Vazio Existencial

1389 Palavras
Thiago — PetitGattô Eu estava flutuando. O meu corpo parecia uma massa de nervos expostos, vibrando em uma frequência que eu não conhecia. O ar na suíte estava pesado, carregado com o cheiro de se.xo, o perfume amadeirado de Arthur e o rastro doce do lubrific.ante de baunilha. Minha mente, antes tão ágil com números e prazos, era agora um borrão de sensações cinzentas. Eu tinha acabado de go.zar pela primeira vez na vida com outra pessoa, e não foi qualquer pessoa. Foi ele. O Viking. O homem que desejei durante anos, que me fazia babar enquanto olhava para a tela do notbook. Mas Arthur não me deu tempo para processar o êxta.se. Ele não me deu tempo para respirar. — Quantas vezes consegue gozar? Eu ainda não acabei aqui — a voz dele veio como um trovão baixo, carregada de uma luxúria que não tinha nada de romântica. Era pura fome. Eu tentei articular uma resposta, mas o que saiu foi apenas um som arranhado, uma súplica sem palavras. Os meus sentidos estavam embotados. Eu ainda sentia o gosto dele na minha boca, o calor da pele dele contra a minha. Antes que eu pudesse nem sequer tentar me sentar, senti as mãos grandes e calejadas de Arthur agarrar em minha cintura. Ele me girou na cama com a mesma facilidade com que se vira uma página de um livro. — De quatro, pequeno — ele ordenou. A voz não era de um mestre ensinando uma lição, era a voz de um homem que exigia ser servido. E eu estava ali para servir... Eu obedeci. Os meus joelhos afundaram no colchão luxuoso, e minhas mãos, ainda trêmulas, procuraram apoio nos lençóis de seda cinza que agora estavam amarrotados e úm.idos. Eu me sentia ridiculamente exposto. Sem os meus óculos, o quarto era um cenário de luzes e sombras borradas, o que tornava tudo ainda mais intimidante. Eu não conseguia ver o rosto de Arthur, apenas sentir a presença massiva dele atrás de mim, uma sombra predatória pronta para atacar. — Assim... levanta mais o quadril — ele murmurou, e eu senti um tapa firme em uma das minhas nádegas. O estalo ecoou no quarto silencioso, e a ardência imediata enviou uma nova descarga de adrenalina pela minha espinha. Eu arqueei as costas, me sentindo como um animal sendo preparado para o abate. A humilhação de estar naquela posição, oferecendo-me àquele homem que eu amava em segredo e que me via apenas como um objeto de fod.a, era quase tão intensa quanto o desejo que me consumia. Eu queria chorar de novo, mas as lágrimas de medo tinham dado lugar a um suor frio de antecipação. Senti quando ele se posicionou. A ponta do seu pa.u, ainda rígida e pulsante, roço.u a minha en.trada, que já estava sensível e dolorida. Eu arfei, cravando as unhas no colchão. — Arthur... espera... dói um pouco — sussurrei, a honestidade escapando antes que eu pudesse contê-la. — Eu disse que seria cuidadoso, pequeno, mas você disse que já tinha feito isso — ele rebateu, a voz carregada de uma impaciência sombria. — Relaxa para mim. Se você lutar contra, vai doer mais. Ele não esperou o meu corpo ceder voluntariamente. Com um empurrão decidido e potente, ele se enterrou em mim novamente. O grito que escapou da minha garganta foi agudo, abafado pelos lençóis quando eu escondi o rosto neles. Foi como se uma lâmina de fogo me atravessasse. A dor da minha virgi.ndade perdida minutos atrás não tinha sumido, ela apenas tinha sido mascarada pelo choque. Agora, naquela posição, a pene.tração era mais profunda, mais invasiva. Eu sentia cada milímetro dele preenchendo o vácuo que eu guardara por vinte e dois anos. Arthur não parou. Ele segurou os meus quadris com tanta força que eu soube, naquele momento, que haveria marcas roxas em formato de dedos na minha pele pálida na manhã seguinte. Ele começou a se mover. Estocadas longas, brutas, que faziam o meu corpo balançar para frente e para trás. — P.orra... você é tão apertado... mas eu vou te fo.der tantas vezes que, o seu c.u vai ter o formato certinho do