Ainda dava pra ouvir as vozes dos meus irmãos, como se ecoassem na minha cabeça, e a imagem dos olhos marejados da minha mãe não me saía do peito. Mas, ali, no silêncio da nossa casa, o que restava era só eu e ele. Flávio se aproximou devagar, tirando a camisa e largando no encosto do sofá. Ficou só de calça, o corpo marcado pela vida dura e pelos anos que o moldaram. Ainda assim, os olhos estavam serenos, diferentes do homem que comanda, diferentes do homem que esconde segredos. Era o meu homem ali, o que me olha como se eu fosse tudo. — Tu tá cansada — disse, acariciando meu braço. — Te vi tensa o dia todo, tentando segurar todo mundo. — Foi muita coisa. Mas... eu tô feliz. Eles tão bem, Flávio. Isso pra mim já basta. Ele assentiu, puxando minha mão e me levando até o sofá. Sentamos,

