EMILY Acordei cedo no domingo — o churrasco tava marcado na casa de Hanna. Antes que Lena levantasse, fui pra cozinha fazer um arroz e vinagrete pra levar. Eu nunca levava nada, às vezes levava um refrigerante — mas eles nunca me pediram nada, só faziam questão que eu estivesse lá. Hanna foi quem me acolheu quando cheguei na Rocinha: ela viu que eu tava fragilizada, com uma bebê pequena, e me deu um apoio que eu nunca vou esquecer. Assim como Rato, que me trata como irmã mais nova, e dona Luciana, que me trata como filha. Lena ama essa família, e eu também os amo demais. Eu devo muito a eles — mesmo que eu saiba que eles nunca vão me cobrar, sei que devo. Eu ainda mantinha minhas visitas a Russo como um segredo: nem pra Hanna eu contei. Não era por medo de ela contar pra alguém — confi

