Amália olhava para o conjunto de joias em suas mãos com os olhos arregalados. Ela podia perceber o quanto aquilo devia ter sido caro e não sabia se poderia aceitar um presente de tanto valor vindo de um completo estranho.
— Senhor, eu...
— Pode aceitar, Amália. O padrinho está apenas sendo gentil com você — diz Nerone ao notar a dúvida nos olhos dela.
— É apenas um agrado, querida. Não se preocupe com valores — diz Álvaro, desdenhando da caixa de joias milionária nas mãos de Amália. — Além disso, sei que Nerone lhe dará coisas bem mais caras no futuro.
Álvaro tinha um pequeno sorriso no rosto ao dizer aquilo. Ele percebia o instinto protetor de Nerone pela forma como ele segurava a cintura de Amália. Ele seria terrível — e, no mundo deles, isso era algo extremamente necessário.
— Não tenha dúvidas disso. Sei cuidar do que me pertence — diz Nerone, sério, encontrando os olhos aprovadores do padrinho.
Álvaro apenas assente e se afasta, deixando-os a sós. Ele podia ver que o seu afilhado seria um bom marido para a mulher ao seu lado; reconhecia, nos olhos dele, o mesmo amor que um dia nutrira por sua falecida esposa.
— Então esta é minha cunhada — diz Félix, aproximando-se. Mas, quando tenta abraçar Amália, Nerone se coloca à frente.
— Pode ser como um irmão para mim, mas não vai tocar nela — diz ele, em voz baixa, deixando bem claro o que aconteceria caso Félix ultrapassasse os limites.
— Não se preocupe, irmão. Eu não quero ser o próximo a ser abandonado no deserto — diz ele, piscando para Nerone ao se afastar.
— Do que ele está falando? — pergunta Amália.
— Não faço ideia — responde Nerone, dando de ombros.
Nerone pega o colar de ametista na caixa de joias e sorri com o brilho das pedras. Álvaro tinha sido certeiro ao escolher aquele conjunto. As pedras refletiam o fogo que Amália representava em sua vida.
Com cuidado, Nerone afasta o cabelo de Amália e coloca o colar em seu pescoço. Os seus dedos roçam levemente a pele dela, fazendo-a estremecer. Ele se inclina e, aproveitando o momento, deposita um beijo em seu pescoço antes de se afastar.
Amália estremece, o corpo se arrepiando com o toque de Nerone. Ela não podia negar a atração que sentia por ele — o quanto gostava de estar perto, de sentir o seu cheiro e o calor que a envolvia. Suspira, imaginando como seria estar em seus braços, sentir a suas mãos firmes e ásperas sobre o seu corpo.
— Amália.
A voz de Nerone a chama, tirando-a dos devaneios. Ela cora ao olhar para ele.
— Você está vermelha — diz ele, tocando a sua bochecha. — Está passando m*l?
As palavras dele a deixam ainda mais constrangida ao lembrar da cena que a sua mente havia criado.
— Eu estou bem — diz ela, afastando a mão dele.
Nerone se aproxima, pega a caixa das mãos de Amália e a entrega a um funcionário que passava. Em seguida, puxa-a pela cintura, pressionando-a contra si, o corpo dele se moldando ao dela.
— Você não vai me afastar, Amália — diz ele, olhando nos seus olhos arregalados.
Ela parecia uma corsa encurralada e, para Nerone, ele era o lobo que desejava devorá-la de todas as formas.
— Não pode fazer isso — diz ela, com os olhos arregalados. — Não aqui.
Um sorriso curva os lábios dele ao ouvir aquilo.
— Então vamos para outro lugar — diz ele, puxando-a.
— Preciso de uma sala privada — diz Nerone, parando um dos garçons.
— A segunda porta depois do corredor, senhor. Pode usá-la — responde o homem, afastando-se.
Os olhos de Amália se arregalavam a cada passo, presa a Nerone. O seu coração disparava ao pensar no que ele poderia fazer.
— Nerone! O que vai fazer? — pergunta ela, travando no caminho, recusando-se a acompanhá-lo.
Nerone a encara e sorri. A sua noiva gostava de provocá-lo, mas parecia se perder quando era ele quem a provocava.
— Vai descobrir assim que entrar naquela sala — diz ele, arqueando a sobrancelha.
Amália se livra do aperto dele e cruza os braços sobre o peito, recusando-se a ceder.
— Não vou. E, se tentar me levar à força, eu grito — diz ela, enfurecida.
— Não se preocupe, tenho várias formas de te fazer ficar quieta — diz ele, dando um passo em sua direção.
— Você...
Ela não termina a frase. Nerone a pega nos braços e a joga sobre os ombros enquanto ela esperneia.
— Nerone, seu homem das cavernas! Me coloca no chão! — grita, debatendo-se.
— Já que está me comparando a um homem das cavernas, talvez eu deva agir de acordo — responde ele, dando um tapa em sua b***a, arrancando um pequeno grito dos seus lábios.
Nerone caminha em direção ao corredor sob o olhar de todos, mas as pessoas ali eram inteligentes o suficiente para não se meterem em assuntos que não lhes diziam respeito. Ele entra na sala, fecha a porta atrás de si e gira a chave.
Coloca Amália no chão e encara os seus olhos em chamas.
— Como você se atreve! — diz ela, marchando até ele e erguendo a mão para lhe dar um tapa.
Nerone segura a mão dela, torcendo-a para trás, mantendo o olhar inexpressivo enquanto observa o pavor surgir nos olhos dela.
— Aprenda uma coisa, Amália: não se bate na cara de um homem — diz ele, em voz baixa e controlada, puxando-a mais para perto. — Eu não sou como os outros e não sou dominado por mulher nenhuma. Vou me casar com você porque te amo, mas esse amor não é motivo para você tentar me controlar.