A tarde corre arrastada, como se o tempo também sentisse o peso que carrego no corpo. O enjoo vai e volta, como ondas lentas de um mar que não me dá trégua. Eu tento manter a rotina, lavar uma louça, dobrar uma roupa... mas tudo parece fora de lugar. Meu peito tá apertado desde o café da manhã. A distância entre eu e o Flávio só cresce, e eu não sei mais como fazer ponte. Quando a campainha toca, eu tomo um susto. Abro a porta e dou de cara com a Lara. Ela sorri, meio sem jeito, segurando uma sacola com pão e bolo. — Passando aqui, pensei em você. Trouxe um lanchinho. Posso entrar? Não tenho coragem de negar. Ela sempre tem esse jeito solícito, simpático. E, no fundo, é bom conversar com alguém que não seja só o silêncio da minha cabeça. — Claro, entra. Ela coloca a sacola na bancada

