Thiago - PetittGattô
Eu estava quase vomitando o meu nervosismo. Mas tinha que manter a pose. Agora eu tinha certeza que, se Arthur soubesse que eu sou o PetittGattô, eu não perderia apenas os meus dentes, perderia o meu emprego também!
— Entre um dia desses na minha live, só para ver como o cara é... um imbe.cil e s*******o.
— Não! Quer dizer — pigarreei para ajustar o tom de voz — não me sinto a vontade com p.ornografia.
— Ah, fala sério! Nem uma punh.eta assistindo por.nô?
Dei uma leve risadinha. Com toda a certeza o rosto estava vermelho como um pimentão.
— É um assunto meio inapropriado, Sr. Arthur.
— Fala sério, já disse que aqui não precisamos de formalidades. Podemos conversar como amigos, que tal?
Virei o álcool que bebia de uma vez só, não estava acostumado a beber, e isso seria um erro, mas, eu precisava fugir, e como não conseguiria ter forças para fugir literalmente, eu deixaria a minha mente ir para longe graças a bebida.
— De vagar com isso, Thi, essa bebida é forte — Amanda disse depois de me chutar por debaixo da mesa.
— Bom, melhor trocar de assunto — Arthur sorriu na minha direção, chegando um pouco mais perto de mim.
— É... é melhor...
Passamos a hora seguinte em uma conversa leve. Falamos sobre música, sobre como São Paulo pode ser solitária e sobre as ironias de nossas carreiras. Arthur era um excelente ouvinte. Ele me deixava falar, incentivava minhas pequenas reclamações sobre o sistema tributário e, em troca, me dava vislumbres da sua vida como Arthur, o homem que gostava de cozinhar à noite e que odiava ter que usar gel no cabelo todos os dias. O assunto era leve, de fato. Diferente da bebida que começava a me tirar os sentidos.
Eu quase esqueci que ele era o Viking. Quase esqueci que eu era o Petitgattô, o espectador que Arthur odiava com todas as forças. Ali, sob a luz âmbar e o efeito do álcool, éramos apenas dois homens trocando experiências. Meu p*u bem que queria que não fosse apenas experiências, e o fato de estar quase bêbado, me fazia sentir ele querer pular para fora da calça a cada dez minutos.
Amanda e Hugo pareciam estar se dando surpreendentemente bem. Hugo era mais contido, mas havia uma intensidade na forma como ele ouvia as reclamações de estagiária dela. Ele parecia apreciar a vivacidade dela, o modo como ela não se intimidava com a presença dele. E mesmo tendo uma postura dominante, parecia se deixar ser dominado por ela, se fosse o caso... Talvez Amanda estivesse se dando bem, era só um empurrãozinho e um novo casal se formaria.
— Acho que já é hora de irmos — eu disse finalmente, percebendo que meu copo estava vazio e minha cabeça um pouco leve demais.
— Mas amanhã é sábado. Pode acordar tarde — Amanda me lançava um olhar que era nítido entender que queria ficar mais tempo com Hugo.
— Amiga, fique... converse mais, tudo bem ir embora sozinho. Eu chamo um Uber.
Levantei e minhas pernas bambearam. Me apoiei na mesa e senti uma mão firme na minha cintura.
— Está tudo bem?
— Não, Arthur. Ele está bêbado.
De relance, vi Amanda levantar, mas Arthur foi mais rápido, colocando o braço em volta de minha cintura.
— Gente, eu estou bem — menti descaradamente.
— Não, não está — Amanda suspirou — Vamos pra casa.
— Não precisa, fique e aproveite a noite, Hugo é bonitão — e o filtro de senso se foi, graças ao álcool.
— Amanda, pode deixar. Eu levo ele pra casa. — Arthur com cuidado me puxou para fora da mesa.
— Não precisa, eu estou bem — disse agora um tanto embolado.
Ouvi quando Amanda pediu o número do Arthur. Ouvi quando trocaram informações, e ainda mais quando ela e Hugo me deram tchau, quando pediu pra avisar quando eu chegasse em casa. Mas já estava mais lá, do que cá.
— Meu cliente favorito vai me levar pra casa? — eu deveria mesmo calar a boca!
— Cliente favorito, é? — ele puxou o cinto de segurança e fechou a porta em seguida — Vou guardar essa informação com carinho, Thiago — acelerou o carro e eu senti a bike subir com o enjôo que sentia — Considere esse pequeno favor como um investimento na nossa futura relação de trabalho— ele disse, com uma piscadela, se é que estava mesmo piscando para mim. Eu me sentia incapaz de julgar as coisas nesse momento.
[***]
Ele abriu a porta do meu apartamento, eu era um alvo fácil para um maluco fazer o que quisesse comigo. Já não respondia por mim. Entramos, eu estava igual a uma noiva nos braços dele. Olhando o rosto e os olhos de pertinho. Ele é um homem lindo, muito mais lindo pessoalmente.
