VI

1270 Palavras
O leilão era basicamente um circo de horrores. As garotas eram de alguma forma levadas até lá, e eles as passavam por preços exorbitantes, uma boa porcentagem desse dinheiro era destinada a Matheo, e era ele quem dava o lance inicial e final. Era uma tortura para Jamile ver uma após outra sendo tirada daquele palco, e lavada á um rico pervertido. Já tinha ido metade das garotas. Jamile sentia o bolo na garganta cada vez que um homem pegava alguma garota pela cintura e ela ia como uma boneca. Algumas vezes ele sentavam as moças no colo e faziam coisas nojentas, lá mesmo, na frente de todos. Era um verdadeiro circo de horrores. Jamile estava tão nauseada daquilo tudo, que deu um bom passo para trás, e quase caiu em cima de uma moça, e notou pela primeira vez no rosto dela. Era ruiva, de cabelos cacheados e olhos verdes. Também era nova de mais. A menina tremia muito, pelo jeito não estava tão drogada quanto as outras. Elas se olharam por um bom tempo, até que Jamile agarrou no braço da menina e chegou até o ouvido de Matheo. — Senhor me desculpe, mas ela está passando mal Matheo não a olhou, mas afirmou com a cabeça, ela teria poucos minutos para fazer a menina correr dali, e por sorte avisar a polícia de todo aquele horror. Jamile pegou firme na mão da menina e chegou até o banheiro, fechou a porta e virou a chave — Tá legal. – Ela disse. — Foge daqui o mais rápido possível. — Mas eu... Não tenho para onde ir. – A menina retrucou. — Quantos anos você tem? – Ela quis saber. — Dezoito. — Garota por tudo o que já amou nessa vida. Foge. Você vai ter um tempo para sair pelo fundo. E tenta dar o fora daqui. A garota estava assustada, com olhos arregalados, mas seguiu Jamile para fora do banheiro e tomou o rumo dos fundos. Porém uma coisa chamou a atenção da menina e ela voltou. Ela era a última agora, e alguns homens usavam drogas abertamente, ou davam drogas para as meninas que haviam comprado. Matheo era uma pedra, sem expressão. E estava esperando por ela. A menina voltou, passou na frente de Jamile e assim que ficou ali sozinha, um homem a comprou. Então era assim, no fundo só se importavam com drogas, e dinheiro, nem percebiam mais a presença dos homens sujos e tão drogados quanto elas. Matheo estendeu o braço e juntos foram até a multidão. Fique calada, ela pensou e mentalizou que logo aquilo tudo ia acabar. Matheo a levava como um objeto, ela não falava nada e tinha que sorrir para cada pessoas que se colocasse na frente deles. Até que dois homens morenos foram ao encontro deles. — Chefe. – O mais baixo se adiantou. — Espero que seu pai tenha te falado sobre nosso interesse na coelhinha. Coelhinha? Jamile olhou para Matheo e para os dois homens na frente dele. — Agradeço muito senhores, mas ela foi presente. – Ele respondeu. — Um presente e tanto.– Os dois idiotas riram. — Mas ela não tem valor não é? E além do mais é um acerto de dívida de drogas. E você sabe que vocês vendem as coelhinhas e nós a droga. Matheo era tão frio e manipulador que Jamile duvidou que seria o mesmo com quem ela conviveu na última semana. — Eu disse que ela não é peça do leilão senhores. Se vocês já fizeram seus acordos aqui, e já fizeram sua colheita, então está na hora de ir. Ele encarou os dois homens com tanto ódio que Jamile teve medo, por eles. — Bom. Se é assim.... A conversa não tinha acabado ali. Os dois homens ficaram sentados no sofá enorme despindo Jamile com os olhos. Um a um os convidados do circo de horrores foram saindo, e os dois irmãos Jaime e Leôncio ficaram. Matheo havia sumido, não estava em canto algum. Ela estava ficando com medo, porque agora não tinha mais dois, lado a lado, o mais velho havia sumido. Restando só ela o homem, e poucos empregados limpando tudo na maior naturalidade. — Boa noite senhor. – Ela ignorou o silêncio do homem e praticamente correu para a escada , tropeçando nos degraus.. Passou pelo corredor vazio, entrou no quarto e bateu a porta atrás de si. — Pensei que dormia com ele. Ela deu um grito. Tinha alguém no quarto. — Bruno? – Jamile percorreu os dedos na parede para acender a luz. — Bruno? Você é coelhinha de dois? O dono da voz a jogou em cima da cama e com violência rasgou o vestido, deixando ela com os s***s expostos. — Se gritar. – O velho asqueroso passou a arma no bico do seio dela. — Eu te mato. Sabe coelhinha, já que você não vai ser minha, eu te uso e deixo para o poderoso chefão de merda. Jamile ouviu apavorada o velho abrir o cinto, baixar o zíper da calça e o cheiro azedo do m****o que ele já devia ter usado durante o leilão. Jamile tremia tanto a ponto de bater as pernas. O homem afastou as pernas dela, se aproximou e lambeu seu rosto com a língua pegajosa. Antes que ele pudesse entrar nela, a porta abriu de uma vez, houve um baque muito forte, e o velho tombou para o lado. O cheiro de sangue encheu o nariz dela, Jamile sentou na cama e se não fosse enfermeira teria vomitado. Enojada. — Filho da p**a. – Matheo estava usando uma barra de ferro. — Ele te usou? — Me usou? Eu sou algum objeto? Como aquelas garotas mais cedo? É isso? Uma coelhinha? Eu nem sei o que é isso.. — Coelhinha são a garotas vendidas nos leilões. — Ele acendeu a luz e empurrou o velho de barriga para cima. Ainda não estava morto; — É isso que eu sou? Um objeto que você vai usar e colocar a venda mais tarde? – Ela sentia tanta raiva agora. — Isso tudo foi sua culpa, se você não tivesse tentado fazer aquela drogada fugir, eu não seria avisado da sua petulância e você estaria a salvo ! — Ele gritou. — Sabe quem são eles? Mafiosos mexicanos piores que eu. Vão te caçar, me caçar agora. Eu te avisei! Ele gritava tanto que a veia no pescoço estava alta. Jamile tremia, estava praticamente nua e começava a chorar agora. Se sentia uma garotinha i****a. Matheo fechou a porta com um baque, caminhou até ela e subiu na cama, estava furioso com ela, e com ele porque havia perdido a cabeça. Não queria mais saber de nada. Jamile estava calada, mas não estava negando. E então ele a beijou, a puxou para si, tirou a calça com violência, de joelhos passou o dedo polegar no sexo dela e sentiu que sim, Jamile estava molhada. Então a penetrou, estocou com força até sentir ela se contrair e um gemido mudo escapar do lábios dela. Continuou até chegar o orgasmo e empurrou uma última vez. Queria que os olhos vazios do velho vissem tudo, vissem Jamile arranhando as costas dele de prazer. Queria que ele ouvisse os dois gemendo até que chegassem ao ápice. Jamile chegou primeiro, Matheo depois. E ele sabia que era um caminho sem volta. Os dois com a respiração acelerada, se encararam por um bom tempo. Ele a beijou, dessa vez com... Carinho... — Se veste. – Ele ficou em pé e começou a vestir a roupa. — Vou limpar essa bagunça.
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