Pov Valeria O primeiro dia na agência foi um turbilhão, mas do bom. Os conceitos fluíam, as ideias acendiam-se na minha cabeça como fogos de artifício, e com a orientação paciente de Esteban e a camaradagem das minhas novas colegas, senti uma faísca que acreditava estar apagada. Este trabalho, esta independência, era meu. Só meu. E a hora de saída, mais cedo do que em outras áreas, era a cereja do bolo. Essa pequena vitória evaporou-se ao sair do prédio. Ali, estacionado com uma impudência que gelava o sangue, estava o carro preto. O mesmo homem de terno do outro dia desceu e veio na minha direção. Não, de novo não. Acelerei o passo, fingindo não vê-lo. — Senhora Montenegro. A sua voz era um eco sinistro. Tapei os ouvidos e continuei andando, com o coração batendo nas costelas. — Sen

