Capítulo 50 – Contrato de Cinzas

1306 Palavras

Lorena A suíte “sem câmeras” fica no 28º, lado mar. Tapete espesso, cortina blackout, mesa com whisky velho e um cinzeiro de cristal esperando destino. Eu chego vinte minutos antes, como manda meu método. Reconheço portas: hall principal, corredor de serviço pela copa, escada de incêndio à esquerda, sacada com acesso para manutenção. Quatro saídas. Duas são minhas. O gerente me entrega a chave sem olho no olho. Eu passo o brinco para “gravar”, deslizo o celular de trabalho para o envelope de Faraday e deixo o cego no bolso do forro. O batom UV dorme no nécessaire. Palavra-sinal: rubra. Se eu disser, para. Se ele disser, para. Sem teatro. O político chega cinco minutos atrasado, gravata de luto e hálito de menta. Sorri com o tipo de simpatia que pede voto até para o espelho. — Deputado

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