Victor Alencar Depois que a Isabela saiu da minha sala, eu me afundei no trabalho como um viciado em fuga. Digitei, revisei, analisei contratos, dei ordens e dispensei qualquer um que ousasse respirar do meu lado. Só quando o relógio passou das oito da noite percebi que estava sozinho. Só eu, meu ódio e a saudade desgraçada que me consumia por dentro. Peguei minhas coisas, saí da empresa e fui direto para o primeiro barzinho que encontrei. Pedi a garrafa mais barata de whisky — uma porcaria digna do lixo, mas que combinava perfeitamente com o lixo que eu sentia ser naquele momento. Acordei desnorteado. A cabeça latejava. O quarto não era o meu. Olhei pro lado… Aline. De camisa minha. Dormindo como se tivesse feito a melhor transa da vida. — Porra... — murmurei, me sentando devagar.

