Capítulo 55

1050 Palavras
O relógio marcava pouco depois da meia-noite quando a ligação foi atendida. — Você demorou. — A voz de Lorel era baixa. Do outro lado, houve um breve silêncio antes da resposta surgir, arrastada, como se a pessoa tivesse acabado de acordar. — Eu não costumo atender ligações suas nesse horário… isso normalmente significa problema. — E significa mesmo. Lorel não perdeu tempo. Ele não era homem de rodeios — não quando algo o incomodava daquele jeito. — Preciso que levante tudo sobre um nome: Nerone Donati. Outro silêncio. Mais longo dessa vez. — Donati… — repetiu a voz, como se testasse o peso do sobrenome. — Isso pode ficar complicado. Ninguém em sá consciência tinha coragem de instigar os Donati, Dom Aurélio não gostava e quando encontrava a pessoa os seus métodos eram bem mais do que cruéis. — Ótimo. — Lorel se recostou na cadeira, os olhos fixos na fotografia sobre a mesa. — Significa que estou no caminho certo. Ele passou os dedos pela madeira, impaciente. — Quero tudo. Registros oficiais, extraoficiais… qualquer buraco que esse garoto tenha deixado no mundo. Família, histórico médico, nascimento, deslocamentos. E, principalmente… — sua voz caiu ainda mais — qualquer inconsistência. — Você suspeita de quê? Lorel demorou um segundo para responder. O seu olhar voltou para a imagem da jovem na piscina. — Eu suspeito que ele não seja quem diz ser. Do outro lado, ouviu-se um leve suspiro. Conhecia o amigo, e quando ele falava daquele jeito sabia que nado o faria mudar de ideia. — Isso não é exatamente raro no seu mundo, Lorel. — Não. — ele concordou, seco. — Mas isso aqui é diferente. Lorel não queria explicar as suas suspeitas. — Você tem quanto tempo? — Vinte e quatro horas para um relatório inicial. Depois disso, quero atualizações contínuas. — Isso vai custar caro. — Nunca foi sobre dinheiro. A ligação foi encerrada sem despedidas. Lorel deixou o telefone de lado lentamente, mantendo o olhar distante por alguns segundos. Então, levantou-se. A noite ainda estava longe de acabar. Horas depois, em outro ponto da cidade, a investigação já começava a ganhar forma. Uma sala escura, iluminada apenas por monitores. Linhas de código deslizavam pela tela, enquanto arquivos eram abertos, cruzados, desmontados. — Nerone Donati… — murmurou o homem diante do computador, ajustando os óculos. — Vamos ver quem você realmente é. Os primeiros registros surgiram rapidamente. Nome completo. Uma data de nascimento e registro. O garoto era uma figura do mundo do negócio, considerado um génio por ter uma fortuna tão grande ainda tão jovem. — Estranho… — ele inclinou a cabeça, clicando em outra aba. Nada fora do lugar. Nenhuma inconsistência, o garoto tinha a fixa mais limpa que ele já tinha visto, e aquilo o deixava desconfiado. Ninguém tinha uma ficha daquelas, e a de Nerone estava perfeita de mais. E isso, por si só, já era um problema. Os seus dedos começaram a se mover mais rápido Ele buscava dados que não deveriam estar acessíveis. Então ele o encontrou, os registros de atuação do garoto, seu registro escolar, o que lhe chama a atenção. — Hm… Ele abriu outro arquivo, cruzando os dados e as informações não batiam, havia uma lacuna de tempo que não tinha sido preenchida. A linha do tempo começou a se distorcer. Como se alguém tivesse… ajustado a realidade. — Agora estamos falando… — murmurou, com um leve sorriso. Ele puxou um banco de dados mais antigo, algo fora dos registros oficiais. Mais difícil de acessar. Os segundos se arrastaram enquanto o sistema carregava. Um arquivo parcialmente corrompido apareceu na tela, mas seu vislumbre tinha sido rapido de mais antes que seu computador fosse invadido por um vírus e travasse, ele apenas teve tempo de assionar o detonador antes que a pessoa que havia instalado o vírus descobrisse o seu ID. — Que diabos… O homem suspira frustrado com aquilo, era a primeira vez que ele não conseguia concluir uma busca o que levava ele a pensar em apenas alguém: Fênix. Eles eram os únicos que conseguiam proteger informações a um nível que ninguém mais conseguisse agora ele precisava torcer para não ter entrado no radar deles. Com um suspiro ele pega o seu telefone novamente. — Lorel… — murmurou. — Você não vai gostar disso. — Fale. — diz Lorel atentendo. Ele não tinha conseguido dormir após tudo o que tinha pensado. — Você mexeu em algo grande. Os olhos de Lorel se estreitaram. — Eu sei. — Ele já imaginava que não seria fácil pesquisar a origem de Nerone, ainda mais ele estando ligado a Fênix, e agora com A Toca. — Não… você não entendeu. — A voz do outro lado agora carregava tensão real. — Alguém está protegendo esses dados. Não é proteção comum. É… limpeza ativa. — A Fênix. — diz ele com um suspiro. — O que você encontrou? — Lorel perguntou. — Lacunas no nascimento. Registros perfeitos demais. E… — houve uma pausa — um arquivo escondido. — Nome. — Não consegui ver, o meu computador foi invadido por um vírus. — responde ele frustrado. — Preciso que continue, eu pago pelos danos nos seus equipamentos, mas preciso que continue. — insiste Lorel. — Olha, a única organização que conheço capaz de fazer um sistema desse é a Fênix, e se estamos tentando roubar um arquivo deles, vai ser causa perdida. — explica ele. Lorel sabia que se explicasse aquele assusto a Ricardo e pedisse ajuda a Fênix seria mais rápido, mas ele não queria ter que divulgar informações tão pessoais. — Não, ele não podem saber sobre isso. — diz frustrado. — Entendo, mas seria a melhor solução. Eles têm informações que jamais conseguiríamos. — insiste ele tentando fazer Lorel ver a vantagem naquilo. — Continue, faça o que puder para obter qualquer informação ligada a Nerone Donati. O homem suspira na linha, ele não queria acordar morto por ter se enfiado onde não devia. — Você sabe que tem o risco deles baterem na minha porta certo? E não desejo perder a cabeça. — Se isso acontecer pode dizer que foi um pedido meu, eu me entendo com eles. — Tudo bem Lorel, só espero que não se arrependa. — diz o homem com um suspiro. — Não vou.
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