Episódio 32

1313 Palavras

Pov Don Ernesto O silêncio que se seguiu ao fechar a porta atrás de Adrián foi mais ensurdecedor do que qualquer grito. Permaneço de pé no centro da sala de Natal, onde os enfeites brilhantes e as luzes quentes zombam da frieza que agora habita esta casa. Minhas mãos, entrelaçadas nas costas, não tremem. Não devem. Nunca tremem. À minha esquerda, Sofia Andrade desmorona no sofá de veludo vermelho, um espetáculo de lágrimas e soluços tão patético quanto previsível. O seu choro é agudo, estridente, a marca de uma mulher que nunca entendeu que a dor — como tudo o que é valioso — deve ser administrada em privado. — Ele gritou comigo! Geme, escondendo o rosto entre as mãos. — Ele me disse que acabou! Na frente de todos! Minha filha Elisa a abraça com uma compaixão quase teatral, lançando-m

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR