Capítulo 05

1077 Palavras
Vítor Me aproximei da cadeira e a puxei para me sentar. Estava achando que estava tudo perdido, estava começando aceitar a minha morte, pois não ia ficar internado e deitado numa cama tomando um coquetel de remédios, doente e careca para talvez ser curado dessa p***a de doença. Sem chance! Mas parece que estou tendo sorte. Esse médico disse que tem outro jeito. — Estou aqui sentado, doutor. Agora explica melhor isso? — perguntei encostado na cadeira olhando para ele. — Sim. Tem outra alternativa, porém… — nesse momento meu irmão se aproximou e puxou a cadeira para se sentar. Prestava atenção no que o médico estava falando. — Isso é verdade? — indagou o Bernardo para o médico. Olhei para o meu irmão. — Sério, Bernardo? Está duvidando do médico, logo você? — falei com ironia para ele, que depois virou o rosto me fitando. Sorri para ele. — Isso é sério, Vitor e você achando graça? — Apontou para mim. — Senhores, sei que nesse momento estão alterados e também nervosos, mas posso dizer que isso que vou dizer pode ajudar — disse o médico fazendo gestos com as mãos no ar. — Então fale logo e não fique fazendo esse mistério, pois eu não tenho muito tempo, sabe? — Encostei na cadeira, soltei um sorriso debochado para ele. — Sim, vou falar. Mas antes o senhor é casado? — perguntou ele. Comecei a gargalhar. — Posso saber qual é a graça? — Do senhor… Perguntando se sou casado? Piada né? — Continuei rindo. Levei a mão no peito e aos poucos fui parando de rir. — Mas o que isso tem a ver com a doença do meu irmão? — indagou o Bernardo para o médico. Parei com a sessão de risada, me ajeitei na cadeira e olhei para ele. — Meu irmãozinho está certo, que diabos tem a ver com o meu problema? — perguntei. — Faz um tempo que pacientes não estão fazendo quimioterapia, por conta… — ele parou de falar e notou que estou encarando. — Enfim, esse método é pelo cordão umbilical. — Cordão umbilical? Isso é quando o bebê nasce! — demandou o Bernardo para o médico. — Só um momento! Está falando que pra me ajudar, pra me salvar, preciso de um filho? — Me inclinei para frente, apoiando meus cotovelos sobre a mesa. Olhando para ele. — Sim. Tem casos que esse procedimento salvou vidas de pacientes que não possuem doadores familiares. — O médico olhou para o meu irmão, que encostou na cadeira encolhendo os ombros. Depois olhou para mim. — E também em casos de falta de compatibilidade pela diversidade da população brasileira. Me levantei da cadeira com a mão na cabeça. Fiquei pensando no que o médico acabou de falar. — Mas esses casos deram certo mesmo? De quanto é a porcentagem disso? — Bernardo perguntou para ele, nisso me virei, me aproximando da cadeira olhando para ele. Esperando a resposta. O médico encostou na sua cadeira, depois deu uma bufada de ar. Em seguida voltou a olhar para a gente. — Mais ou menos 90℅ de certeza. — afirmou o médico. Caraca! Então preciso ter um filho para ser curado? Sophia Estava anotando os pedidos de uma mesa, quando entraram alguns homens no restaurante. Eram dois homens. Um é alto, moreno de cabelo curto preto, o outro é baixo, moreno e barrigudo. O cabelo é castanho escuro. Eles foram para uma mesa que estava vazia no canto à direita e logo se sentaram, enquanto estava terminando de anotar os pedidos do casal que estava na minha frente. Notei que os homens estavam olhando há um tempo para mim. — Anotou o que pedimos? — perguntou a loira que estava ao seu lado e também estava me fitando. — Sim… Vou lá levar lá pra cozinha. — Guardei o bloco e a caneta no bolso da calça jeans. — Vão querer mais alguma coisa? — perguntei. — Traz duas latas de coca cola pra gente — disse o cara que estava com a loira. — Sim. Já trago pra vocês. — Saí dali e fui para cozinha, mas antes de entrar, olhei para o lado onde os homens estavam sentados e eles continuavam olhando para mim. Virei o meu rosto e abri a porta que dá para a cozinha. Estava com os olhos fechados e não vi quem estava na minha frente. Acabei esbarrando. Por sorte caí por cima dele sem me machucar. — Caramba, você está bem? — alguém perguntou, mas parece que eu conheço essa voz. Abri os olhos e quem estava abaixo de mim era o Tomás. — Sim… Estou bem… — falei, um pouco sem graça. — E você? Te machuquei? — Não, não. Até que você é fofinha… — ele disse. Depois piscou pra mim. — QUE PALHAÇADA É ESSA AQUI NA COZINHA? — Ouvi alguém gritar e veio lá fora. Me virei e era o seu Joaquim, o meu chefe. Imediatamente saí de cima do Tomás. Em seguida ele também se levantou. — Desculpa… Foi um… — Não quero ouvir suas desculpas! Que merda, toda atrapalhada, também olha seu tamanho, gorda desse jeito! — Me cortou e apontou para o meu corpo. Virei para trás e ouvi o auxiliar do Tomás dar uma risada. Na mesma hora abaixei a cabeça. — Ei, não fala assim dela! — o Tomás chamou atenção do nosso chefe. Indo pra cima dele. — Por que não? Olha pra ela ou é cego? Ela é imensa de tão gorda! — Vou acabar… — Segurei o braço do Tomás. — Tenta me bater que vai para o olho da rua! — ameaçou o meu chefe fitando o meu amigo. — Se fizer isso você vai a falência dessa espelunca! Sem mim você não tem clientes! — olho para o Tomás. Depois ele se soltou. — Por favor, não faça isso. — sussurrei para ele. Seu Joaquim fitou o Tomás por um tempo. — Quer saber? Não vou fazer isso, porque está difícil arrumar funcionários. Vou deixar essa passar. — disse o meu chefe para o Tomás. Ele olhou para mim. — E você sua… O meu amigo o encarou e ele desistiu do que ia me chamar. — Depois vai lá no meu escritório — avisou. Depois deu as costas e saiu da cozinha. Meu Deus, o que será que ele quer falar comigo? Será que vai me demitir? Não posso perder esse trabalho…
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