Assim que Dogan e Gani chega a sua casa de Istambul, encontram Özlem sentada aguardando por eles.
- Özlem? O que você faz aqui?
- Desculpe Sr. Dogan, eu disse que o senhor ainda não havia chegado.
- E eu disse que ia esperar assim mesmo. Agora xô Gizem. Eu mesma me acerto com Dogan.
- Com licença.
Özlem vai em direção a Dogan na intenção de abraçá-lo, mas ele se afasta.
- Não trate a empregada dessa maneira Özlem.
- Eu vou para o meu quarto. Fique a vontade.
Gani sai e Dogan se dirige até o bar de sua casa, onde prepara uma bebida.
- Quer uma?
- Não obrigada.
- Você não disse para o que veio.
- O que foi heim? Que cara é essa?
- Você sabe que eu não gosto, que ninguém venha a minha casa quando eu não estou.
- Pensei que te faria uma surpresa, mas pelo visto essa conversa do final de semana com seu pai lhe deixaram de bastante m*l humor. Falamo-nos em outra hora.
Dogan se arrepende da maneira grosseira, com que acabou de falar com Özlem e a segura pelo braço.
- Me desculpe, eu não quis ser grosseiro. Eu estou cansado é só isso.
- Tudo bem. Preciso ir mesmo. Depois nos falamos então?
- Outra hora quando eu tiver bem te ligo Özlem.
Sem mais palavras Özlem consente e sai deixando Dogan pensativo, que m*l percebe a chegada de Gani.
- Özlem já foi?
Dogan bebe de uma só vez seu wuíske e põe o copo em cima da mesa.
- Foi e eu pude sentir que terminar com ela não será fácil.
- Você gosta dela pelo menos Dogan?
- Gosto, mas não do jeito que você está pensando.
- Só na cama pelo jeito.
- Ela é bonita, tem um bom papo, é gostosa, mas não sou e nunca serei apaixonado por ela.
Mergulhadas em seus pensamentos e segurando o lápis sobre o desenho, Kiraz se vê mais uma vez pensando em Dogan.
O olhar penetrante que parecia ver sua alma, a boca deliciosa que havia beijado seus lábios, o toque suave de suas mãos em sua cintura, haviam aflorado sensações e desejos proibidos.
Era inacreditável a capacidade que aquele homem tinha de provocar em seu corpo tantos estímulos, Dogan agia como uma confiança que a desconcertava.
- O que houve irmã?
- Estava pensando como farei agora com o professor Akin?
- Você terá que se afastar dele Kiraz.
Em sua casa de pé olhando a chuva fina pela janela, Dogan nem percebe a presença de Gani.
- Ainda acordado irmão?
- Eu já ia dormir.
- Vim beber um pouco d'água. Tinha algo salgado naquela comida hoje.
- O que você achou do local onde as duas moram?
- É pra ser sincero? Simples demais, sem contar que é um pouco distante de tudo.
- Achei muito deserto o local. Perigo demais pras duas.
- Concordo plenamente.
Os dois últimos tempos pertencem ao professor Akin, que ao entrar na sala de aula direciona seus olhos na direção de Kiraz, que terminava de pintar seu desenho.
Após colocar seu material na mesa, Akin se dirige até a mesa de Kiraz que ao vê-lo, fica totalmente desconcertada.
- Desculpe professor, eu ia acabar ontem, mas cheguei cansada e acabei dormindo.
- Não tem problema Kiraz. O importante é que você fez.
- Aqui está professor Akin, terminei.
Akin analisa o trabalho de Kiraz e se surpreende com o detalhe da jóia desenhada.
- Foi você mesma quem escolheu as cores da jóia Kiraz?
- Sim professor. Resolvi fazer uma combinação nas cores azul turquesa, rosa, amarelo e roxo.
- Tenho que admitir que essas pedras todas reunidas nesse anel e colar, irão valorizar esse conjunto e o vendedor dessa peça completa, irá lucrar absurdamente. Parabéns pela perfeição do desenho Kiraz.
Kiraz sorri com o elogio de Akin a conclusão de seu trabalho e todos os alunos aplaudem.
- Obrigado por ter esperado eu concluir meu projeto professor.
- Eu quando vi você desenhando sabia que precisava de um pouco mais tempo para criar.
- Gosto de me concentrar no que estou fazendo, professor.
- Por isso resolvi esperar, pois sabia que dessa cabecinha sairia algo que me surpreenderia. Só posso te dizer uma coisa: Você e sua irmã estão no caminho certo.
Kiraz e Kerime sorriem felizes, pois ser um Designer de Jóias não é algo fácil, ter idéias para criação de modelos exclusivos, era só para grandes artistas e as irmãs estavam cada dia, mais próximas da perfeição.
Aquela era a aula mais dinâmica de todo o curso, era uma pena quando a campainha tocava, avisando que o tempo havia terminado.
As meninas guardam todos os seus pertencem, se despedem dos colegas de classe e se dirigem para saída.
O carro de Dogan estaciona ao mesmo tempo, em que o professor Akin segura, o braço de Kiraz impedindo sua saída.
- Kiraz.
- Sim professor.
- Quero te dar isso.
- O que é?
- Uma inscrição para participar de um concurso.
- Um concurso?
- Infelizmente eu não tenho dois Kerime, senão um também seria seu.
- Não tem problema professor.
-Recebi apenas um e escolhi sua irmã para representar a turma.
Kerime sorri e abraça Kiraz.
- Parabéns irmã.
- Aonde é professor?
- Em Nova York irmã. Olha aqui.
- Exatamente. O vencedor receberá o prêmio em Nova York e todos os alunos escolhidos terão uma passagem de ida e volta com estádia paga para poderem participar da exposição e escolha do vencedor. O prêmio é de $50 mil dólares.
- Uau... Se você ganhar todo esse dinheiro, poderemos abrir nosso próprio negócio, como sonhamos Kiraz.
- Meu pai não me deixará ir sozinha sem a minha irmã, professor.
- Você não irá sozinha, eu também irei mocinha e outros alunos de outras turmas também irão.
- Não sei...
- É uma grande oportunidade pra você irmã. Vamos convencer o nosso pai, a deixar você ir.
- Sei que você tem grandes chances de vencer Kiraz, não jogue ela fora.
Kiraz sorri olhando para o professor.
- Está bem, como faço a inscrição?
- Preencha esse papel e me entregue o mais rápido possível.
- Pode ser agora professor?
- Pode sim Kerime. Vamos lá dentro e você faz isso.
Dogan não entende o que tanto aquele homem falava com Kiraz e nem tão pouco, que papel era aquele que ele havia dado a ela.
Um ciúme que jamais havia sentido antes o consome, fazendo aguardar que Kiraz volte encostado no carro.