Capítulo 4
Renato Smith
Como é querer resistir a algo e não conseguir? Bem, eu estava em uma guerra interior, parecia até que uma coisa que me leva até ela, não sabia o que fazer, não sabia como parar com isso, tudo isso só iria conseguir fazer com que um monstro como eu se aproximasse daquela garota tão diferente, eu não sabia o que era e nem de onde vinha só sabia que essa coisa me faz pensar nela a todo momento, parecia até coisa do destino, seria meu destino ficar tão confuso com apenas uma garota qualquer? Mas, será mesmo que ela era apenas uma garota qualquer? Não sabia dizer, todo meu ser interno queria apenas olhar ela, apenas salvar ela de tudo e todos, mas eu sabia que um monstro como eu não poderia salvar ninguém.
E de repente quando me deparo era meus pensamentos vidrados nela, como poderia? Esses pensamentos que não param são mais uma coisa que tenho que evitar, precisava evitar tudo isso, não queria saber de qual futuro a Juliana estava falando, apenas não queria ir para o Colégio, não queria me sentir preso a algo que meu futuro me reservou, sendo o monstro que sou não será coisa boa,não estava legal, não me sentia bem com tudo aquilo, o cheiro do sangue dela era tentador, eu não queria tomar seu sangue, não queria vê ela morrer em meus braços, na verdade não queria ser a causa da morte dessa garota, tinha vontade de Beber o seu sangue sem parar.
Por mais que eu tentasse não dava certo, tentar não pensar nela era tentador, a todo momento quando fechava os olhos via seu sorriso, a todo instante que olhava para qualquer coisa me lembrava ela, como pode uma simples humana me deixar assim? Fiquei deitado em minha cama, precisava ficar ali para não ve-la nunca mais, mas comecei a sentir coisas estranhas, sentia uma agonia no peito, algo me dizia que a Charlie Carter não estava bem, sentia em minha pele que ela precisava de mim, algo estava tentando me avisar que ela estava precisando de mim, levantei rápido da cama, vestir uma roupa qualquer e fui para o colégio.
As vezes achava que deveria deixar minhas preocupações por ela de lado, ela não era nada minha, nada de especial para mim, mesmo eu sabendo disso algo me incomodava demais, ela era algo precioso para mim? Não, não poderia ser, era apenas uma humana qualquer, uma garota desastrada, distraida e que só anda atrasada para todos os lugares principalmente o colégio, como poderia ela ser alguém especial? Era a hora do lanche mas logo tocou o sinal para entrar na sala, caminhei em passos firmes até lá, algo me dizia que havia algo de errado ali, quando cheguei lá vejo os garotos levantando a mão com tomates para jogar em Charlie.
Não sei o que eu estava pensando, não sei o que esperava dos meus impulsos, não sei como iria impedir aquilo, só sei que entrei na frente e recebi todos aqueles tomates em minhas costas, ela estava com os olhos fechados esperando receber aqueles tomates fedorentos, A Charlie Carter estava encolhida, enquanto isso acontecia olhava para ela, queria realmente entender o porque estava fazendo isso, queria entender porque eu não conseguia parar de olhar para ela, era como se algo dentro de mim não deixasse eu ficar longe, Charlie tampava o rosto com as mãos, seu lindo rosto, olhava sua pele e via suas veias, seu sangue corria por essas veias, sentia o cheiro de longe, tentava me controlar em todo aqueles instantes, seu sangue tinha um cheiro intenso, um sangue tão atrativo que não conseguia explicar, só sei que me chama, me chama muito.
Depois de alguns minutos ela abre os olhos, seus belos olhos crescem a pupila e a primeira coisa que ela faz é olhar para mim, a Charlie Carter olhou em meus olhos, com aquele olhar carinhoso, Ela seria a primeira garota a me olhar fixamente nos olhos, seu sangue corriam por suas veias mais e mais, seu coração estava acelerado dava para ouvir seus batimentos, então naquele momento eu percebi que estava me apaixonando por uma humana, estava me apaixonando por uma bela, doce e frágil humana, igual aos contos de filmes, mas, nós não somos protagonistas e então no mesmo momento que percebi que estava apaixonado também me deparei com a realidade que sou, o monstro que habita em mim não iria ficar quieto até beber todo seu sangue.
