— Rodrigo O relógio marcava pouco depois das oito da manhã quando voltei do quartel alguns dias depois. Eu não lembro da estrada. Não lembro do som do carro. Só lembro do silêncio. Aquele silêncio denso, pesado, que parece grudar no peito e sufocar por dentro. Meus olhos ardiam, não só de sono — mas do peso. O peso de saber que tudo tinha desmoronado. Que eu tinha cruzado uma linha da qual não dava mais pra voltar. Roberta estava no sofá. Sentada, braços cruzados, postura firme como sempre. Rígida, como uma boa soldado. Mas o olhar dela... era de mãe. — Senta — ela disse, sem levantar a voz. Eu sentei. Sem discutir. Eu já sabia o que viria. E sabia que merecia ouvir. — Quero que você ouça com atenção — ela começou. — Porque depois de hoje, nada vai ser como antes. Engoli seco. Meus

