— Rodrigo O som da porta se trancando me dilacerou mais do que qualquer grito. — Não... — sussurrei, dando dois passos pra frente, mas minha mãe me segurou pelo braço com uma força surpreendente. Ou eu que estava fraco demais. — Não, Rodrigo! Deixa. Agora você precisa ir. Vai pro quartel, passa um tempo lá, até vocês poderem resolver as coisas com calma. — Ela trancou a Bianca, mãe! Ela trancou a filha dela como se fosse um animal! — E se você continuar aqui, vai acabar preso — ela disse com os olhos marejados. — Eu nunca te pedi nada, mas agora tô pedindo: vai embora. O choro da Bianca podia ser ouvido pela casa inteira. Era um som que me estraçalhava. Um grito afogado, rasgado, desesperado. Eu sabia que aquilo era por mim. E porque ela estava com medo. E porque estava sozinha. — E

