Capítulo 3

1414 Palavras
  Ponto de vista de Elena   A chuva caía com mais força, martelando o abrigo como se soubesse que eu estava encurralada.   Os três homens se espalharam lentamente ao meu redor, bloqueando a luz e o ar. Os olhares deles me examinavam com malícia, e meu coração parecia que ia sair pela boca.   Meu Deus, eu preciso de ajuda! Rezei silenciosamente.   "Bem, o que temos aqui?" falou um deles, com um sorriso que não tinha traço algum de bondade. "Sozinha nesse pequeno esconderijo, hein?"   O segundo soltou uma risada baixa e desagradável. "E vestida assim? Não é meio óbvio?"   Meus dedos apertaram o casaco enquanto eu me pressionava mais contra a parede de concreto.   "Fiquem longe," eu avisei, tentando fazer minha voz soar firme, mesmo que o tremor nela quase me traísse. "Eu não quero confusão."   Eles trocaram olhares, um brilho divertido passando entre eles.   "Confusão?" o primeiro zombou. "Quem disse algo sobre confusão? Estamos só querendo fazer companhia pra você."   Meu coração continuava martelando tão alto que eu tinha certeza de que eles podiam ouvir. Olhei ao redor, procurando uma saída, qualquer brecha. Não havia nenhuma. Mas decidi tentar fugir mesmo assim.   No momento em que tentei passar correndo por eles, um deles se colocou na minha frente, rápido e sem esforço. "Não tão rápido," ele disse.   Virei para o outro lado, mas fui novamente bloqueada. Meu peito subia e descia em respirações curtas e ofegantes enquanto o pânico tomava conta. Foi então que senti umas mãos puxando o casaco.   "Solta!" eu gritei, mas o puxão foi forte. O tecido escapou dos meus dedos, e o ar gelado encontrou minha pele encharcada pela chuva. O vestido sem mangas grudava em mim como uma segunda pele, transparente e absurdamente revelador.   "Caramba," murmurou o primeiro homem, os olhos deslizando pelo meu corpo com uma fome descarada. "Olha só você, fingindo que não quer isso, vestida assim."   O segundo explodiu em risadas, seus olhos devorando cada curva minha. "Andando por aí como um sonho molhado, e espera que acreditemos que é inocente?"   Vergonha me consumiu, queimando mais que o medo. Eu me encolhi, abraçando-me com os braços enquanto tremia violentamente. "Não é nada do que estão pensando!" rebati, a voz cheia de raiva. "Fiquem longe de mim!"   Mas eles não ficaram. Avançaram.   Eu me debati, tentando acertar qualquer coisa — um rosto, uma garganta, qualquer ponto para me defender. Mas eu era só humana, e eles eram lobos. Nunca tive chance.   Um deles prendeu meu pulso, torcendo-o para trás, com uma eficiência brutal. A dor subiu pelo meu ombro.   "Me solta!" eu berrei, lutando.   O segundo me segurou pela cintura, os dedos cavando na minha pele. "Relaxa," ele murmurou ao meu ouvido. "É só uma brincadeira."   Eu chutei, me esforcei, joguei tudo que tinha para sair. Era inútil. Estava tremendo, molhada e fraca.   "Socorro!" gritei de novo, a voz rachando pelo terror. "Alguém me ajude!"   As risadas deles ecoaram. "Quem vai ouvir?" zombou um. "Todo mundo tá lá no grande casamento."   As lágrimas escorriam pelo meu rosto, se misturando à chuva. O medo esmagava meu peito, tornando impossível respirar. Fechei os olhos com força, rezando — implorando — por algo, por qualquer um que pudesse me salvar.   Uma das mãos desceu em direção à minha coxa.   Então—   "Soltem ela. Agora."   Os segundos seguintes foram um borrão de caos.   Um renegado foi jogado para o lado como se não pesasse nada. Outro gritou ao bater no chão com um estalo doído. O terceiro nem teve tempo de reagir. Eric se movia com uma precisão letal — sem movimentos desnecessários, sem piedade — apenas força bruta e devastadora. Quando acabou, eles estavam gemendo e fugindo, rastejando na chuva.   Então ele se virou para mim.   A fúria em seus olhos diminuiu levemente quando encontrou os meus.   Minhas pernas cederam.   Braços fortes me seguraram antes de eu atingir o chão, me puxando contra um peito sólido. Agarrei o casaco dele sem pensar, meus dedos se fincando no tecido enquanto meu corpo tremia.   "Peguei você," ele disse suavemente.   Eu não conseguia parar de tremer. O frio havia entrado nos ossos e minha cabeça girava. Sua mão roçou minha testa, o toque de repente cheio de urgência.   "Você está queimando de febre," ele murmurou, entre dentes. "Droga."   