Capítulo 2

2572 Palavras
Davian Dia após dia eu ia aquela sala e conversava com ela até o meu tempo terminar. Não era aconselhável um macho cuidar de fêmeas, ainda mais quando elas estavam desacordadas, mas graças aos anos que trabalhava com Triana ganhou a confiança não somente dela, mas de todo o conselho e de Justus, por isto estava encarregado de monitorá-las. A primeira vez que a vi, senti o meu coração disparar e um sentimento forte de proteção e algo mais tomar conta de mim. Era inacreditável se sentir assim por alguém que nem lhe conhecia. Ela estava magra e maltratada. Tão frágil e pequena naquela maca fria que o meu coração sangrou de dor. Teve vontade de matar aquele doutor, mas preferiu cuidar dela e da sua irmã. Pois, a sua preocupação principal era ela. Quando Triana trouxe a amiga dela para ajudar, uma centelha de esperança acendeu-se no seu peito, pois nada as fazia despertar. Tinham medo de usar as drogas e elas não resistissem ou tivessem alguma reação negativa. Quase enlouqueceu quando Paola disse que elas estavam morrendo, que poderiam acontecer a qualquer momento se não achassem um antídoto. Presenciou o esforço sobre-humano de Paola que praticamente ficou três dias sem dormir trancada no laboratório, até que o seu corpo não aguentar e ela sucumbir ao cansaço. Severos a fez descansar por um dia inteiro. Todos os testes e reagentes que utilizou não deram resultados até que ela fez algo que agradeceria eternamente, Paola foi atrás do criador do veneno. Ainda me lembro com clareza deste dia, pois fui com Severos e os outros a Tronk. O cheiro daquele lugar estava ainda nas minhas narinas. Deixamos-a entrar sozinha no quarto como havia pedido, apesar dos protestos de Severos, mas o doutor estava com os braços engessados e com vários tubos intravenosos, mas totalmente lúcido e falante. _ Eu te conheço. - ele lhe disse ao vê-la entrar - Já te vi numa reportagem sobre DNA e um artigo seu na Scientific Reports - Nature Publishing. _ E bem informado doutor. - a vimos puxar uma cadeira e se sentar próximo à cama dele com um sorriso gentil nos lábios - Isto dispensa apresentações. Estou analisando sua pesquisa. _ Fascinante não é!? - sorriu convencido - Nem acredito na sorte que tive ao ver os meus experimentos dar frutos como aconteceu. Sentimos a raiva crescer dentro de Paola enquanto ela se mostrava calma e serena. A mulher sabia disfarçar muito bem. _ O senhor deixou-me realmente impressionada. Juntou ao DNA humano, três tipos de animais bem distintas. O senhor criou as armas perfeitas! Fisicamente humanas, mas com capacidades sobrenaturais. Mas fortes, ágeis, velozes... _ Inteligentes! - os olhos deles brilhavam envaidecidos - Elas são muito mais inteligentes. Tem uma capacidade acima da média. _ Quantos nasceram imperfeitos, até atingir o seu objetivo? - questionou ela. _ Sacrifícios são necessários pelo bem da ciência. - a frieza que ele disse aquilo fez os machos rosnarem em resposta - Todos foram abatidos e descartados. Você entende como isto funciona? _ Sim, eu entendo. - a fúria dela fazia Severos respirar acelerado - Mas seus sucessos estão morrendo. Não sabemos até quando vão suportar aquele estado. As feições do doutor endureceram-se. _ Preciso acordá-las. _ Nem sobre tortura eu contei. Por que pensa que eu contaria para você? _ Somos colegas. - ela sorriu - Não acredito que após tanto esforço vai deixá-las morrer. Todos analisamos as feições pensativas do doutor que olhava para o teto. _ Como disse Dr. Pokora li todo o seu trabalho e o achei fascinante, mas não há nada sobre o tipo de veneno é o antídoto. - insistiu Paola tentando ser persuasiva. _ Não há antídoto. - ele revelou para surpresa de todos - Não