CAPÍTULO 4 O Sussurro

640 Palavras
O Sussurro Narrado por Caroline Aquele grito não me sai da cabeça, parecia ali tão perto de nós. E era assustador. A calma do Cassius também foi estranha. Enquanto estou aqui embrenhada nos meus pensamentos, vejo uma sombra a passar no lado de fora da minha varanda. Levanto-me bruscamente e dou uma corrida até à varanda, abrindo as janelas de par em par. — Quem está aí? — pergunto alto. Mas ninguém me responde. Uma brisa passa pelo meu rosto e sinto o cheiro do perfume amadeirado com canela. Fecho os olhos por momentos e sinto um prazer descontrolado a percorrer o meu ser, chego a sentir o meu sangue borbulhar. Ouço um estalito e abro os olhos rapidamente, mas não vejo nada nem ninguém, tudo está calmo, calmo demais. Não ouço nenhum barulho característico da rua, nada. Nem os grilos se ouvem, estão anormalmente silenciosos. Que merda mais estranha é esta? Volto para dentro e fecho tudo. Ao chegar perto da minha cama o meu telemóvel toca, o que me faz dar um pulo de susto. — Merda! — praguejo, tentando respirar. Vejo que é a minha amiga Íris e sorrio. — Fala doida! — digo ao atender. — Como foi aquela festa de granfino? — ela pergunta divertida. — Não entendo porque não foste. — Eu? Sabes que eu não gosto daquelas festas fatelas, cheias de granfinos metidos à b***a. — É, eu sei do que tu gostas. Ela ri. Íris é minha amiga desde sempre, de toda a vida. Ela e o meu irmão têm uma paixão um pelo o outro, e de vez em quando ficam juntos, mas não assumem nada. Ela vive a um quarteirão de mim, com a sua mãe. O pai era um bom homem que desapareceu da noite para o dia, como se a terra o tivesse engolido. Isso foi há sete anos atrás, nunca ninguém falou muito do caso e mesmo a Íris não fala desse assunto. Eu claro que não puxo a conversa, porque sei o quanto ela se sente desconfortável. — Este fim de semana bem que podíamos sair um pouco. — Sim claro, podemos combinar qualquer coisa. — Mas vou já avisando que é uma saída só nós duas. — ela avisa. Íris também não gosta do Cassius, não sei se é por irmandade ao meu irmão ou outra coisa, não sei, quando lhe pergunto, ela dá sempre desculpas vagas. — Ok, já sei. — eu digo rindo. Nos despedimos. Eu tento finalmente dormir, mas não consigo. Levanto-me e vou de novo à varanda, e o silêncio continua. A minha casa é uma casa enorme, tem passado de geração em geração, tem sido melhorada conforme os anos passam, é moderna e eu adoro morar aqui. Pode-se dizer que é uma mansão e fica no topo do bairro, no ponto mais alto. Onde fica a janela do meu quarto, no segundo andar da casa, em frente tem uma imensidão de floresta, não tem casas deste lado, só e apenas a grande e sombria floresta. Sim, de noite tenho medo dela, não sei porquê, mas ela me mete medo. Olho com mais atenção lá para o fundo, ainda era bem longe, mas parece-me ver uma luz, talvez uma fogueira. Mas que merda estariam ali a fazer? Pessoas ditas normais, não iriam para ali tão longe fazer uma fogueira e ficarem ali na mera cavaqueira. Passa uma brisa fresca por mim e ouço um sussurro, como se fosse o vento que trouxesse a voz. — Ambarrrrrr, colarrrrr! Que caraleu que p***a é esta??? Parece-me ouvir mais qualquer coisa, mas não consigo perceber. — mbarrrrr, colarrrrr, segredos, encontra-o! A luz ou a fogueira lá ao fundo parece maior e com mais brilho. Mas que p***a do d***o é esta? Volto para dentro e volto a fechar tudo. Devo estar a imaginar coisas.
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