Calypso
Raiva!
Ódio!
Descontrole!
Energia acumulada!
Lidar com meu gênio era quase impossível para mim. Controlar meus impulsos então...
Tinha sido um erro atacar, mesmo de leve o líder daquelas pessoas, mas foi treinada a conquistar e pegar o que queria, nunca pedir.
Sabia o que era desde que nasceu. Uma assassina! Qual era o seu propósito!? Matar qualquer um que lhe fosse ordenado.
Segundo o doutor era ser uma arma perfeita. Não podia sentir remorso, amor, pena, dor, rancor... compaixão... Absolutamente nada! Mas ele se enganou num ponto, era leal a sua irmã e por ela faria tudo.
Mas tinha que admitir que ficou surpresa com que sentiu pelo belo homem vestido de branco. Não reconhecia este sentimento. Só sabia que era forte e estava se enraizando rápido em seu peito.
Depois que viu Azenathi e saber que estava bem, Paola a médica que a ajudou e estava a cargo de sua irmã lhe explicou como chegaram ali e em que condições. Não entendia muita coisa, mas compreendeu que o doutor ia matá-las.
Flexionou os dedos os sentindo estalar só de pensar sobre o que ia fazer se visse o doutor novamente.
Severos logo se colocou ao lado de Paola e Davian segurou minha mão me fazendo respirar mais calma.
Paola apenas sorria indiferente a minha quase explosão de raiva.
Na hora de dormir foi um tanto incomum para meu gosto, portas e janelas estavam destrancado e não havia barras. Era muito estranho está sensação de... liberdade.
Bastava sair por aquela porta, que não seria problema é pronto, livre. Olhou para o lado e viu o belo homem ainda vestido de branco dormindo, ou fingindo estar e respirou fundo resignada. Como ia deixá-lo? Ou a Azenathi?
Davian estava acomodado ao meu lado numa poltrona confortável. Já tinham feito lanches e jantado. Paola disse que se quisesse comer mais era só pedir.
Minha garganta estava bem melhor, mas preferi ficar calada.
Naquela noite eu nem dormi, mas toda vez que me movia na minha cama macia e confortável, percebia que Davian despertava. Meu enfermeiro tinha que descansar, por isto se manteve quieta a noite toda, em consideração a ele.
Na manhã seguinte foi ver novamente Azenathi e quando retornou para seu quarto, sempre acompanhada de Davian, encontrou Brisa a espera deles.
_ Vim levar vocês para a cabana. - anunciou feliz - Abastecemos ela com tudo que vocês podem imaginar. Também levamos suas coisas para lá Davian.
_ Obrigada Brisa.
_ Também levamos roupas para você Calypso.
Apenas sorri assentindo.
_ Como eu te expliquei ontem vamos morar lá, mas vamos visitar Azenathi todos os dias.
Assenti.
Quando abriram as portas do centro médico para sairmos respirei fundo sentindo os raios do sol atingir minha pele. A liberdade era sensação maravilhosa!
_ Vamos? - Davian lhe estendeu a mão.
Segurei sua mão e me deixei ser guiada para o jipe que nos esperava.
Por onde passávamos via as pessoas como Davian, uns acenavam e outras me olhavam com curiosidade. Queria correr ao invés de andar de carro.
Por quase uma hora andamos na rua pavimentada e entramos por uma estrada repleta de vegetação. Tinha tantas árvores!
_ Quer sair correndo por entre as árvores né? - Brisa a perguntou.
Apenas sorri.
_ Temos um limite. - Davian começou a dizer - Você não pode ir à zona selvagem e perigoso.
Franzi a testa preocupada.
O que era a zona selvagem?
_ Terá que mostrar a ela. - Brisa parou em frente a uma bela cabana - Chegamos.
Desci devagar do jipe admirando o lugar. Não sabia o que era uma casa, mas gostava do que estava vendo.
_ Ela estava um tanto suja e precisava de alguns reparos, mas acho que vocês vão gostar do que fizemos.
Brisa subiu as escadas com a gente atrás dela. Abriu a porta e pudemos ver as maravilhas que fizeram.
_ Aqui é a sala. - sorriu.
_ Tem três quartos, sendo um aqui embaixo. - caminhou e nós mostrou.
Não entendia o que era confortável ou mesmo se aquilo estava bom, mas gostou da cama e da janela que dava para olhar a paisagem, melhor sem barras.
_ Aqui é a cozinha. - ela saiu do quarto e a seguimos - Equipamos com tudo que vocês vão precisar. Também abastecemos.
Abriu a geladeira e o freezer, nós mostrando a comida. Amei quando vi aquele pote marrom que chamavam de sorvete.
_ Hoje eu vou preparar o almoço de vocês. - anunciou Brisa feliz - Mas antes vamos conhecer os quartos de vocês que é lá em cima.
Admirei novamente o interior daquele lugar, bem diferente das instalações. Tudo era tão branco e frio, ali tinha tantas cores e podia sentir o vento soprar e o barulho dos animais.
_ Davian este é o seu quarto. - Brisa abriu a porta mostrando o cômodo.
_ Perfeito! - ele sorriu divertido.
_ Vamos ao seu quarto Calypso. - segurou minha mão e me levou a porta no final do corredor - Tem uma varanda que você pode ser toda a zona selvagem.
