Capítulo 31 – Fogo Lento, Porta Afora

1459 Palavras

Lorena Cheguei primeiro. Sempre. Abri a cortina só o bastante para ver a cidade sem me dar de presente. A suíte cega respirava como sala de espera de tempestade: abajur baixo, música grave que não tem refrão, ar-condicionado sussurrando gelo. Coloquei meu celular na caixa de Faraday, testei duas vezes. Conferi as saídas — porta principal, escada pressurizada, corredor de serviço — e escrevi meu nome em silêncio no espelho com a ponta do dedo. Contrato é bússola. O toque de campainha veio três minutos antes do combinado. Abri com a corrente. Ele estava de preto, ombros de muralha, olhos de quem mede espaço por profissão e desejo por acidente. Braços abertos, mãos vazias. Sem pose, sem arma. Ponto para ele. — Depósito confirmado — disse, deixando o celular na caixa sem que eu pedisse. Rep

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