pretendia acordá-las depois que tentaram fugir. Perdemos muitos colaboradores com a tentativa delas. - deu uma pausa e respirou fundo - Só queria mantê-las vivas para estudá-las. Precisava saber o que elas têm de especial. - explicou. Paola fechou as mãos em sinal de nervoso e a sua respiração acelerou-se. _ Certos segredos devem ficar ocultos, cara doutora. - sorriu divertido - Sabe que trabalhei muito com ácidos quando iniciei minha carreira? - ele a olhou divertido. Paola respirou fundo passando as mãos pelo rosto cansada. _ Não quero saber da p***a do seu trabalho seu i****a. - viu a fêmea tirar uma seringa pequena da bolsa e mostrar-lhe - Dr. Pokora, consegui isolar parte do veneno que corre pelas veias delas. Bom, eu acho que é, já que não consigo identificá-lo. Só que fiz algumas pequenas mudanças. Pasmos vimos a fêmea levantar e ir até o soro do doutor que arregalou os olhos e aplicar o líquido. _ O que você fez? - o doutor a olhou surpreso. _ Te dei algo que o fará sofrer. - ela abaixou é o olhou de frente - Creio que este veneno no corpo delas iria agir lentamente, mas no seu... - a viram sorrir friamente - Você agora vai se tornar minha cobaia. _ Se me matar será um favor para mim. - grunhiu ele furioso. _ Te matar vai ser fácil demais. - abaixou mais o rosto e ficou a centímetros dos dele - Quero ver você sofrer! - quase cuspiu as palavras no rosto dele -  Nada que vão te dar vai aliviar a dor que vou-lhe causar. Vamos ver até onde você aguenta doutor. _ Nada que fizer vai-me fazer mudar de ideia. - grunhiu ele ficando vermelho. _ Vamos ver até que ponto aguenta de dor então. - ela afastou-se e abriu a porta - Quando quiser conversar mande-me chamar. Um conselho, não beba muita água. _ Sua desgraçada! Vai me matar de desidratação! - gritou ele tentando se levantar. _ Estou te dando o mesmo tratamento que deu aos seus prisioneiros. - fechou as portas. Depois de saímos de lá, Paola pediu todo o material original do Pokora e revisou tudo detalhadamente. Não sabia muita coisa sobre a área dela, mas ficamos dois dias debruçados sobre o material. Já tinha perdido as esperanças quando uma noite Severos pegou uma folha do diário de Pokora e levantou contra uma lâmpada para ver melhor. Paola deu um grito tão alto que me fez estremecer. _ Aquele filho de uma p@ta! - gritou ela tomando o diário das mãos de Severos e olhando contra a lâmpada. Desenhos e anotações apareceram claramente. - Desgraçado! - sorriu ela feliz - Anote aí o que vou ditar Davian. E eu anotei todos as composições químicas do veneno que o doutor usou. O desgraçado usou três tipos de veneno para mantê-las desacordadas: Amatoxina: conhecido veneno de um tipo de cogumelo que ingerido leva ao coma é a morte; Ricina : evita a sintaxe das proteínas no corpo, que pode causar câncer e falha dos órgãos; Veneno neurotóxico (veneno de serpente): causa paralisia muscular. A combinação destes venenos as mantinha no estado vegetativo que se encontravam. Paola começou a fazer vários testes para achar um antídoto e por dias vivemos sobre uma corda bamba. Tinha se passado quinze dias desde a visita de Paola ao Dr. Pokora quando as híbridas começaram a entrar em convulsões e quase a perdemos. Comecei a ficar desesperado a cada crise e implorava para que ela aguentasse mais um pouco. Paola começou ficar doente, pois não comia e nem bebia direito. Severos estava desesperado com a obsessão dela. Triana tentava remover a amiga da procura da cura e tentar descansar um pouco, mas em vão. Todos nós estávamos no limite! Já tinha perdido as esperanças quando um dia Paola entra no quarto e começa a colocar vários tubos nelas por todo o corpo. Quis fazê-la parar, pois, ela fedia a bebida alcoólica é