Com o coração apertado, subo as escadas até o quarto que compartilhava com Anya, ansiosa para começar a arrumar minhas coisas e me preparar para a mudança para a casa de Viktor. No entanto, ao abrir a porta, sou recebida por um cenário vazio e silencioso.
Meus pertences estão cuidadosamente organizados em minha mala, exatamente como os deixei, mas as coisas de Anya desapareceram sem deixar rastro. Um arrepio percorre minha espinha quando percebo que Anya não está em lugar algum.
— Anya? — chamo, minha voz ecoando pelo quarto vazio. Não há resposta. Corro para o banheiro, mas encontro apenas o som do silêncio.
Uma sensação de pânico começa a se insinuar em meu peito. O que aconteceu com Anya? Para onde ela foi tão repentinamente? Me pergunto se Sergei teve algo a ver com o desaparecimento de minha amiga, mas uma voz em minha mente me lembra de que m*l o conheço e não tenho motivos para suspeitar dele.
Com o coração acelerado, volto para o quarto e começo a arrumar minhas coisas com mãos trêmulas. Se Anya realmente desapareceu, sei que não posso ficar ali parada, esperando por respostas que podem nunca chegar. Preciso agir rápido para descobrir o que aconteceu e ajudar minha amiga.
Desço as escadas com determinação, pronta para enfrentar o desconhecido que me aguarda lá fora. Encontro Sergei, que espera pacientemente na entrada do prédio.
— Sergei. — Digo, minha voz soando firme apesar do nervosismo que me consome por dentro.
Sergei assente, e nós seguimos em direção ao carro estacionado do lado de fora. Enquanto entramos no veículo, não consigo conter a ansiedade e pergunto:
— Você sabe o que aconteceu com Anya? Ela desapareceu sem deixar rastro e estou preocupada.
Sergei me olha com seriedade, mas sua expressão é indecifrável.
— Não sei do que está falando, Luna. Não tive contato com Anya desde que nos conhecemos na boate.
Um arrepio percorre minha espinha enquanto observo o rosto impassível de Sergei. Quero acreditar nele, mas uma parte de mim ainda suspeita que ele possa estar escondendo algo.
— Preciso encontrar Anya, Sergei. Ela é minha amiga e não posso simplesmente deixar isso para lá — Insisto.
Mas ele se mantém em silêncio e fica me olhando, até que ele aponta para o carro, mostrando a porta já aberta para que eu entre e ele me tire dali.
Sergei conduz o carro pelas ruas movimentadas de Dublin até chegarmos à imponente casa de Viktor. Assim que paramos em frente à residência, uma sensação de nervosismo toma conta de mim. Estou prestes a entrar na casa de um homem que m*l conheço, mas que parece ter um poder e influência imensuráveis.
Ao atravessar o portão de entrada, sou recebida por uma mulher de meia-idade com uma aparência jovial. Ela nos conduz até a sala de estar e oferece chá, mas minha mente está tão agitada que m*l consigo me concentrar em qualquer coisa que não seja o desaparecimento de Anya.
— O senhor Viktor deve estar chegando em breve, Srta. Luna. Posso oferecer algo para comer enquanto espera? — Ela pergunta com um sotaque carregado.
— Agradeço sua gentileza. — Mas recuso educadamente sua oferta. Minha mente está repleta de preocupações e incertezas, e não consigo relaxar.
— Está é Ivanova, a Governanta da cara. — Sergei nos apresentou educadamente.
— Será a nova Babá do nosso pequeno Príncipe? Ela perguntou com educação e um sorriso no rosto e eu retribui.
— Sim, espero que ele goste de mim. — Meu inglês muito enrolado ainda, mas de algum maneira eles entendiam perfeitamente.
— O Senhor Viktor já está a caminho. — Ela falou e alguém falou com ela pelo fone em seu ouvido, ela nos deu as costas e saiu andando.
