Lembre-se querida, para alcançar seus objetivos... será necessária, entrar dentro do fogo.
As frases do meu pai me atingiam feito raios. Todas as vezes que eu estava prestes a fazer algo completamente fora da minha zona de conforto, eram os seus ensinamentos mais profundos e secretos e por vezes... cruéis sobre a minha.
Minha respiração estava acelerada, minhas mãos frias, as pernas ainda sustentavam meu peso... não saberia dizer por quanto tempo.
Iuri oferece seu braço para mim, e por breves segundos, me vi perdida em seu olhar.
- Amélia, você está maravilhosa...por favor sorria - ele me repreendeu assim que entendeu a minha confusão mental, eu estava perdida, perseguindo coelhos... não estava realmente ali.
Quando voltei a mim, vi a minha tia parada, não era difícil reconhecer, era só notar os lindos cabelos loiros, e os diamantes estampados em seu colar, diamantes PETROV! não deixavam dúvida de sua procedência.
- Eleonor - Disse Iuri olhando na mesma direção.
- Tenho vontade de ir até lá, e arrancar os olhos dela Iuri... - falei com raiva. Eu tinha tanto a dizer a ela, que fica muito difícil traduzir em palavras.
- Contenha-se! Você terá muitas chances para isso. - Ele me acalmou, e eu respirei fundo... repeti a mim mesma "Tudo tem o seu tempo Amélia"
Nós dois caminhamos entre os convidados, e assim que a música mudou Iuri tratou de iniciar o seu plano de ação.
- Acho que deveríamos dançar, você está linda de mais, para ficar rodando esse salão sem propósito!
Iuri me segurou bem perto dele, mais colada do que eu gostaria... o perfume dele era tão gostoso que parecia dançar nos meus sentidos, os olhos, verdes como esmeraldas me atraiam para mais e mais perto. Segurou firme em minha costas, e tentou encostar o rosto no meu. E foi quando o encanto cedeu, e eu consegui enxergar a realidade dos fatos.
- Iuri, Não! por favor não continue o que esta tentando fazer - Ele me olhou confuso - Não posso, não posso nem pensar nisso! E você sabe! não enquanto não alcançar meus objetivos!
- Amélia, tudo bem, eu entendo. Só quero deixar clara as minhas intenções com você quando conseguir devolver o que é seu por direito.
Eu não pretendia ter nada com Iuri, mas saber que ele gostava de mim e que lutaria ao meu lado, deixou o meu coração aquecido de certa forma, ter aliado em um ambiente onde todo mundo te odeia e quer te engolir não era r**m, era algum tipo de vantagem.
E quando um homem tem fascinação em uma mulher, há muito pouco que ele não faria para ter sua atenção. Eu precisava começar a pensar nisso, como eu usaria aquele encanto ao meu favor?
Não pensem m*l de mim, eu sou prática!
- Amélia se me der licença, preciso resolver algo importante - ele falou um pouco perturbado. Talvez pelo fora.
- É claro - Eu respondi tentando ser cortês.
Eu estava sozinha no salão, quieta e invisível, completamente anônima. Não sabia o que fazer, ou como me portar, a distância de algo faz isso com você, não importava o meu sobrenome, só importava como eu fui criada.
E não foi com vestidos de gala e diamantes.
Notei as portas duplas que davam acesso ao escritório principal, me segurei o máximo que deu para não ir até lá, e com isso vocês já entenderam que eu não sosseguei enquanto não atravessei o salão e fui bancar a enxerida.
- Como gostaria de abrir essa porta e ver você pai - eu disse em voz alta, sabendo que não se realizaria. Fechei os meus olhos para me perder em minhas poucas lembranças, tentando visualizar o sorriso encantador do meu pai, os seus cabelos escuros e olhos castanhos claros, e sua atitude tão altruísta e positiva sobre a vida.
Quando abri os olhos, notei a decoração que permanecia a mesma, mas notei a ausência, a dor e o vazio que ele deixou.
Tudo isso estava no ar, era palpável!
Fiquei parada admirando a foto do meu pai estampada na parede, o seu nome estava escrito em ouro.
Benjamin Ivanovich Petrov - fundador da Diamond Petrov das Américas.
Arranquei a minha máscara do rosto, tentei deixar as lágrimas presas dentro dos meus olhos e da minha alma, quando fui interrompida.
- Quem é você? você não deveria estar aqui. - ele disse segurando as minhas sandálias em suas mãos.
- Desculpe! estava entediada e resolvi explorar o prédio - eu menti na cara dura.
O homem fitou sem humor nenhum os meus pés descalços, deu um sorriso dos meus cínicos e disse:
- Creio que seja a dona deles... bem, eu pensei que fosse o único a estar entediado.
Me entregou a sandália, e chegou um pouco mais perto. Entrei no jogo, a última coisa de que eu precisava era ser descoberta.
- É incrível não é, como Nova Iorque é linda daqui do alto.
- Tem razão, as luzes parecem gotas de vários diamantes não é, brilham no contraste com a luz da lua.
O homem, direto demais, parou a observação para segurar o meu rosto em suas mãos... os olhos dele me encantaram e me tiravam do centro, e eu nem sabia o motivo disso. Era como fogo queimando dentro do meu coração.
- Quem é você...- ele perguntou, era quase como um segredo... sussurrou para mim.
- Eu que me pergunto quem é você. - Devolvi a pergunta.
Sorriu para mim, como se fosse absurda a minha pergunta, chegou mais e mais perto, tirou o meu cabelo do meu pescoço, respirou fundo me fazendo vibrar, eu não reagi por que estava sentindo um magnetismo que eu nunca senti em toda a minha vida, a sensação de quero mais não conseguia deixar o meu corpo.
E quando ele chegou perto suficiente para encostar o lábio no meu eu me entreguei.
E eu juro, que nunca fui beijada daquele modo.
O beijo foi longo o suficiente para arrancar o meu fôlego... insisti na pergunta - Quem é você?
- Sou Oliver... Oliver Malcovich.
Quando ele disse esse nome, eu pulei para trás, senti um soco no meu estômago e uma pressão forte na minha cabeça.
Corri o mais rápido que eu consegui, para longe dali com ele em meu encalço... escapei por muito... muito pouco!
Agradeci quando eu vi Iuri no meu canto de visão, não dava para explicar muita coisa... não ali!
- Onde você estava?
- Me leve pra casa agora - insisti e continuei correndo, segurando o braço dele para puxa-lo comigo.
- Porque Oliver Malcovich está correndo atrás de você?
Entramos no carro e o motorista arrancou o mais rápido que conseguiu a pedido de Iuri que me olhava curioso. Eu só consegui ver a imagem de Oliver de longe, e ela ia se desfazendo enquanto o carro se afastava... e eu senti o meu coração pular dentro do peito, e não por que ele era ele, mas por que o beijo dele me quebrou.
- Amélia por Deus o que houve?
_Eu estraguei tudo... estraguei tudo! - confidenciei o que já iria ficar claro logo logo.
O peso do que aconteceu, ficaria cravado em mim!