Toquei em cada objeto e acabei rindo quando Brisa se jogou na cama gigante.
_ Se joga. - pediu Brisa.
Como duas crianças pulamos na cama. Me lembrei que já tinha feito isto uma vez com Azenathi e um daqueles homens nos repreendeu.
Davian apenas sorria da soleira da porta, vendo nós duas brincarmos.
_ Vou tomar um banho e mudar de roupa. Talvez depois que vocês se divertirem Calypso queira fazer o mesmo. - disse ele.
O vi se afastar e me senti de uma certa forma perdida. Era engraçado se sentir assim por uma pessoa que m*l conhecia.
_ Não se preocupe. Davian não vai muito longe. - Brisa sorriu-lhe tocando o ombro - Mesmo que você quisesse ele não se afastaria. - ela gargalhou - Venha. - desceu da cama - Vou te mostrar onde fica o banheiro e onde estão suas coisas.
Brisa estava se mostrando uma como eu posso dizer...amiga. Bom, eu acho que este é o nome correto. Ela me mostrou onde ficava tudo e ainda tiveram o cuidado de me darem produtos para higiene pessoal. Como também me ensinou a usar.
Quando ela me deixou sozinha no meu quarto me sentei na cama e pensei no que estava acontecendo comigo.
Tirei minhas roupas e enchi a banheira e preparei meu banho como Brisa tinha me ensinado.
Despertei graças aos esforços de Paola, pois se dependesse de seu criador estaria morta, não somente ela como Azenathi. Agora despertada naquele mundo tinha que aprender a se virar nele, principalmente como se comportar. Ali havia regras que precisava seguir.
Havia também Davian seu belo enfermeiro. Agora sabia o que era graças a Brisa. Precisava descobrir o que sentia por ele. Que sentimento louco era aquele!
Precisava de ajuda, mas tinha que voltar a falar de novo.
Passou a mão pela garganta e tentou falar, mas sua voz saia como um rosnado de um bicho ferido ainda. Não falava muito era verdade, mas agora precisava para se adaptar a aquele novo mundo que se abria.
Usou os produtos como Brisa lhe ensinou e vestiu outra calça e camiseta, deixando os cabelos soltos e molhados.
Quando desceu encontrou Brisa a volta de panelas e tomando refrigerante.
_ Davian ainda não desceu. - ela avisou pegando outra latinha e me dando - Vou te mostrar algo que é bem instrutivo.
Me levou até a sala e me fez sentar, indo até uma caixa preta e apertar um botão em outra menor. Pulei de susto ao ver imagens aparecendo na caixa.
_ Isto é uma televisão. - explicou Brisa sorrindo divertida - Também fiquei nervosa quando assisti pela primeira vez. Não vai te ensinar muitas coisas, mas vai te dar uma base. - ela se sentou ao meu lado - Aqui aumenta e diminui o volume. - me demostrou - E aqui muda os canais. - também demostrou - Depois te mostro filmes. Se intervi aí que vou fazer o almoço. - me deixou sozinha.
Era engraçado ver as imagens naquela caixa. Brisa gritava da cozinha falando o que era cada programa.
Um filme interessante estava passando e era uma comédia segundo Brisa. Assisti achando o humano muito estranho e atrapalhado. Estava rindo quando senti Davian se sentar ao meu lado, me observando. Mostrei a ele as imagens e ele apenas assentiu.
Por horas fiquei enfrente aquela caixa além de estar me divertindo também aprendia. Fiquei horrorizada com a quantidade de guerras que os humanos faziam entre si. Vi crianças sendo maltratadas e mortas me fazendo recordar de quando era criança. Vi também muitas brincando felizes com alguns adultos. Não teve nada daquelas coisas que mostravam na televisão, era treinamento após treinamento, como suportar a dor, como causar dor, como se defender... Tanta coisa para ver e aprender.
Não tinha notado que havia anoitecido nem que Brisa tinha ido embora quando Davian me entregou um prato com comida. Estava assistindo Diário de Uma Paixão e achou curioso como os humanos se relacionavam.
Olhou para trás e Davian estava deitado no sofá e parecia estar dormindo. Voltou-se novamente para a tela e assistiu ao filme todo.
O que era aquilo que eles faziam com a boca?, me perguntei me aproximando da tela e tocando. A fêmea parecia apreciar muito.
Já era tarde quando o filme terminou, e eu fiquei bastante frustrada. Primeiro não sabia o que era aquilo com as bocas, depois ficaram nus e fizeram coisas, o macho foi para longe e a fêmea se envolveu com outro... Tudo muito confuso, passei a mão pela cabeça. Os humanos complicam tudo. Usavam de artifícios e mentiras para disfarçar o que queriam de verdade. Queria entender por quê?
Se aproximou devagar de Davian e ficou o olhando. Os humanos dormiam juntos, por que eles dormiam em quartos separados então?
O que aconteceria se eu colasse meus lábios nós dele? Iria gostar?
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Aí, o primeiro beijo. Estou romântica hoje. ??????...
Beija ou não beija? Ooooooooooh dilema gostoso!
Será que Calypso vai gostar? ????....
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Minhas lindas,
Queria muito ler os comentários de vocês sobre o desenvolvimento da história.
Divirtem-se e me de seus corações. Loucas para isso!!!
Beijocasssssssssssssssss...