Enquanto espero, observo atentamente os detalhes da luxuosa sala de estar. Quadros caros adornam as paredes, móveis elegantes preenchem o espaço e uma lareira crepita suavemente ao fundo. Tudo parece tão distante da minha realidade humilde no Brasil.
Decidi explorar a casa enquanto espero a chegada de Viktor. Ivanova me deixa à vontade para circular pelos cômodos, e eu me vejo vagando pelos corredores espaçosos, maravilhando-me com a magnificência da residência.
À medida que percorro os corredores, meus olhos são atraídos por uma porta entreaberta. Curiosa, empurro-a suavemente e entro em um quarto amplo e bem-iluminado. No centro do quarto, há uma cama infantil adornada com lençóis de seda e brinquedos cuidadosamente arrumados.
Meus olhos são então atraídos para uma foto emoldurada sobre a cômoda ao lado da cama. Na fotografia, uma mulher morena sorri radiante para a câmera, seus olhos claros brilhando com ternura. Ela é deslumbrante, e sua beleza irradia da imagem como um raio de sol em um dia nublado.
Fico parada diante da foto por um momento, contemplando a mulher desconhecida. Quem é ela? Será a esposa de Viktor? Uma onda de curiosidade me invade, mas ao mesmo tempo, sinto-me invadindo a privacidade de uma família que m*l conheço.
Enquanto me preparo para deixar o quarto e continuar minha exploração pela casa, um leve ruído atrai minha atenção. Meu coração salta no peito quando percebo a presença de alguém na porta.
Com um movimento lento, viro-me lentamente, e meus olhos encontram os de Viktor, que está parado na entrada do quarto, me observando com uma expressão indescritível. Uma mistura de surpresa, constrangimento e nervosismo percorre meu corpo enquanto nossos olhares se encontram.
— Sr. Viktor... Eu... Eu estava apenas...
Minhas palavras se perdem no ar enquanto tento encontrar uma desculpa para minha intromissão. Sinto-me como uma criança pega com a mão na jarra de biscoitos, mas sei que não posso deixar que minha hesitação seja percebida por ele.
Viktor permanece em silêncio por um momento, seus olhos fixos nos meus com uma intensidade que me deixa desconfortável. Finalmente, ele quebra o silêncio com uma voz suave e controlada.
— Estava sendo curiosa e descuidada. — Ele falou e eu permaneci em silêncio sem saber o que falar. — Por favor.
Com um aceno de cabeça, Viktor se afasta da porta e faz um gesto convidativo para que eu o siga. Com o coração batendo descompassado no peito, sigo-o pelo corredor.
Viktor me conduz pelo corredor até uma sala espaçosa, decorada com uma infinidade de brinquedos coloridos espalhados pelo chão. No centro da sala, um menino pequeno está absorto em suas brincadeiras, seu rosto é iluminado por um sorriso inocente.
Fico parada à entrada da sala, observando a cena com admiração. O menino parece estar completamente absorto em seu mundo de fantasia, alheio à nossa presença.
Viktor se aproxima do menino com passos cuidadosos e se ajoelha ao seu lado. Seus olhos se encontram por um momento, e vejo uma ternura e amor genuínos refletidos no olhar de Viktor enquanto ele sorri para o menino.
— Este é meu filho, Nikolai — Viktor diz, sua voz suave e carinhosa. — Nikolai, esta é Luna. Ela será sua nova babá.
O menino olha para mim com curiosidade, seus olhos azuis brilhando com interesse. Estendo a mão timidamente em sua direção, e ele a segura com uma confiança surpreendente para alguém tão pequeno.
— Prazer em conhecê-lo, Nikolai — digo, meu coração derretendo diante da adorável inocência do menino.
Viktor observa nosso breve encontro com um sorriso orgulhoso no rosto. Por um momento, o peso da responsabilidade que assumi ao aceitar esse trabalho se torna palpável, mas também sinto uma sensação de calor e gratidão por ter a oportunidade de cuidar desse menino encantador.