Chuva

1273 Palavras
Após o pequeno problema da lâmpada ser resolvido e Guilherme perceber que Melaine estava mais a vontade em sua presença, ele insistiu que ela comesse algo, percebeu que a jovem estava mais magra desde que chegou na sua casa. _Não vou preparar lanche para você na madrugada_o tom dela era divertido. _Você vai conhecer minha cara o melhor sanduíche dos últimos tempos_Guilherme gostou do fato dela está descontraída e por isso entrou na brincadeira dela. _Pagando pra ver Guilherme começou a separar os ingredientes do sanduíche e praticamente obrigou Melaine a se sentar, ela ainda insistiu em fazer o suco, mas ele confessou que o suco dela não era dos melhores.Os dois riram juntos da confissão. _Me fale um pouco sobre você Melaine _Quer ouvir como chefe ou como meu terapeuta?!_perguntou com a sobrancelha arqueda e um sorriso de canto. _Quero que me responda como se eu fosse seu amigo Foi perceptível a mudança de semblante de Melaine, ela se lembrou que sua mãe dizia que homens não são amigos de mulheres, eles usavam isso para se aproximar, conseguir o que queriam e depois iam embora deixando quem se envolveu quebrado e percebendo que algo acontecia ele tentou se retratar. _Sei o que você pensou e juro que não sou assim, pra mim também é estranho, não tenho amigos, as pessoas mais próximas são minha minha mãe, meu pai e meu irmão, mas não me sinto a vontade para conversar algo pessoal, na verdade nem sei se tenho algo para conversar. _Não há nada que eu te fale que você já não saiba, tenho certeza que pagou um advogado ou até detetive para descobrir TUDO sobre minha vida e acabou achando que jogou o seu dinheiro fora_ela tinha razão, ele fizerá e pensará justamente o que ela disse, menos do dinheiro jogando fora mas sim, os homens contratados não descobriram nada demais, Guilherme a achava indecifrável. _Ok, ok! então me fale o que você gosta de fazer _Acho que gosto de...escrever, gosto de escrever, é isso_Melaine disse aquilo como se pensasse que no fundo nunca tinha pensado no que realmente gostava. Comeram o lanche em silêncio, Melaine lavou o que sujaram. _Ei Guilherme, obrigada por isso _Boa noite Mel! Mel, Melaine foi dormir pensativa sobre ser chamada de Mel pelo chefe. Os dias foram passando e Guilherme se aproximava cada vez de Melaine, descobriu que ela tinha cheiro de calmaria e que o cheiro do Oriente vinha dos seus longos e belos cabelos que raramente eles os via soltos. Samuel Alcântara irmão caçula de Guilherme notou que algo acontecia, até tentou conversar pra saber se tratava de algum problema, na verdade ele temia que o irmão se isolasse, Guilherme já tinha feito isso antes quando o avô faleceu, passou meses recluso sem querer ver ou falar com ninguém, estava em crise, na infância não foi diferente, ele passou dias sem se comunicar, até que os pais descobriram a síndrome. Guilherme gostava da companhia de Melaine mas imaginava que ela não era pra ele, ela era jovem e bonita, já ele um homem maduro sem experiências em relacionamentos e ainda com seus problemas, esses pensamentos tiravam seu sono. Dorotéia também percebeu a aproximação do chefe com sua doce Mel e diferente do seu irmão Samuel, não deixou seus pensamentos e medos para si, despediu-se de Mel que ia para faculdade e aguardou o patrão chegar do trabalho naquela noite. _Dorotéia! O que faz aqui, avisei a Mel que não jantaria em casa. _Na verdade estava te esperando pra falar exatamente sobre Mel. _Aconteceu alguma coisa com ela? Está ferida? Dorotéia percebeu que ele temeu que algo tivesse acontecido. _Vim falar com o senhor porque temo que aconteça. _Poderia ser mais direta? Não estou entendendo onde quer chegar. _Conheci Mel