Cinema... que furada...cap...13

651 Palavras
ISABELA FERRARI  Chego em casa exausta. Nem olho pro lado — vou direto pro meu quarto. Preciso de um banho quente e cinco minutos sem pensar em Victor Alencar, na barraqueira da noiva dele ou nas minhas tarefas infinitas. Tiro a roupa no caminho até o chuveiro, como quem se livra de peso. Depois do banho, visto uma roupa confortável e me jogo na cama. Ainda é cedo… Dá pra dormir um pouquinho. Ontem não dormi nada. E Fer ainda não chegou. Paz. Finalmente. — Acorda, Isa! Acorda! — ouço a voz dela como se estivesse embaixo d’água. — Só mais cinco minutos... — murmuro. — Vamos nos atrasar, miga! — diz animada. — Já acordei! Que horas são? — Sete e meia. — Já?! Dormi demais, certeza. — Imagina! Dormiu nada! — responde rindo. Rimos juntas. Me espreguiço como um gato e vou direto ao banheiro. — Vou tomar banho. Já saímos, ok? — Beleza. Vou só escolher a roupa do século. Depois de escovar os dentes e secar o cabelo rapidinho, pego um vestidinho preto básico, daqueles que salvam a dignidade em qualquer rolê. Mas fico com um pé atrás… Fer nunca chama pra “só um cinema”. Sempre tem um plot. — Pronta, miga? — Sim. Você tá gata. — Obrigada. Você tá mais. — Estamos! — responde, rindo. No caminho até o shopping, conto tudo o que aconteceu com Aline, com o Victor, com o inferno do dia. Fer ouve em silêncio. Mas dá pra ver nos olhos dela a fúria subindo. — Aquela mulher é um lixo. E esse seu chefe precisa de terapia e umas palmadas. — Eu quase pedi demissão, Fer. De verdade. Já no cinema, dou de cara com dois rapazes vindo na nossa direção. Um moreno e um loiro, ambos vestidos como se fossem dar entrevista pra reality show. Sorriso de orelha a orelha. — Boa noite, garotas. — diz o moreno. — Boa noite. — respondemos juntas. Eu sabia. Era furada. Fer armou isso. De novo. — Fernanda, você me paga. — sussurro. — É só um cineminha, miga. Não é casamento. Já que você vai casar com seu chefe mesmo… — Fer, não começa. — Não é maluquice! É visão. Intuição feminina. — Ah, pai… me dá paciência. — Prazer, sou o Rick. — diz o loiro, já piscando pra mim. — Fernanda. E essa é minha amiga Isabela. — ela diz. — E eu sou o Marcos. — completa o moreno, colando nela. — Prazer, rapazes. — respondo, educada e nada entusiasmada. Descubro rapidinho que Marcos está ficando com a Fer e trouxe o amigo pra me fazer companhia. Eu mereço. Entramos na sala e escolhemos um filme: Alerta Vermelho, com o The Rock, Gal Gadot e Ryan Reynolds. A combinação perfeita: ação, comédia e zero espaço pra cantadas. Mas claro que nem isso é garantido. Rick senta ao meu lado. E começa com as gracinhas. — Vem cá, morena… me dá um beijinho. — Tá louco? Óbvio que não. — Ah, por quê? Vamos nos divertir, só um pouco. — Desculpa, Rick. Não tô afim. — Você não sabe o que tá perdendo. — diz, com aquele sorriso de salão de bronzeamento. — Sei sim. E sinceramente? Não tô perdendo nada. Ele se cala, ofendido, e sai da sala. Aleluia. — Miga… de novo? — Fer cochicha. — Já vai tarde. Agora posso assistir ao filme em paz. — Isa, você não toma jeito. — Você que não para de me enfiar em encontros com idiotas. — Só quero ver minha amiga feliz. — E eu sou. — Não parece. — Shhh. Vamos assistir. — volto a olhar pra tela. Mas por dentro… A felicidade ainda parece distante. Ela tá presa atrás das grades onde meu irmão dorme todas as noites. E eu sei que a culpa por ele estar lá… É minha.
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