Ela me abraçou, não conseguir reagir porque sabia que não podia me apaixonar por uma humana ou os clãs poderiam querer mata-lá tudo para esconder o segredo dos vampiros, não poderia deixar ela correr perigo por minha causa, além dos clãs eu também representava um perigo total para a doce e bela Charlie.
Sair da presença dela pensativo e caminhando devagar, precisava me concentrar em apenas viver a rotina, uma rotina que venho vivendo há anos e mais anos, mesmo que não quisesse me apegar há uma frágil ser humana, eu só conseguir sair dali porque sentir que ela iria ficar bem, realmente a Charlie Carter iria ficar bem ali, tudo que sentia era isso e então fui embora.
Charlie Carter
Sentir o amor é olhar em seus olhos e sentir o seu coração bater tão forte que seria até capaz de voar para longe do seu peito, sentia minhas veias pulsarem, as minhas veias artérias pulsavam forte, algo de maravilhoso havia naqueles olhos tentadores, pensar tanto no Renato Smith me tirava do sério, O dia foi longo e cheio de surpresas, perguntas invadiam minha mente, como ele sabia que eu precisava de ajuda? Como? Muitas perguntas vem em minha cabeça sem parar, era como se ele sentisse tudo que sinto, seus olhos fixos nos meus me diziam que há algo que ele me esconde, seus olhos me traziam paz, mas sentia ele atormentado quando estava perto de mim, mesmo assim ele era como meu anjo, o meu belo anjo.
—Ele é um ser humano ou um anjo? — Me perguntava enquanto olhava meu reflexo no espelho, Renato Smith era como um ser inesquecível, olhar para ele já era o bastante para não conseguir tirá-lo da cabeça.
Parece que eu me apaixonei sem nem ao menos beija-lo, me apaixonei por ele sem nem ao menos vê-lo todos os dias, me apaixonei por um garoto que nem sei direito quem é, me apaixonei por apenas olhar em seus olhos, estava perdida em meus pensamentos, deitada na minha cama enquanto ouvia uma música bem baixinha “ Apocalypse - Cigarettes After s*x” estava me sentindo uma garotinha do ensino fundamental, Mas algo me chamou atenção, logo levanto da cama e desligo o som para ouvir melhor, eram gritos, ouvir gritos e esses gritos vinham do quarto de minha mãe.
Não sabia o que estava acontecendo, não sabia o que iria fazer para resolver isso mas, Corri muito rápido, precisava chegar logo até ela, nunca tinha ouvido ela gritar assim, chegando lá vi que a porta estava encostada, parei, respirei fundo e devagar me encontrei para vê o que estava acontecendo, quando olhei pela precha da porta vi meu pai segurando o cabelo da minha mãe e dando socos em seu rosto, ele estava muito fora de si e nunca havia visto ele assim.
—Paraaaa, paraaaaa por favor... — A mamãe gritava em meio as lágrimas, Minha mãe gritava desesperada.
Não sabia o que fazer, no meu pensamento só vinha uma só pergunta “Será que ele vai vim mais uma vez ser meu anjo?” Minha mãe estava muito machucada, Seu rosto estava repleto de sangue e a mão do papai estava coberta de sangue também, o sangue de minha mãe, como poderia um casal que tanto se amam acabar assim, sentia um desespero tomar conta do meu corpo, não conseguia saber o que fazer, com o coração batendo forte e rápido entrei no quarto de vez, precisava de algum jeito parar com tudo aquilo que estava acontecendo.
—Papai para com isso! — Minha voz era firme, meu coração estava abalado em vê aquela cena pela primeira vez, minhas mãos tremiam, assim que ele ouviu minha voz parou de bater na mamãe e virou-se para mim.
Sentia meu corpo todo congelar, aquele olhar não era o olhar que meu pai olhava para mim, seu olhar era outro, antes era um olhar de carinho e respeito, mas naquele momento não, naquele momento era um olhar de ódio.
