Katherine:
---- Que d***a,Dimitri! Sinceramente, eu pensei que você tivesse mudado! Mas eu me enganei. - Falei olhando nos olhos dele.
----- A Tamara é uma mentirosa, meu amor! Você vai acreditar nela, e acabar com esta fase tão maravilhoso que estamos tendo? - Tentou se explicar.
---- Eu não sei em quem acreditar! Não mesmo! - Bufei.
---- Acredita em mim, Kath! Eu te amo! E se tem alguma mulher no mundo, que eu quero que seja a mãe do meu filho este alguém é você! - Tentou me beijar, e eu virei o rosto.
---- Eu exijo o exame de DNA,Dimitri! E certamente, a Tamara também vai querer! - Fui firme no que disse.
--- DNA? Pra quê DNA? Não acredita na minha palavra? - Agora ele estava pálido.
---- Quem não deve, não teme,rapaz! - Que raiva! Ele estava tendo resistência ao exame!
----- Tá bom, eu faço! - Bufou.
----- O mais rápido possível, por favor! Ah,e não ouse em tentar falsificar esse exame! - Apontei o dedo para o rosto dela.
----- O que você pensa que eu sou, Katherine? - Pareceu irritado.
----- Eu não tenho mais adjetivos que possam te definir,Dimitri! Você destruiu tudo de bom, que nós estávamos começando á construir! - Uma lágrima sincera caiu de meus olhos.
---- Ok, mas vamos tentar esquecer esse assunto até que o exame seja realizado,e curtir um cineminha, com direito á muitos beijinhos? - Convidou, e eu olhei para ele com uma cara tipo , "what?".
----- Um tsunami se instaurou no meio do nosso relacionamento, e você tem a cara de p*u, de me chamar pro cinema? Dá licença, né? Enquanto eu não souber do resultado desse exame, você não toca em nenhum fio de cabelo meu, tá ouvindo? Nenhum! - O empurrei,e fui embora furiosa.
1 mês e meio depois...
Por quê sofrer tanto, por um cara que não vale a pena? Foi difícil esperar pelo resultado do tal exame, mas tive que esperar! E nessa espera, eu tive que me distanciar de Dimitri o máximo que pude!
Para mim, era muito dolorida a sensação de ter alimentado novas esperanças com ele, e novamente, ter quebrado a cara.
Estava marcada uma reunião no apartamento dele ás 16:00 horas para eu, Dimitri, e a tal Tamara, abrirmos o envelope do exame, e vermos o resultado que me tirou tantas noites de sono.
Ás 16:00 horas em ponto, eu estava no apartamento do meu "quase ex barbudão" com a maior cara de tacho, olhando para ele, e com uma vontade descomunal de arrancar o objeto s****l dele,e jogar para os porcos. Espera! Que porcos?! Não interessa!
Alguns minutos depois, Tamara chega com uma expressão abatida, e a sua magreza era visível. A barriga também estava visível, mas ela não parecia uma grávida saudável.
Ela entrou, nos sentamos os três no sofá, e eu tomei a iniciativa de abrir o envelope.
E a tensão claro, se instaurava por cada canto daquela sala.
---- Eu.. não..não.. acredito! Deu positivo! Você é o pai desse bebê que ela está esperando? - Não consegui me controlar, e as lágrimas insistiram em invadir o meu rosto de forma desordenada.
Tamara também chorava, e Dimitri ficou paralisado,com uma cara sem definição.
----- Ela falsificou esse exame, meu amor! Olha para ela! Ela é falsa! Admite que você falsificou esse exame, sua doente, admite! - Ele chacoalhava a moça a segurando pelos braços.
---- Deixa ela, Dimitri! Quanta falta de sensibilidade! Olha as condições dela! Pensa no teu filho! - Gritei.
----- Eu não tenho filho nenhum, com essa daí! Eu já falei! - Ele estava em estado de fúria.
----- Escuta aqui! Se deu positivo, você não pode simplesmente ignorar isso! E mesmo que não case com ela, você vai ter que dar tudo que essa criança precisar! Tudo! Essa criança não tem culpa da sua irresponsabilidade! - Falei, e agora Dimitri chorava.
