Dois meses depois… POV ADRIÁN — Fique quieto. Disse Valeria, com os dedos delicadamente concentrados na gola da minha camisa. Ela estava parada na minha frente, no nosso quarto, banhada pela luz do pôr do sol. Usava um daqueles vestidos soltos e esvoaçantes que havia adotado nas últimas semanas, um azul-claro que combinava com os seus olhos. O tecido drapeava sobre a barriga firme e redonda, onde nosso filho dava as suas últimas cambalhotas antes do grande dia. Segundo o médico, faltava uma semana, talvez menos. Cada momento perto dela era agora carregado de uma urgência silenciosa, uma vigilância instintiva que nem eu conseguia extinguir completamente. — Não estou me mexendo. Respondi, permanecendo o mais rígido possível, embora cada fibra do meu ser estivesse alerta à sua presença, a