Ele me ergueu com facilidade, me segurando como se eu não tivesse peso algum.   Enterrei o rosto contra o peito dele, absorvendo o calor que emanava. O cheiro dele me envolvia, fazendo todo o resto desaparecer.   "Mantenha os olhos abertos, Elena," ele ordenou com força quieta.   Fiz um aceno fraco, segurando-o como se ele fosse minha única conexão com a realidade. Ele me levou até o carro com passos firmes.   "Hospital mais próximo," ele disse ao motorista. "Rápido."   A porta se fechou com um estrondo, bloqueando a tempestade lá fora. Continuei tremendo — de forma violenta, incontrolável. O gelo corria por minhas veias, enquanto minha cabeça latejava com um calor febril.   "Pare de se mexer," ele instruiu.   Tentei obedecer, juro que tentei. Mas meu corpo tinha sua própria agenda. Meus dedos o encontraram novamente, agarrando o tecido de sua camisa, puxando-me para mais perto da fornalha que era seu corpo.   "Tô com tanto frio…" Sussurrei, patética e frágil.   Ele prendeu a respiração. Então começou a tirar o casaco, colocando-o sobre mim, suas mãos demorando-se um instante a mais do que o necessário ao ajustá-lo sobre meus ombros.   "Pronto," ele murmurou. "Isso deve te esquentar."   Mas o casaco não era suficiente. Só me fazia querer me enroscar ainda mais, chegar ainda mais perto. Apertei ainda mais sua camisa, pressionando meu corpo contra o dele, buscando mais daquele calor.   Sua mandíbula se contraiu. "Você não tá ajudando."   Por razões que eu jamais conseguiria explicar, o cheiro dele me envolvia como uma espécie de encantamento, um feitiço que eu não podia quebrar. O casaco de Eric tinha afastado o frio, mas também tinha feito algo muito mais perigoso — ele tinha desordenado completamente meus sentidos. Eu ansiava por mais calor. Mais dele.   Antes que eu percebesse o que estava fazendo, me aproximei ainda mais, subindo em seu colo, o montando como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se meu corpo reconhecesse algo que minha mente se recusava a aceitar.   "Elena." Sua voz era um aviso—baixa, áspera, no limite. "Não."   Mal consegui ouvi-lo. O mundo se resumiu ao ritmo de sua respiração, ao trovão do coração dele batendo sob minha palma, à presença esmagadora dele preenchendo cada canto da minha consciência.   Quando meus lábios encontraram os dele, algo se quebrou.   Ele xingou—um som rouco, gutural—e então a divisória de privacidade foi levantada, nos envolvendo em um casulo de escuridão e calor. Seus feromônios tomaram conta do espaço, densos e intoxicantes, fazendo minha cabeça girar e meu corpo doer de um desejo doce e desconhecido. Meu beijo era desajeitado, desesperado, mas desencadeou algo primitivo nele.   Cada fio de autocontrole que ele tinha se desfez.   Ele me puxou para mais perto, devorando minha boca com uma fome que falava de anos de contenção finalmente estilhaçada. Um gemido escapou de mim — vergonhoso, intenso — e meu corpo respondeu de formas que eu nunca tinha experimentado antes. O prazer percorreu meu corpo, forte, avassalador. Nem com o Mark eu tinha sentido isso — nunca tão selvagem, tão arrebatador, tão completamente perdida em outra pessoa.   Meu corpo arqueou contra o dele, me entregando ao calor crescente entre nós.   Eric acompanhava meu fervor, aprofundando o beijo enquanto suas mãos percorriam meu corpo, encontrando cada lugar que me fazia perder as forças, que me fazia desejar mais. Seus dedos deslizaram entre minhas coxas, abrindo caminho, descobrindo a prova do meu desejo através do tecido absurdamente fino que m*l servia como roupa íntima. Um som grave, quase um rosnado, escapou de seu peito quando ele deslizou um dedo sob o material delicado, puxando—   O carro parou.   "Senhor." A voz do motorista ecoou, alheio à cena. "Chegamos."   O encanto se quebrou.   Eric ficou rígido, cada músculo travando como se tivesse sido atingido por água gelada. Então, ele se afastou abruptamente, sua expressão fechada de tal forma que parecia que uma porta tinha se fechado entre nós.   "Isso não deveria ter acontecido," ele disse, a voz rouca.   Eu queria perguntar por quê. Queria entender como fomos daquele momento—puro fogo—para essa frieza glacial em um piscar de olhos.   Mas o mundo começou a girar, minha visão ficou turva nas bordas...   E então tudo ficou escuro.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR