O relógio marcava 21hrs. Armina limpava o balcão da cozinha de mármore de Leonor pela terceira vez naquele dia, bem depois do seu horário normal de saída. A mansão estava silenciosa, apenas o ruído abafado da música sertaneja que Leonor ouvia na sala de estar quebrava a quietude.
Nos últimos dois meses, desde que o divórcio se tornou realidade, o humor de Leonor se deteriorou drasticamente, e a casa refletia isso. A rotina de Armina havia se tornado um campo minado de humilhações sutis e exigências sem fim.
Leonor, sentada no sofá com um copo na mão, chamou Armina com impaciência:
— Armina! Não vou repetir. Pedi para você me trazer mais vinho. Vai me fazer esperar a noite toda?
Armina suspirou, largou o pano de prato e caminhou até a sala, mantendo a postura.
— Estou terminando a cozinha, Dona Leonor. Posso ir para o meu quarto, agora? — Falou lhe servindo mais vinho.
— Vá, vá. Mas não demore. E não pense em ir embora. Quero que você fique por perto. Caso eu precise de algo. — Disse a patroa m*l amada.
Armina saiu exausta. A intenção de Leonor era clara, mantê-la de sobreaviso, mesmo depois do fim do expediente, uma forma de controle que Armina já não suportava mais. Ela entrou no pequeno quarto que usava, pegou um pijama simples e foi para o banheiro. A água quente do banho era o único alívio que tinha tido o dia inteiro.
Quando Armina saiu do banheiro, já de pijama, o silêncio da casa havia sido quebrado por um barulho de gelo caindo na cozinha. Leonor não costumava ir até lá. Curiosa e, por reflexo, preocupada com a louça que Armina tinha acabado de guardar, ela caminhou cautelosamente pelo corredor.
Ao chegar à cozinha, Armina parou na entrada. Leonor estava de costas para ela, envolvida em uma longa e luxuosa camisola de seda vermelha, que contrastava dramaticamente com a palidez de sua pele e a luz forte da bancada. Ela estava concentrada, misturando algo em uma coqueteleira.
— Dona Leonor? Algum problema? — perguntou Armina em voz baixa e hesitante.
Leonor se virou, com a coqueteleira na mão e um sorriso lento e forçado no rosto, mas que não alcançava seus olhos inchados pelo cansaço e, pelo álcool.
— Armina. É você. Sabia que não tinha ido dormir ainda.
Armina se aproximou.
— Eu… Eu tinha acabado de sair do banho.
Leonor colocou a coqueteleira no balcão e encheu duas taças de coquetel com o líquido transparente e um pouco turvo. O aroma forte de vodca e limão preencheu o ar.
— Problema? Não, Armina. Só... solidão. —
Ela pegou uma das taças e ergueu, oferecendo-a à Armina.
— Venha. Sente-se. Não quero beber sozinha.
Armina olhou para a taça e para a camisola de seda vermelha. A cena era completamente incomum e carregada de uma tensão estranha.
— Dona Leonor, eu… eu agradeço, mas eu estou de serviço. E já é muito tarde. Eu preciso descansar.
O sorriso de Leonor sumiu. Seu tom ficou frio e autoritário, mas com um toque de súplica que fez Armina hesitar.
— Não seja boba, Armina. O serviço acabou quando eu disse que acabou. E eu estou dizendo agora que quero sua companhia. Não como empregada, mas… como uma pessoa.
— Afinal, você é a única pessoa nessa casa que me suporta há mais de cinco anos. Pegue a taça. É só um drink. Vodka. Vai te ajudar a dormir.
Leonor empurrou suavemente a taça de cristal na direção de Armina.
— Eu não sei, Dona Leonor. Eu não costumo beber. — disse Armina, pegando a taça, sem beber.
— Ah, claro. A Armina perfeita. Tudo bem. Hoje você não precisa ser a Armina perfeita. Hoje você pode ser minha confidente, se eu quiser.
Leonor deu um gole generoso em sua taça e encarou Armina, esperando sua reação. O silêncio na cozinha era pesado, preenchido apenas pelo ruído distante da música, a música suave que vinha da sala.
Armina, sentindo o calor e o peso da taça de cristal na mão, fez um movimento lento para não parecer desafiadora.
— Eu não… eu não estou confortável.
Leonor sorriu, um sorriso que era uma máscara de dor e desejjo. Ela pegou Armina pela mão e a puxou gentilmente, mas com firmeza, para a sala de estar, onde as almofadas de veludo estavam desalinhadas.
— Bobagem. Senta. Conversa. Não vou morder, Armina.
As duas se sentaram no sofá. Armina na ponta, tensa em seu pijama de algodão, Leonor afundada no estofado, a seda vermelha escorregando sensualmente pelas pernas. Leonor bebeu mais um gole do coquetel, com o gelo estalando no copo.
— Sabe, Armina. — começou Leonor, com a voz mais baixa.
— Ele me deixou. E a pior parte não é a conta bancária. É… essa sensação de inutilidade. Eu só queria... queria go zar. É pedir muito?
Armina sempre foi bi e todos sabiam, ela engoliu em seco. A honestidade crua de Leonor a atingiu. Ela sempre a vira como a patroa inatingível, nunca como uma mulher vulnerável.
— O problema é que eu não sinto nada. Nada desde que ele saiu. Me sinto seca, Armina. Seca e lisa. Aqui. — Leonor apontou um dedo para o tecido da camisola, bem na altura da virilha.
— Como uma boneca de porcelana.
Armina sentiu um calor percorrer seu próprio corpo. Ela sempre observara a beleza imponente de Leonor de longe. O corpo sarado e bem cuidado, o aroma de perfume caro. Sua voz saiu mais baixa do que o pretendido, quase um sussurro.
— Dona Leonor, a senhora não precisa de um homem para isso.
Leonor soltou uma gargalhada curta e amarga.
— Ah, a sabedoria das empregadas. Sempre sabem mais do que as patroas. Então me ensina, Armina. Me ensina a go zar sozinha. Porque eu estou morrendo de tédio e frustração aqui dentro.
Armina hesitou por um momento, mas a curiosidade e uma excitação crescente, alimentadas pela proximidade, pelo álcool e pela confissão íntima, superaram sua prudência. Ela colocou a taça de lado.
— A senhora precisa se conhecer. Tocar o corpo.
— Eu não sei por onde começar! — Leonor interrompeu, impaciente.
— Como? Na frente? Atrás?
Armina moveu a mão, demonstrando o que faria.
— A senhora pode começar tocando por fora, bem perto da testa. Devagar. Sentindo. Respirando fundo.
Leonor a observou com os olhos arregalados, como uma aluna. De repente, impulsionada pelo álcool e pela audácia, ela levantou a camisola vermelha de seda até a cintura, revelando a pele branca e sedosa de suas coxas e o tufo de pelos escuros e bem cuidados.
— Faz isso. Não estou sentindo nada. Mostra direto na minha buc eta, Armina. Anda. Mostra como é para uma mulher go zar de verdade.
Armina sentiu seu coração acelerar descontroladamente. A visão de Leonor, n ua da cintura para baixo, era intensa. Era a Leonor que ela sempre secretamente admirou, agora exposta e vulnerável. Armina rastejou no sofá, aproximando-se. Sua mão, que limpava e esfregava o chão e a louça, tremeu ao se aproximar da coxa de Leonor.
— Eu… eu vou mostrar.
Armina tocou a pele quente da coxa, subindo devagar. O cheiro de Leonor era gostoso, perfume, vodca e um toque sutil de feminilidade. Armina encontrou os lábios úmidos da bu ceta de Leonor.
Com a ponta dos dedos, começou um toque leve e circular.
— Precisa estar molhadinha, Dona Leonor. Não pode estar seca. — A voz de Armina estava baixa, irreconhecível.
Ela intensificou o toque, sentindo o c******s pequeno e sensível em seus dedos.
— Quero ver se o que estou fazendo está bom. Me diz se a senhora molha para mim.
O ar ficou denso na sala. Leonor suspirou, apertando os olhos, a cabeça jogada para trás no estofado. A seda vermelha parecia pulsar.
— Eu… Armina… Isso…
— Silêncio. Só respira e sente. — ordenou Armina, agora completamente exc itada e no controle.
— Quero ver se a senhora consegue esquecer o seu marido só com a minha mão.