PettitGattô Eu menti para mim mesmo. A determinação fria que senti no meu apartamento, enquanto as luzes da cidade borravam minha visão, durou exatamente nove minutos e quarenta segundos — o tempo que o motorista levou para estacionar na frente do meu prédio e buzinar. Eu disse que não seria mais do jeito dele. Eu jurei que ele teria que me "desmanchar" se quisesse me ver de quatro outra vez. Mas as coisas são do jeito dele, pois eu entrei naquele carro, eu subi aquele elevador privativo e, agora, aqui estou eu. No mesmo quarto, com o mesmo cheiro de sândalo e eletricidade estática, encarando o homem que me reduziu a nada há menos de quarenta e oito horas. Arthur estava em pé, perto da janela que dava para o mar de luzes de São Paulo. Ele ainda usava a calça de moletom cinza da live, ma