trabalhando em uma lanchonete, passei meses observando ela pra poder trazer alguém de confiança pra dentro da sua casa e acredite não foi convence-la, sei muito sobre Mel e gosto dela como se fosse uma filha e sei mais do senhor do que gostaria, Mel é sozinha, não tem ninguém e está se matando pra juntar dinheiro porque tem planos para o futuro, com todo respeito não vou permitir que a machuque, que a use e depois descarte, ela é só uma menina e não... _Céus Dorotéia, acha mesmo que eu machucaria a Mel? _Eu sei que homens como o senhor não se casam com mulheres humildes como Mel _Está sendo preconceituosa e eu jamais faria qualquer coisa que a magoasse _Afaste-se dela senhor, ela não tem muitas amizades, vai acabar se apegando ao senhor e pode confundir os sentimentos. _Eu juro que tentei me afastar mas não consegui, eu gosto dela_Guilherme disse que gostava de Mel muito mais para ele do que para Dorotéia, ele tentou, mas agora confessava o que o amedrontava, ele gostava dela, era isso. Dorotéia viu verdade nas palavras daquele homem, mas também viu dor e agora não teve medo somente que Mel se machucasse porque entendeu que ele também poderia se quebrar. Guilherme tomou um banho frio e se deitou, sabia que não dormiria, lá fora começou cair uma chuva muito forte, levantou e foi verificar se Mel já tinha chegado, ficou preocupado quando não a viu, sabia que estaria sendo invasivo mas não conseguiu, ele até tentou, mas não ficaria sem notícias dela, pegou os dados de Mel, procurou o número do seu telefone e ligou para ela. Mel atendeu no segundo toque. _Guilherme?!_ ela ficou surpresa, ele tinha costume de ligar no telefone da mansão avisando quando ia ou não fazer as refeições do dia em casa, mas Mel tinha salvo o número dele, na verdade Dorotéia salvou. _Mel, me desculpe mas fiquei preocupado, esta chovendo muito e você não chegou eu.._Ele não sabia o que falar, tinha vontade de dezer que a casa estava faltando ela e que ele tinha medo que qualquer coisa a acontecesse. Mel ficou com o coração aquecido, era bom a sensação de saber que alguém se preocupava com ela. _Eu estou bem, só não consegui pegar o ônibus _Me diga onde está que vou pegar você _Não, Não, você... _por favor Mel, por favor_ Ele imploraria se fosse possível mas não a deixaria aquele horário em um ponto de ônibus chovendo. _Tudo bem,.mas vou molhar seu carro. Ela passou onde estava e quando o viu chegar achou que ele já estava a caminho porque foi rápido. Guilherme assustou-se quando viu mel naquela parada de ônibus molhada, teve a sensação que seu coração ia parar, tamanha foi a vontade de a deixar protegida de tudo e todos. _Pode dar carona a duas amigas? elas ficam no nosso caminho. Ele acenou que sim, Guilherme detestava outros cheiros principalmente no seu carro porque dava a sensação de sufocamento, mas por Mel valia a pena, já Mel achou que ele tinha se arrependido de ter ido buscá-la, ele não deu uma palavra até chegarem em casa, agradeceu mentalmente porque as amigas de Mel foram caladas e somente agradeceram pela carona. _Obrigada por ter ido me buscar. _Mel vá tomar um banho quente e trocar de roupas Ela se sentiu rejeitada, achou que ele não queria a sua companhia. Meia hora depois Guilherme bateu na porta do quarto de Mel, ela abriu, ele estava com duas xícaras nas mãos e ela estava vestida em um moletom e com uma toalha enrolada nos cabelos. _Mel trouxe chocolate quente , espero que goste, você precisa se aquecer. Se o chocolate quente aqueceria Mel isso não era certeza, porque a unica certeza inexistente para os dois,era que o ambiente estava quente, o olhar de um queimava sobre o outro.
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