O dia seguinte não veio com alívio. Veio com cobrança. Acordei com a sensação incômoda de estar atrasada para algo que eu nunca quis marcar. O quarto ainda estava em silêncio, a luz fraca entrando pelas cortinas pesadas, e por alguns segundos fiquei parada, encarando o teto, tentando lembrar quando exatamente minha vida tinha virado uma sucessão de decisões que não eram minhas. Casamento. A palavra parecia errada na minha boca. No meu corpo. Naquela casa. Levantei devagar, não porque estivesse cansada fisicamente, mas porque tudo em mim parecia pesado demais. Tomei banho, me vesti com algo simples — nada que chamasse atenção, nada que parecesse tentativa. Eu já tinha aprendido: qualquer coisa que parecesse escolha minha, naquele lugar, vinha acompanhada de consequências. Desci para o