a Severos, não tinha cheiro de sexo, mas o odor dele era forte. Paola parecia um zumbi enquanto trabalhava frenética, com os cabelos bagunçados, as roupas amarrotadas, profundas olheiras, e perda de peso. _ Deixe-a. - me pediu Severos a vendo mexer em vários remédios e bolsas de soro. Paola mexia os lábios enquanto preparava várias bolsas. As mãos tremiam enquanto ela pegava uma seringa e enchia com algum remédio e aplicava nas bolsas. _ Verifique os batimentos cardíacos delas Davian. - ela pediu-me de repente. _ Fraco. Muito fraco. - respondi a vendo agora ligar os tubos as bolsas. _ Tire uma ampola de sangue. - instruiu, terminando de pendurar as bolsas e preparando outras - Leve Azenathi para sala debaixo. E faça o mesmo procedimento que fiz com Calypso. Já estou descendo. Olhei para Severos que assentiu. Como ela havia pedido fiz. Quando terminei de colocar os tubos ela apareceu com várias bolsas ajudada por Severos. _ Azenathi está mais debilitada que Calypso. - ela começou a dizer, distribuindo as várias bolsas pelos tubos - Coloquei uma dose menor para ela. - respirou cansada se sentando numa cadeira - Vamos esperar por uma hora para ver se funciona. Fique com Calypso Davian. A monitore e qualquer coisa avise-me. - pediu se ajeitando. Antes de sair da sala vi Severos pegar Paola é a acomodar no seu colo, a fazendo dormir. Finalmente aqueles dois estavam se entendendo. Calypso respirava mais forte, aos poucos gotas de suor começou a se formar na sua testa. Enquanto a limpava eu conversava, falando sobre como era em Patrída é a Reserva. Falava sobre os seus moradores e sobre os casais que se formavam. Contava dos lugares que queria levá-la. Preso neste meu monólogo eu esperava que acontecesse comigo o que aconteceu com a Dra. Alice e Ónix, que ela se lembrasse do meu cheiro e a minha voz. Uma hora depois os resultados estavam mais que excelentes. As híbridas podiam despertar a qualquer momento. Paola explicou que usou a combinação de duas substâncias para a retirada do veneno da circulação do sangue delas: Adrenalina - A sua presença acelera os batimentos cardíacos e a respiração, e produz um combustível extra para o corpo, resumindo acelera o metabolismo. Ativa também a amígdala cerebral, afetando o armazenamento de memórias. Paola queria que elas se recordassem de tudo; Eritropoietina - O efeito desta substância é aumentar a produção dos glóbulos vermelhos no sangue, potencializando assim a capacidade de transporte de oxigênio, mas se não fosse bem dosada ele podia aumentar a pressão arterial, pois o sangue ficava mais viscoso. Por isto, tudo tinha sido muito bem dosada e diluído no soro para que não afetasse mais a saúde delas. Depois daquilo elas nunca mais tiveram crises, a saúde delas melhorava dia após dia. Agora é só esperar. Foi torturante a espera, mas finalmente chegou. Quando me chamaram no bar eu corri como se a minha vida dependesse disto. Não consegui evitar o sorriso de felicidade ao ver a minha fêmea. Sim, ela era minha fêmea. Calypso estava acordada! _ Davian. - chamou Paola ofegante. Ela sabia da minha ligação com a fêmea. Os olhos de Calypso por alguns segundos brilharam de uma forma como se me reconhecesse. _ Calypso. - chamei, transbordando de felicidade me aproximando devagar - Não vou te fazer m*l. Você sabe quem sou. - a minha fêmea apertou mais o braço ao redor do pescoço de Paola, dando um passo para trás. Severos rosnou furioso. Fiz um gesto para que ele se calasse. _ Saiam todos. - pedi-me voltando para todos - Triana fica comigo. _ Vá Severos. - Paola pediu séria. Mesmo contrariado vimos os machos saírem levando os outros machucados. _ Lembra do meu cheiro Calypso? - a perguntei que me olhava com atenção - Lembra da minha voz? Calypso deu mais um passo para trás me encarando. _ Sou eu quem cuidava de você e de Azenathi. - ela olhou para irmã por alguns minutos antes de se concentrar em mim novamente - Consegue falar? Ela balançou a cabeça negativamente. _ Deixe-me examiná-la. - pediu Triana. _ Só queremos te ajudar. - insisti e aproximei-me novamente - Me deixa aproximar. Solta Paola. Indecisão brilhou nos belos olhos verdes. _ Fique comigo. - estendi a mão para ela - Me deixa te ajudar e a sua irmã. _ Precisamos da sua ajuda para quando a sua irmã despertar. - emendou Paola. _ Azenathi vai precisar de você boa quando acordar para ajudá-la. - sentenciou Triana. _ Juro por minha vida que você está segura. - falei ainda com a mão estendida - Me deixa te mostrar o nosso mundo. - pedi. A vi fechar os olhos e respirar várias vezes antes de abrir os olhos e soltar Paola. _ Calypso. - chamei ainda com a mão estendida. Paola continuava do lado dela - Me deixe cuidar de você. Por alguns segundos me encarou, antes da mão dela pairar sobre a minha e depois pousar lentamente. Me aproximei dela devagar, segurando a sua mão, amando o calor que sentia emanar do seu corpo. Frente a frente com aqueles incríveis olhos verdes, sorri de puro contentamento, afastando o cabelo do rosto. _ Consegue me entender bem? - a perguntei. Calypso não desviava os olhos dos meus quando assentiu. _ Ótimo. - sorri - Preciso levá-la para fazer exames e tomar um banho. Esta... - fiz um gesto para Triana se aproximar - ...e a Dra. Triana. E ela quem cuida de todos nós. Ela vai examiná-la e ver por que não consegue falar. Os olhos dela foram para Azenathi enquanto a sua mão segurava o seu braço. _ Vou cuidar dela. - disse Paola num sorriso - Vai ver que daqui a pouco ela vai despertar também. _ Paola vai cuidar bem de Azenathi. - garanti. _ Pode apostar nisto. Vocês são minhas filhas do coração. Calypso a olhou duro e franziu a testa. _ Disse alguma coisa errado? - Paola a perguntou alarmada. _ Venha. - a chamei - Mas tarde te trago aqui para vê-la novamente. - prometi. A teimosia reluziu nos belos olhos. _ Está com fome? - a vi levar a mão a barriga - Você toma um banho, come e depois te trago de volta aqui para vê-la. Está bom? Calypso assentiu concordando. _ Triana pede para liberar os corredores até um dos apartamentos. Peça a Rouge para arrumar roupas e comida para ela. _ Leve ela para o apartamento dois. Vou esperar vocês lá. - ela saiu. Calypso não era uma fêmea pequena e delicada, como as outras. Ela era alta e apesar de estar magra tinha uma ótima constituição física, não chegava ser musculosa como as fêmeas shifters, mas não era do tipo frágil. Os longos cabelos castanhos com algumas mexas claras estavam um pouco mais curtos quando chegou, mas agora chegava à cintura. O rosto tinha traços delicados, mas os lábios eram cheios e tentadores. Mas o que mais lhe cativava eram os lindos olhos verdes. _ Paola você vai ficar bem? - perguntei a fêmea de Severos que estava compenetrada em verificar os sinais vitais de Azenathi. _ Vou sim. Quando terminar de ver se Azenathi está bem subo para ver Calypso. - respondeu compenetrada. Calypso olhou para mim, parecendo me analisar. _ Posso colocar o braço nos seus ombros? - pedi. Suspirei de prazer quando ela permitiu. Na verdade, queria ir muito além, mas ainda não era o momento. *************************************************************************** Minhas lindas, Queria muito ler os comentários de vocês sobre o desenvolvimento da história. Divirtam-se e me dê seus corações. Loucas para isso!!! Primeiro momento do meu enfermeiro. O que acharam? Beijocasssssssssssssssss...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR