Sorte no jogo e azar no resto da vida - Samuel Ferraz

1209 Palavras
And if you can't tell (E se você não sabe disso) I'm scared as hell (Eu estou muito assustado) Cause I can't get you on the telephone (Porque eu não estou conseguindo falar com você pelo telefone) So just close your eyes (Então, basta fechar os olhos) Oh, honey here comes a lullaby (Querida, aqui vai uma canção de ninar) — Lullaby, Nickelback.  Os aplausos, assovios e gritinhos que encheram o ambiente da boate fizeram meu coração se inundar de satisfação. O trabalho que tive de ensaiar, pensar, gastar o tempo que poderia estar investindo na empresa e malhar foi recompensado ao ouvir a reação desse público. Podia ver que não era só eu que estava me sentindo assim. Sofie, Rebeca, Ricardo e Eduardo, todos eles estavam com o mesmo brilhinho reluzente nos olhos. Era como se estivéssemos levantado uma faixa gigantesca escrito "Nós conseguimos" ao som de We Are Champions do Freddy Mercury. Praticamente um troféu e o palco era o nosso pódio.  Agradeci mais uma vez, sentindo a coluna doer um pouco por causa do Gran Finale que improvisei na apresentação. Encarei o chão, encontrando várias notas. Era muita grana. Porém, como as meninas explicaram, os dançarinos não tem direito a ele. No fim da noite, ganham apenas uma pequena porcentagem do valor arrecadado. Oque é injustiça mas ninguém se opõe. Aos poucos e com calma, me dirigi ao camarim junto com os outros. Eduardo e Ricardo deram um jeito de dizer aos seguranças que as garotas eram suas "presas" da noite. Já que iria ser r**m para os negócios chegar avisando que são comprometidos. Ainda mais se descobrissem quem são as namoradas deles.  Mal enxerguei o sofá, me joguei em cima dele, soltando todo o ar que consegui. Acho até que por alguns milésimos, fiquei sem oxigênio. Não que o móvel fosse confortável, mas sim, meu corpo que necessitava estar na horizontal por algum tempo, ou alguns dias. Ninguém sabe.  — Rick, quando chegarmos em casa, você vai ter que arcar com as consequências de ter me lançado aquela piscadinha enquanto dançava, estou completamente m... — Eu não quero ouvir isso... Credo! — Reclamo, tampando os meus ouvidos. Ricardo riu, abraçando a Becca pelo pescoço e depositando um beijo desajeitado e forte em sua cabeça. Ela sorriu, me mostrando o dedo do meio. — Ufa, vocês quase me traumatizaram por toda a eternidade. Se quiserem conversar coisas assim no meio de tanta gente, usem o celular. Sofie e Eduardo riram do meu comentário.  — Só está assim porque não tem com quem compartilhar o sucesso da nossa dança. — Ricardo falou de modo desdenhoso. — RICARDO! — Todos o repreenderam, dei de ombros dizendo que não foi nada. Oque é uma completa mentira. Senti um pequeno aperto no coração. Eu disse pequeno? Parecia que estavam pegando-o e colocando ele em uma máquina de fazer suco. Doeu bastante.  Porém, sei que não foi por m*l, ele ficou chateado e eu provoquei. É como alimentar uma chaminé, quanto mais fogo, mais fumaça será exalada. É a ordem natural que as coisas devem seguir. — Desculpa, Sam... Vou ai te dar um beijinho, meu amor. Nosso casamento ainda está firme? — Desmunhecou de vez, me fazendo soltar uma risada. Eduardo meneou a cabeça, querendo não rir.  É colega, impossível não rir disso. Ricardo correu até perto do sofá, se ajoelhando ao meu lado. Fazia um biquinho horrível. — Não peça o divórcio, por favor. Não sei oque vou fazer da minha vida sem o seu p*u. Revirei os olhos, reprimindo o riso. Sabia que ele iria começar com a baixaria.  Quem é Ricardo Scott sem alguma dessas baixarias dignas de um show de stand up? — Meu querido, você compra um vibrador que possa me substituir. — Entrei no jogo, pondo a mão na testa e cruzando as pernas, ainda deitado naquele desconfortável sofá. As meninas encaravam aquilo tudo perplexas. Costumávamos fazer isso nas festas da faculdade, quando estávamos podres de bêbados e querendo zoar com as pessoas na rua. — Irei amanhã mesmo ao tribunal dar entrada nos papéis. Isso foi o fim, Rickito. Está tudo acabado. — Fingi um choro baixo, dando uma risadinha no meio. — SEU CANALHA!  Todos nós viramos para ver quem gritou. Eduardo estava com a mão na cintura e uma careta extremamente engraçada. Balançava a perna freneticamente.  Pensei que ele não iria participar da nossa velha brincadeira.  — Dudete, eu posso explicar... — Rick se ajoelhou na frente dele, com as mãos fechadas. Edu deu um chute de leve nele, me fazendo prender o riso. — Não é que está pensando...  — Eu vou te castrar, sua bicha traíra! — Puxou-o pelo colarinho e eu joguei a cabeça para trás, sem conseguir segurar a risada por mais um tempo.  — Opa, opa, opa... — Becca nos interrompe. Puxou o braço do Eduardo para ele soltar o Rick. Esperamos ela continuar. A doida o abraçou como se nunca tivesse visto um homem na vida, Ela se pôs na frente dele com uma cara meio pertubada. — Na minha metralhadora ninguém toca.  Rimos alto.  — Vocês ensaiaram isso? — Sof se mostrou interessada e logo conseguiu tomar nossa atenção. Me ajeitei naquela pedra estofada, minha coluna já estava dando sinais de que iria incomodar pelo resto da semana. Maldita hora que inventei de dar uma pirueta não muito inocente.  — Fazíamos essas atuações toscas em festinhas de fraternidade, o pessoal enlouquecia... — Ricardo riu, se jogando ao meu lado no sofá e batendo involuntariamente o cotovelo nas minhas costelas. Juro que consegui visualizar diversas constelações, posso até nomeá-las, a ursa maior, a ur... — Samuel? — Hum? — Praticamente gemi com a dor intensa que tomou as minhas costas, se isso não é forte, quero nem saber quando começar a piorar. Pressionei as mãos onde estava latejando, em uma tentativa não muito esperta de apaziguar a dor. Oque só a piorou. — AI! — Arfei, abanando as duas mãos, desesperado. Que dor do c*****o.  — Você está bem? — Becca perguntou, se aproximando de mim. Arregalei os olhos e ela franziu o cenho, me encarando como se estivesse tentando entender o porque da minha cara.  — Eu pareço bem? Parece que estão enfiando um monte de agulhas enormes nas minhas costelas! Deu de ombros, voltando para o lado de Sofie. — Ele está bem, conseguiu usar essa língua afiada... — Rebeca, ele está suando frio e gemendo de dor. — Eduardo se aproximou, tocando o meu ombro. A dor não deixou eu levantar os olhos. Achava que fechando-os com força as pontadas iriam parar. — Deve ter ser machucado na hora da estreia e, quando deitou nessa coisa dura ai, piorou.  — Temos que levá-lo ao hospital e tem que ser com a máscara. Imagina o escândalo que seria se descobrissem que o CEO de uma das mais renomadas agências, foi parar no hospital porque fez uma manobra radical quando desceu do poste de pole dance? — Escutei a voz de Sofie, mas ela parecia tão distante...  — Samuel? — Huh? — Rápido, ele está desmaiando, ráp... — Não consegui escutar o término da frase, só senti uma última pontada quando meu corpo voltou aquele sofá horrível. 
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