----- Eu odeio essa criança! - Deu um empurrão em Tamara, ela caiu no chão, e quando levantou-se, deu um t**a sonoro no rosto dele.
Vendo que aquilo poderia tomar outro rumo, eu a levei até em casa no meu carro, e depois voltei para dar um fim na minha história com o Dimitri.
----- Não faz assim, Katherine! - Ela soluçava de tanto chorar.
----- Acabou! Não insista! Você me traiu pela segunda vez, e eu não admito! Ah, e eu quero a demissão da empresa! Não quero mais te ver na minha frente! E não me persiga! Ou, vou ter que chamar a polícia! - Eu estava sentindo um mix de sentimentos.
---- Não, Kathe! É tudo mentira dela! Eu te imploro,não me deixa! - Ele começou á beijar os meus pés.
----- Siga a sua vida, que eu seguirei a minha. Passar bem! - Fui embora com a certeza, de que ao menos eu tentei, mas não que era pra ser!
Katherine:
---- Dimitri, não insista! Eu não vou mudar de opinião! - Aquele joguinho de gato e rato já estava me enchendo o saco.
----- Você não pode desistir de nós assim! E o pior, vai pedir demissão da empresa? De quê você vai viver? - Ele parecia está em choque.
----- Eu sou uma boa arquiteta, e conseguir um novo emprego, não vai ser impossível. Ah, e não se preocupe! Minha amiga jamais me deixaria passar fome! Agora, me deixa em paz! - Aquilo estava me tirando do sério.
------ Por favor, Kath! Não seja imatura! A Tamara está mentindo o tempo todo.
----- Escuta aqui, Dimitri! O que eu preciso fazer para você me deixar em paz? Ver se me erra! Eu não te quero mais! É tão difícil assim, entender isso? - Gritei.
----- Eu não aceito! Isso não vai ficar assim! Não vai! - Saí, e deixei ele falando sozinho.
Passei no rh da empresa, peguei os meus direitos, e fui para a clínica do vistoso Dr. Adrian Marcelo. Quando cheguei lá, não havia ninguém, então eu pude entrar sem ter que marcar um horário,ou enfrentar uma fila enorme.
----- Atrapalho? - Perguntei.
----- Katherine! Claro que não, entre! - Ele sorriu misterioso como sempre.
----- Acabou! Decidi cortar o mau pela raíz de uma só vez! - Bufei, me deitando no divã.
----- Como assim? - Ele perguntou.
----- O Dimitri destruiu tudo novamente, e desta vez eu não mudo mais de opinião! Acredita, que ele engravidou a v***a da secretária dele? - Respirei fundo.
----- Hum, e como se sente? Vai ficar sofrendo pelos cantos? - Perguntou, sempre de cabeça baixa e fazendo anotações,com uma prancheta em mãos.
----- Eu sinto uma sensação de dever cumprido sabe? Aquela sensação de que ao menos eu tentei. - Fui sincera.
----- E o quê mais? - Desta vez ele me encarou enigmático.
----- Eu quero seguir a minha vida, sem ficar sofrendo,e tentar aproveitar todo o tempo que perdi investindo em um cafajeste sem ficha. - Eu estava me sentindo uma i****a.
----- Pensar desta forma, te ajudará bastante! Você vai poder seguir um novo rumo facilmente,e isso é muito bom! Não é mesmo?! - Sorriu.
----- Claro! Eu sinto uma sensação de liberdade, sabe? Acho que preciso viajar, respirar um ar puro! Ainda mais agora, que pedi demissão da empresa , para cortar qualquer tipo de aproximação do Dimitri. - Relaxei.
----- Você fez bem. Parabéns! Você está tendo atitude de uma mulher de fibra! - Deu-me um aperto de mão.
----- Não só fibra! Mais proteínas, carboidratos, minerais, e tudo de comestível que existir no mundo! - Dei um sorriso travesso.
----- Eu não falei nesse sentido, mas.. - Gargalhou.
----- Ooh! Arranquei um sorriso desse rosto sério, e imponente! - Puxei as bochechas dele sem nem perceber a besteira que estava fazendo.
Ele ficou tímido, e levantou-se sem graça indo em direção á janela da clínica.