— Acho que você precisa de um banho, e se hidratar...
Eu precisava?
Não sei! Estava nos braços de um gostoso que eu conheço de cabo a r**o. Um gostoso que nas minhas fantasias mais profundas e sujas, me fode até eu desmaiar de exaustão. E eu estava aqui, nos braços dele. O olhando de pertinho.
Levei as mãos até o rosto dele, ganhando a total atenção para mim, o que era tudo o que eu mais queria nas lives, ele sorriu.
— Quer me pedir alguma coisa?
Sim, eu queria... Queria um beijo, e agradecer a gentileza e o cuidado enquanto me engasgo com seu p*u na minha garganta. Mas antes que eu pudesse dizer loucuras, a bile me traiu.
— Eu acho que vou vomitar...
Ele correu comigo quando indiquei aonde era o banheiro, me ajoelhei na privada e vomitei tudo o que tinha para vomitar. Me sentei no chão em seguida, fechando a tampa do vaso.
— Me desculpa... isso é vergonhoso, eu sou seu contador... isso é anti profissional.
— Me encare como amigo, fora do escritório... vem, você precisa de um banho.
Ele se ajoelhou perto de mim, tirou a minha camisa, botão por botão... me fazendo lembrar da live, dele dizendo que faria isso antes de me f***r com força. Minha pele arrepiou, e senti minha ereção roçar o tecido da calça. Vi quando os olhos dele desceram nessa direção. Quando um sorriso meio safado desenhou seus lábios. Ele levou a mão até o botão da minha calça, e em seguida, me deixou apenas com a boca azul que eu usava.
Me ajudou a levantar, e eu senti como meu corpo estava quente e leve ao mesmo tempo, me amaldiçoei por estar nesse estado, perto dele. Poderia ser pior se a casa estivesse bagunçada e suja... Casa de pobre?! Sim! Porém digna de uma visita de alguém podre de rico.
Colou meu corpo no dele enquanto abria o registro, e quando a água morna estabilizou, me colocou debaixo dela. Me equilíbrei no azulejo frio do box, e ele tirou a camisa que usava, me dando a visão de seu corpo escultural. Perfeito. Me ajudou a tomar banho, e ainda me ajudou a escovar os dentes... Um perfeito cavalheiro.
[***]
Estava deitado na cama, sentindo a cabeça girar. Ele falava no telefone com a Amanda. Dizia que eu estava bem, e que estava preparando um miojo para eu comer. Já reclamando por eu ser descuidado ao ponto de não ter comida de verdade no armário e geladeira. Sumiu por um tempo e quando voltou ao quarto, estava com uma tigela fumegando. o Cheiro do tempero artificial de galinha empestiando o quarto.
Me sentei, recostando na cabeceira da cama.
—Está se sentindo melhor?
Peguei a tigela da mão dele e suspirei.
— Quero agradecer imensamente o que fez por mim. E me desculpar, eu não estou acostumado a beber, acho que... me emocionei.
— Não quero que se desculpe... Amigos servem para coisas assim, não acha?
Dei uma risadinha.
— Agora trate de comer.
Acenei de forma positiva com a cabeça e comecei a comer. Estava um pouco mais tranquilo.
— Você precisa se alimentar de um jeito mais... descente. Foi m*l, mas as coisas que tem na sua dispensa...
— Tudo bem, você tem razão. Acho que trabalho tanto que, acabo não tendo tempo para comer direito.
— Tenta pegar mais leve, ok? Agora, eu preciso ir pra casa.
Eu queria insistir pra que ele ficasse. Mas isso seria esquisito.
— Tudo bem, sinto muito ter acabado com a sua noite — digo meio tímido.
— Minha noite foi muito boa, ok? Você não atrapalhou nada.
Suspirei, não consegui evitar um risinho com o que ele disse. Arthur se inclinou e deu um beijo na minha testa. E isso me deixou meio... desajeitado.
— Está me tratando como um adolescente inconsequente.
— E você não é um? — rebateu sorrindo.
— Eu não sou um adolescente,.tenho vinte e dois anos!
Arthur deu uma risada gostosa. E isso quase me fez ser um adolescente na puberdade. Levando em consideração que, tudo o que ele fazia me deixava e******o.
— Para mim, que tenho trinta e nove, você é um adolescente.
Eu quis dizer algo, mas tudo o que sairia da minha boca teria cunho s****l, já que o chamava de paizinho na mente. Já que pensava em coisas bem sujas com um homem mais velho.
— Se não acredita, posso te mostrar a minha identidade... melhor, você tem acesso a minha vida inteira agora.
— Realmente, está muito conservado.
Ele riu e se levantou da cama.
— Coma e descanse, adolescente rebelde sem causa...
Assenti.
Eu seria, na verdade, seria o que ele quisesse que eu fosse.