~~~~~ Cobra narrando: ~~~~~~
Era sexta a tarde, tava na biqueira com meus aliados, duas minas rebolando pra nós. Levantei do sofá e desliguei o som.
Fred: Qual foi irmão ? - Perguntou indignado.
Cobra: Vamo curtir uma praia !
Caroço: Tá maluco fiote, cê sabe que não podemos descer o morro.
Cobra: Da teus pulo muleque, quero curtir uma praia.
Uma das vadias veio se encostar em mim.
Cobra: Não encosta c*****o, mete o pé daqui logo, tá fazendo hora extra já.
Nat: Para com isso Luan, vamos lá pra dentro amorzinho.
Dei um passo a frente e fiquei cara a cara com ela, segurei seu maxilar com força e cerrei os olhos. Vi em seu rosto a expressão de dor e seus olhos ficarem marejados.
Cobra: Quando foi que eu te dei i********e pra tu me chamar pelo meu nome ? Me respeita sua vad!azinha e vaza daqui logo antes que eu te quebre na p*****a. - Empurrei o rosto dela pra trás.
Se tem uma coisa que eu odeio é que me chamem pelo meu nome, me trás altas lembranças que eu prefiro deixar no passado. As duas meninas saíram de lá quase correndo.
Fred: Eu ia comer a mina mano.
Cobra: Essas aí só queria drog.a, valoriza teu p*u irmão. - Revirei os olhos.
Caroço: Já tô vendo aqui com os seguranças uma área limpa pra nós.
Cobra: Já é.
Comigo é assim, eu dou uma ordem e todos obedecem. Sou o rei disso tudo, essa favela é tudo de mais precioso na minha vida.
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~~~~~~ Malu narrando: ~~~~~~~
Estava na sala vendo umas faculdades na internet, quando ouço a Letícia me chamando no portão.
Letícia: Bora pra praia mana.
Malu: Com quem ?
Letícia: Uns amigos meu vão.
Malu: Tá, vou me trocar. Entra aí.
Ela entrou e eu fui para o quarto. Peguei um Biquíne e um vestido. Corri pro banheiro e coloquei. Deixei meus cabelos soltos e coloquei um ósculos de sol.
Letícia: Os meninos estão aí fora esperando, vamos ?
Malu: Vamos.
Fechei a porta e coloquei a chave no vaso de plantas ao lado. Me virei e vi dois rapazes em cima de suas motos. Letícia estava ao lado de um branquinho, com algumas tatuagens, porte físico atlético e um sorriso bem bonito.
Letícia: Amiga esse aqui é o Gustavo. - Ele me olhou.
Malu: Prazer, Maria Luísa. - Sorri e ele retribuiu.
Letícia: E esse n***o é o Matheus. - Eu estava do lado dele e ele estendeu a mão.
Malu: Prazer.
Letícia: Agora vamos né.
Subi na moto do Matheus e fomos para a praia. Quando chegamos não tinha muitas pessoas. Estendi uma toalha no chão, tirei o vestido, mostrando o meu corpo, e em seguida deitei pra pegar um bronze. Os meninos sentaram ao meu lado.
Gustavo: Tu morava em Minas, né ?! - Me olhou.
Malu: Sim, mas como cê sabe ?
Gustavo,: A bocuda aí falou. - Olhou pra Let.
Letícia: Não sou bocuda.
Próximo a nós tinham uns caras bebendo, a Letícia disse que eram do alemão, mas não reconheci nenhum. Depois de anos fora é meio difícil reconhecer as pessoas.
Letícia: Claro que você não os reconhece, são os meninos do movimento.
Malu: Eu vou pegar uma cerveja, vocês querem ? - Levantei.
Assim que levantei ouvi gritinhos e olhei pro lado, aqueles garotos estavam tentando me cantar e chamar minha atenção.
Letícia: Chamando atenção dos bandidos, tá uma Bibi perigosa em. - Riu.
Malu: Deus me livre, quero papo com esse tipo de gente não.
Letícia: Ae Fred essa aqui é diferente das mina que cês pegam. - Gritou pra um dos meninos.
Gustavo: Eu vou querer uma cerveja.
Malu: Certo.
Eu fui caminhando até uma barraca, pra comprar a cerveja. Fiquei encostada no balcão, e um rapaz moreno ficou do meu lado, olhando o cardápio.
Foi impossível não olhar, ele era um gato. Usava apenas um shortinho fino e uma Juliete na cara, magrinho com músculos definidos, uma barriga tanquinho impecável. Cabelo ralo, platinado, varias tatuagens por seu corpo, e uma boca carnuda. Vários cordões em seu pescoço, e um brinco na orelha direita. Ele me lembrava tanto alguém, tentei puxar em minha memória, mas não conseguia lembrar.
Ele me olhou dos pés a cabeça quando percebeu que eu não tirava os olhos dele, e então falou ...
Xxx: Qual foi fia, virei espelho ? - Falou grosso.
Malu: Desculpa. - Voltei o olhar para o cardápio.
Um rapaz se aproximou e ele então abriu a boca novamente pra fazer seu pedido, sua voz rouca me causava arrepios de medo.
Xxx: Vou querer esse camarão empanado.
Garçom: Sim senhor, já iremos preparar.
Xxx: Valeu.
Garçom: Olá, você gostaria de alguma coisa moça ?
Malu: Uma cerveja e uma caipirinha, por favor.
Xxx: Esse sol do Rio combina com uma cervejinha.
Garçom: Aguardem só um minuto.
Malu: Com certeza, porém eu que escolho o que beber.
O garçom voltou e entregou minha caipirinha e a cerveja, e eu me virei pra sair.
Antes que eu me afastasse ouvi aquele garoto me chamar.
Xxx: Ei moça.
Malu: Oi ?
Xxx: Sua carteira.
Malu: Sou muito esquecida, obrigada.
Xxx: E muito chata também.
Malu: Ainda bem que achou, pensei que eu teria que ser mais grossa pra conseguir fazer você me intitular como chata. Missão cumprida então. - fiz continência em sinal de deboche.
Xxx: Qual é teu nome novinha ?
Malu: Luísa, e o teu ?
Xxx: Pode me chamar de amor da sua cama. - Puxou minha mão e a beijou suavemente. Um galanteador clássico.
Malu: Que otári* viu.
Virei e sai andando.
Voltei e passei o resto da tarde dando boas gargalhadas com a Letícia e os meninos.
Na volta pra favela, vi minha mãe subindo a ladeira com umas sacolas e pedi pro Matheus me deixar ali mesmo, pois ajudaria a minha mãe a levar as coisas para casa.
Malu: Mãe. - gritei.
Helena: Oi minha bonequinha.
Malu: Eu te ajudo. - Peguei as sacolas da mão dela.
Helena: Você estava aonde ?
Malu: Na praia.
Helena: Que bom que está se divertindo.
Já em casa depois de um belo banho, deitei em minha cama e fiquei observando o céu ali mesmo da minha janela. Lembrei do garoto da praia, cara super irritante, egocêntrico e arrogante, espero nunca mais esbarrar com ele.