---- Desculpas, não quis te constranger. - Corei de imediato.
----- É que eu não tive tão próximo de uma mulher.. - Ele estava suando.
----- Pára o mundo,que eu quero descer! Você é virgem? Meu Deus! - Caí no sofá boquiaberta.
----- Não, não é isso! - Tentou se explicar.
---- Você é gay? Que desperdício, Senhor! - Enlouqueci com a idéia.
---- Espera! - Ele me segurou pelos ombros, e eu pude sentir a força que aqueles braços torneados tinham.
----- Xiii.. - Fez lentamente, conseguindo me deixar em silêncio.
----- Eu não sou gay, nem virgem..- Falou baixinho.
----- E o que você é então? - Aquele cheiro másculo, estava me deixando embriagada.
----- Eu sou,sou, sou o seu analista, e só! Não posso falar da minha vida pessoal com os meus pacientes! O que eu sou, não te diz respeito! - Ele pareceu nervoso.
----- Nossa, tudo bem então. Vou indo! Obrigada pela atenção. - Fiquei tão sem graça, que fui embora igual á um cachorrinho, com o meu rabinho entre as pernas.
Adrian Marcelo:
Burro, burro, burro! Por quê descontar a minha frustração na Katherine? Em algum momento, todos os meus pacientes irão ficar sabendo que eu causei a morte da minha esposa e do meu filho,mesmo que de forma acidental.
Já fazia algum tempo que eu não havia a visto mais, e quando ela volta para dizer que o relacionamento não deu certo, mas que ela está bem, eu estrago tudo?! Mas,com razão! Aquela garota é um pouco louca, e falar do meu passado, me afeta de maneira muito intensa.
Após fechar a clínica ás 18:00 horas, fui pra casa tomar o meu rotineiro conhaque, fumar um pouco, e tirar um cochilo.
Acordei angustiado, e me perguntando até quando eu vou viver desse jeito me culpando, me martirizando, e me sentindo o pior homem desse mundo.
Recebi uma ligação de um amigo me chamando para ir para uma balada, e eu aceitei,pelo simples fato de querer me divertir um pouco,ao menos uma vez na vida.
Assim que cheguei na boate com o Felipe, vi Katherine toda solta,dançando com a Malu,e bebendo vários drinks.
---- Uau! Que ruivinha linda, hein? E pelo visto, você também achou não é? - Felipe perguntou rindo,vendo a minha cara de bobo olhando para Katherine.
Sentei-me á uma mesa com ele, ficamos bebendo um pouco, conversando, até que Felipe sai da mesa de finhinho, e quando percebo.. Ele está falando coisas no ouvido da Malu, e os dois estão quase se beijando.
Faço de conta que nada está acontecendo, e fico curtindo o ambiente, mas sem tirar o olho daquela ruiva espoletada.
Aquelas pequenas sardas espalhadas pelo seu rosto, e aqueles olhos angelicais,demonstravam inocência, aquela pele branca me passava uma sensibilidade única, e aqueles cabelos tão vermelhos quanto o fogo me remetiam á sensualidade, á intensidade.
Fiquei a observando de longe sem ter coragem de chegar, e dar um "oi". Até, que percebo que três caras se aproximam dela, e um passou a mão por baixo da saia dela,a fazendo ficar indignada e indo em cima dos homens, que tentam á qualquer custo, tirar algum proveito de seu corpo perfeitamente desenhado.
Uma ira paranormal invadiu o meu ser, o meu sangue ferveu, e eu me levantei da mesa irado, e bati naqueles caras o mais que eu pude.
Quando Felipe viu a movimentação diferente,também foi me ajudar, e o tumulto na boate foi geral!
Katherine estava assustada e chorando muito, então a polícia foi chamada, fomos todos para a delegacia, ela prestou queixa, e depois a levei no meu apartamento, para que ela pudesse se acalmar.
Katherine:
Meu Deus! Eu estou sonhando, ou ficando definitivamente louca? Eu estava no apartamento do meu analista,e assim que entramos, eu escorreguei em um brinquedo de criança, e a minha "abundância" foi ao chão, me fazendo gargalhar.
Eu estava bêbada, fui assediada, armei o maior barraco, fui defendida pelo meu analista sem barba, e ainda fui parar na delegacia chorando,e depois, simplesmente estou na casa do Adrian, com a maior cara de Amélia.
---- Quer uma água? - Perguntou sem acender muitas luzes do apartamento.
----- Tudo que eu quero,é esquecer o dia, e a noite de hoje. Vou pra casa! Não sei o que estou fazendo aqui. - Tentei ir embora, mas ele me impediu.
----- Melhor não! A sua amiga foi pra casa do Felipe, e é melhor que você fique por aqui mesmo. Está tarde, e está frio.. - Ele falou.
---- Tudo bem. - Me sentei no sofá envergonhada.
----- Quer alguma coisa? - Perguntou.
---- Não, obrigada. - Respondi me deitando naquele sofá que parecia mais, uma cama.
E depois daquele momento, só lembro que Adrian pôs uma coberta quentinha sobre mim, e eu dormi como um anjinho.
No dia Seguinte..
O sol invadia toda a sala dando aquela iluminação natural maravilhosa, e eu acordei desnorteada.
--- Acho que jogaram pimenta em meus olhos, só pode! - Falei me espreguiçando, e levantei - me totalmente relaxada.
Eu estava apaixonada por aquele sofá! Como pude dormir tão bem em um sofá? Não interessava, fui á procura de um banheiro,e quando abri a primeira porta daquele apartamento imenso..
Me deparei com um quarto de criança. De menino, especificamente. Lindo, decorado em azul, amarelo, e com brinquedos espalhados por toda parte. Na parede, um banner com a foto de um menhinhinho lindo.
Fechei a porta baqueada, e quando abri a segunda porta, me deparei com um quarto de casal, e com um banner que tomava uma parede inteira com a foto de Adrian, e uma mulher muito bonita por sinal! Cabelos longos negros, pele branca, e com olhos cor de mel. E os dois usavam aliança!
---- s****o! Ele é casado, e me trouxe aqui? Que i*****l! - Resmungo, e encontro o banheiro no final do corredor.
Lá dentro, fiz um bochecho com enxaguante bucal, dei uma arrumada no cabelo, removi a maquiagem,tomei um banho,e troquei de roupas, já que quando vou para a balada, sempre levo uma roupa reserva,em caso de imprevistos.
Quando saí do banheiro, continuei á explorar a casa, e encontrei uma mini biblioteca ali. Muitos livros sobre comportamento,psicologia, psicanálise, psiquiatria,e um gênero em especial que me chamou muita atenção: Espiritismo! Quando peguei um dos livros com o tema: A linguagem dos espíritos, Adrian entrou de uma vez,me fazendo cair para trás com a mão no peito, com tamanho susto.
----- O que quer aqui? Por quê está mexendo nas minhas coisas? Eu não te dei permissão! - Me puxou pelo braço, me fazendo sair dali.
---- Que grosso, eu não estava mexendo em nada! - Reclamei.
---- Estava sim, e eu não te dei permissão para ficar rondando a minha casa! - Ele estava bravo.
----- Sua mulher sabe que você me trouxe pra cá? - O encarei, e ele ficou paralisado.
----- Responde, Adrian! Ela sabe? - Insisti, e ele me pôs para fora da casa dele sem nada dizer.
Mas que loucura,é essa? Por quê ele foi tão grosso dessa maneira comigo?
Fui pra casa em frangalhos, e me isolei durante todo o restante do dia.
Por quê tantos mistérios? Ele só podia ser mais um cafajeste! É óbvio! Ele engana aquela pobre moça, e fica dando uma de cara sério, e blá blá blá.
Adrian Marcelo:
Merda! Mas que idéia de jerico trazer Katherine para o meu apartamento! Ela acabou vendo tudo, e me deixando nervoso ao me perguntar coisas sobre a Irma.
Esse assunto me desestabiliza por inteiro, e eu não consigo sequer, dizer o nome do meu filho. Eu não sei por quê, mas toda vez que eu pronunciava o nome dele, a minha dor, e a culpa que eu sentia,só aumentavam.
Eu não me sinto preparado para contar isso para ninguém! Na verdade, eu não consigo! É como se eu revivesse todo aquele pesadelo novamente.