meu p.au. Consegue guardar isso só pra mim? Não quero outro homem se envolvendo em minhas coisas— ele rosnou no meu ouvido, a sua respiração quente me fazendo estremecer. Eu não conseguia responder. Eu só conseguia gemer, um som que misturava a agonia física de ser arro.mbado por um homem daquele porte com a satisfação doentia de sentir que ele estava perdendo o controle dentro de mim. O som da pele batendo com força, o ritmo frenético da base dele contra a minha bu.nda, o cheiro de suor... era tudo tão animal. Tão pecaminoso... A minha mente de contador tentava inutilmente organizar a situação. O saldo era negativo, mas eu não me importava. Eu estava viciado no perigo. Viciado nele, viciado na imagem do Viking, e da por.ra da humilhação. — Olha para trás — ele ordenou, puxando o meu cabelo com força o suficiente para me obrigar a virar o rosto por cima do ombro. Eu olhei. Através do borrão da minha visão curta, vi o rosto de Arthur. Ele não parecia o streamer charmoso das lives. Ele parecia um guerreiro em meio a um frenesi. Suor escorria por sua testa, os seus lábios estavam entreabertos em uma expressão de pura luxúria selvagem, e os seus olhos verdes brilhavam com uma satisfação predatória. Ele estava me usando. Ele estava me usando para se esvaziar, para alimentar o ego, para se sentir o Viking que todos esperavam que ele fosse. E eu o amava por isso. E eu me odiava por amá-lo. Ele aumentou a velocidade. As estocadas se tornaram mais curtas e rápidas, cada uma delas atingindo o fundo do meu ser. Eu sentia que ia desmoronar. Os meus braços fraquejaram, e eu acabei colando o peito no colchão, o quadril ainda elevado, recebendo o impacto da sua fúria. — Eu vou... eu vou go.zar de novo... — eu gemi, sentindo a pressão crescendo na minha virilha, mesmo sem ninguém tocar no meu pa.u. Era o prazer por tabela, a estimulação interna que eu nunca soube que era possível. Nunca soube mesmo ser possível. — Go.za para mim, pequeno. Go.za gost.oso e me mostra o quanto você gosta de ser usado por mim — Arthur provocou, a voz distorcida pelo esforço físico. Eu atingi o ápice em meio a um soluço. O meu corpo teve espasmos violentos, e eu senti a vida se esvaindo de mim em jatos descontrolados contra os lençóis caros. Arthur soltou um rosnado animal, um som que pareceu vir das entranhas, e se enterrou em mim uma última vez, despejando o seu calor lá dentro, pulsando ritmicamente enquanto o clíma.x o dominava. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Só se ouvia o som das nossas respirações ofegantes e o som do ar-condicionado central. Arthur ficou sobre mim por alguns segundos, o seu peso me esmagando contra o colchão, o seu suor pingando nas minhas costas. Eu fechei os olhos, esperando. Esperando um abraço. Esperando que ele sussurrasse que eu fui bem. Esperando qualquer sinal de que eu era mais do que um receptáculo para a sua p.orra. Mas ele foi muito claro. Sem romance. Sem expectativas. Arthur se afastou depois de alguns minutos, levantando da cama e indo em direção ao banheiro sem dizer uma palavra. Ele não me abraçou, não me beijou na testa, não perguntou se eu estava bem. Ele nem sequer olhou para trás para ver se eu conseguia me mexer. Ele apenas seguiu o protocolo de quem acaba de terminar uma transação. Ouvi o som da porta do banheiro se fechando. Depois, o som do chuveiro. Fiquei deitado, olhando para o teto, sentindo o líquido já frio escorrer pelas minhas coxas. A dor física estava diminuindo, dando lugar a um vazio existencial que eu não sabia como preencher. Eu tinha mentido, tinha sido usado e tinha aceitado um acordo que me proibia de amar. Eu era o PetitGattô, o fã que realizou o sonho impossível. Mas, naquele momento, deitado no cinza frio daquela suíte luxuosa, eu me sentia apenas como uma planilha descartada. Eu tinha o Viking no meu corpo, mas ele nunca esteve tão longe do meu coração.
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