Capítulo 102

1253 Palavras

A luz da manhã siciliana entrou pelas frestas da cortina de veludo, cortando a penumbra do quarto com uma agressividade que meus olhos ainda não estavam prontos para aceitar. Eu me mexi devagar, sentindo o peso do braço de Matteo sobre a minha cintura. Ele ainda dormia — um sono profundo e pesado, o tipo de repouso que só os homens que finalmente descarregaram suas armas conseguem ter. Eu fiquei ali, imóvel, observando o perfil dele contra o travesseiro. As feridas da noite anterior pareciam mais nítidas sob a luz do dia: o corte na sobrancelha, os lábios inchados, os nós dos dedos ainda em carne viva. Matteo era um homem feito de cicatrizes, mas para mim, naquela manhã, ele parecia apenas... humano. Levei minha mão ao ventre sob o lençol. O segredo pulsava ali. Um pequeno Del Luca que n

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