—Vá embora filha! — A mamãe gritava desesperada.
—Não mamãe! não vou deixá-la! — Falei com determinação, precisava tirar minha mãe daquela situação, mesmo sem saber o que fazer eu precisava fazer algo, me sentia tão confusa.
O que é o amor na verdade? O amor não seria o maior sentimento que existe? Então porque meu pai estava batendo tanto na mulher que tanto amava? Não conseguia entender, tudo aquilo era difícil para mim.
Ele largou o cabelo da minha mãe e virou mais ainda para mim, ele não era o mesmo, aquele não poderia ser meu pai, era o corpo dele, mas, aquele olhar era diferente, o meu pai nunca bateria na mamãe, ele sempre falou que não se deve bater em uma mulher, como pode ele mudar assim? Tão rápido?
—Corra Charlie .... — A mamãe gritava para que eu saísse dali, ela queria que eu fosse para longe, a mamãe queria que eu me escondesse, ele virou para ela outra vez e deu outro soco que há deixou desmaiada, a minha mãe estava desacordada e toda machucada.
Meu coração batia forte, sentia uma dor no peito que parecia me consumir por dentro, o ar não conseguia ir para meus pulmões, enquanto corria para sair dali sentia meu corpo todo suar, era um suor frio, desci as escadas correndo, tinha uma sensação de palpitação, tinha conseguido descer todas as escadas antes que ele chegasse a mim, mas quando peguei no trinque da porta vi que estava fechada de chave porém a chave não estava lá, a chave não estava comigo, Quando me virei outra vez vi meu pai olhando para mim, ele pegou em meus cabelos e puxou, cair no chão, sentia que precisava sair dali e pedir ajuda para a mamãe então tentava me sair dali a qualquer custo, ele pegou um sinto que estava em sua cintura e começou a me bater.
—Para pai por favor! — Suplicava para que ele parasse porém não ouvia nem um piu se quer de sua voz e não parava de me bater, era como se aquilo fosse algo mais forte que ele, em seus olhos não havia mais amor e sim apenas ódio e dor.
Em meio toda aquela dor que as pancadas me causavam só conseguia pensar em como desejava olhar pelo menos mais uma vez no olhos do Renato, tudo aquilo me machucava muito, mas não me machucava tanto o quanto não poder vê-lo mais.
Juntando forças de onde nem sabia que tinha bati forte na cabeça do papai com um boneco de decoração de porta que tinha ao meu alcance, levantei do chão sentindo muitas dores, meu corpo estava cortado da fivela do cinto, mas nada daquilo poderia me parar, precisava salvar a minha mãe e então corri, estava muito fraca, sentia meu corpo todo doer, tinha perdido muito sangue com aqueles cortes feitos pela fivela e então ele alcançou meu cabelo e me derrubou no chão outra vez, bati muito forte a cabeça no chão.
Naquele momento não conseguia saber o que fazer comigo e nem com a mamãe, mas, sentia que não queria morrer, não daquele jeito, não daquela forma, o jeito que sempre quis morrer não tinha nada haver com dor e sofrimento, eu sempre desejei morrer nos braços da pessoa que amo e ali perdida em meus pensamentos estava sem sentir meu corpo, parecia que tudo estava congelado, então olhando o papai me bater não conseguia me mexer, via o rosto dele ficar turvo, me sentia tonta e enjoada, por fim meus olhos foi fechando de pouco á pouco.
Será que aquele seria meu fim? Será que iria morrer sem antes conhecer de verdade o que é o amor, naquele momento sentia vergonha de mim mesma, era difícil aceitar a própria morte, minha mente lutava a todo momento, mas meu corpo, o meu corpo estava se entregando aos poucos sem nem ao menos lutar, abrindo novamente meus olhos lentamente sentia eles pesarem, até que vi quando alguém jogou um vaso na cabeça do meu pai e então ele caiu do meu lado, ali vendo que poderia finalmente salvar a minha mãe fechei meus olhos e me entreguei ao escuro.