e logo depois fui em direção a uma máquina de comida. Coloquei o dinheiro e esperei meus chips caírem. Enquanto esperava, olhei ao redor... e foi quando meu coração gelou.
Meus olhos encontraram ele.
Era o Dacruz, conversando com uma garota de cabelos longos que eu não consegui identificar. Dei alguns passos mais perto, só pra ter certeza de que era ele mesmo. E foi nesse instante que eu paralisei: a menina lhe roubou um selinho.
Meu rosto queimou e as lágrimas ameaçaram cair, mas eu respirei fundo e engoli o choro. Peguei os chips e voltei rápido pras meninas, forçando um sorriso.
Eduarda: E qual foi que tu tá com essa cara aí? – fez uma careta.
Mirella: Nada, nada... só tava pensando aqui em como eu vou sentir saudade de vocês duas. E da Emilly também. – abracei forte as duas, tentando disfarçar.
Débora: Também vamos sentir muito a tua falta, amiga. Mas relaxa que vamos te ligar sempre que der. E ó... se tu esquecer da gente, eu pego um avião só pra ir te dar um soco.
Mirella: Pode deixar, senhora. – levantei as mãos em rendição. Nesse momento ouvimos o chamado do meu voo.
Eduarda: Ai meu Deus, não quero mais... tu vai ficar aqui! – me abraçou forte, deixando algumas lágrimas caírem. Eu e a Débora nos juntamos num abraço coletivo, chorando juntas.
Mirella: Nunca vou esquecer de vocês. Amo vocês duas, muito mesmo.
Débora: Também te amamos, amiga. – me deu um último abraço antes do segundo chamado ecoar pelo aeroporto – Agora vai logo, antes que eu te sequestre e te leve de volta pra casa.
Sorri e fui andando até a área de embarque. Olhei uma última vez pras meninas, que gritaram que me amavam e que eu não podia esquecer de arrumar um namorado rico pra elas.
Dei uma última varrida pelo saguão e... meu olhar encontrou o dele.
Dacruz estava de braços cruzados, me encarando.
Engoli em seco. Apenas virei as costas, sentindo meus olhos arderem, e segui em direção ao meu voo.