Capitulo 18 part3

1435 Palavras
Depois do natal, Liam e Sophia viajaram. Iam passar o ano novo em Londres. Perrie viajou, não se sabe pra onde, e Aaliyah foi pra Chicago (tudo indicava que com Louis, mas Shawn não conseguiu descobrir). Niall cancelou a viagem com Madison, mais uma vez super protetor, sem querer que ela viajasse de avião. Isso a irritou. Assim sobraram na casa Camila e Shawn, Karen e Greg, Madison e Niall. Os dias que se vieram foram os mais calmos que Camila tivera desde que se casara - com a mãe por perto Shawn não podia ameaçá-la, atacá-la, forçá-la a cozinhar ou a qualquer coisa. Ele tinha, simplesmente, que deixá-la em paz, e tratá-la bem quando a mãe estivesse por perto. Na noite do ano novo houve uma ceia, e Niall e Madison foram para o Madison Square Garden, ver a passagem de ano no camarote patrocinado pela empresa. Camila queria ir. Shawn negou. Isso a irritou. Comeu pouco, fez sala um instante e foi dormir. Tentou (verdadeiramente) resistir quando ele chegou, mas terminaram transando, e foi ótimo, como sempre. Isso a irritou mais ainda. No dia seguinte, como não nevava, Camila saiu pra andar. Estava tudo muito calmo, e andando pelo jardim ela se viu parada em frente ao portão, sem perceber seu rumo. Olhou o muro imenso, o portão de madeira pesada, as câmeras de segurança em volta dela. Segurança: Algum problema, senhora Mendes? - Perguntou, educado, se aproximando. Usava terno e gravata, tinha uma escuta no ouvido, estava armado e tinha as mãos pra trás. Camila já vira dezenas deles pela propriedade, sempre discretos porém sempre presentes. Camila: Não. Tudo tranquilo. - Dispensou, olhando um detalhe esculpido no portão imenso de madeira.   Segurança: Precisando é só avisar. - Disse, e se retirou, silenciosamente como chegara.   Camila se aproximou do portão. Não era como portões de ferro, onde se podia ver o outro lado. Era como uma porta de madeira, gigante e pesada. Ela encostou a testa na madeira, uma das mãos tocando-a, as unhas arranhando-a inutilmente. Sentia tanta vontade de sair. De ir às compras, talvez, ou de só sair andando, vendo as pessoas. De retomar seus projetos, de fugir daquela loucura toda, ir pra um lugar onde não pudesse ser alcançada. Onde um certo alguém jamais a encontraria. Falando nele...   Shawn: Indo a algum lugar, querida? - Perguntou, irônico, e Camila continuou com a testa na madeira do portão. É claro que o segurança ia avisar que ela estava parada fazia bem meia hora em frente ao portão. Camila: Vá embora. - Pediu, cansada. Pela primeira vez, estava fraquejando. Temia perder essa briga - Me deixe em paz. - Completou.   Shawn: Minha mãe está preocupada. - Avisou.   Camila: Sua mãe não pode me ver da mansão. Me deixe em paz. - Disse, rouca, arranhando a madeira com mais força.   Shawn: Não, mas estava lá quando vieram me avisar de você. - Disse, tranquilo - O que houve, rainha Camila? A torre Branca não é o suficiente pra você? - Perguntou, irônico. Camila: Não pode me manter presa pra sempre. - Disse, cansada. Ele tomou fôlego pra responder, mas ela o cortou - f**a-se o contrato, você não pode fazer isso.   Shawn: Nós m*l começamos a jogar e você já está pedindo arrego? - Debochou. Camila respirou fundo, virando o rosto para olhá-lo. Usava calça jeans e um suéter vermelho escuro, as mãos no bolso, as costas amparadas no portão. Camila: Então o que, Shawn? - Perguntou, encarando-o - Você me mantém presa, você me tortura, você me degrada, você já me bateu uma vez e vai fazer de novo na próxima vez em que eu te enfurecer, se aproveitando de que eu não posso me queixar contra isso. - Começou, esperando - Até quando vai levar isso adiante?   Shawn: O fato de eu ter batido em você não te abala. - Comentou, desprezando a pergunta dela.   Camila: Nessa sua cabeça conturbada uma pessoa que já viveu o que eu vivi ainda tem a capacidade de sentir medo de dor física? - Perguntou, irônica - Não tenho medo. Bata quantas vezes quiser. Faça o que quiser, mas acabe com esse inferno de uma vez. - Disse, exasperada, e ele sorriu, farejando o desespero nela. Shawn: Continua até eu dizer que acabou. - Disse, sorrindo, satisfeito - É uma pena você estar tão cansada, porque eu só comecei. - Admitiu. - Mas, é claro, você sempre pode pedir o divorcio. - Lembrou, e Camila rosnou.   Camila: Nunca. - Cuspiu, raivosa.   Shawn: Então pare de fazer cena e se queixar como uma criança. - Disse, simples - Voltaremos pra casa amanhã. Talvez o ambiente familiar faça você se sentir melhor. - Disse, tranquilo. Camila se sentiu claustrofóbica de repente, recuando um passo. Camila: Você vai me trancar no apartamento de novo. - Disse, a respiração presa no peito, um olho se enchendo d‟agua mesmo contra a vontade dela.   Shawn: Você esperava o contrario? - Perguntou, falsamente confuso.   Camila: Eu salvei a vida da sua irmã. - Rosnou, atordoada, recuando.   Shawn: Eu agradeci. - Rebateu, obvio novamente.   Camila: Vá pro inferno. - Rosnou, a lágrima caindo e deu as costas, saindo dali, indo pra qualquer lugar longe daquele infeliz. Não rápido o suficiente pra evitar ouvir a resposta. Shawn: Onde você acha que estamos? - Perguntou, divertido.   Camila teve um acesso de choro, escondida, sozinha, atrás do borboletário. Colocara a cabeça entre as pernas, as mãos dentro dos cabelos e chorou. Estar presa ali já era r**m, mesmo ela podendo circular pela propriedade, mas voltar ao apartamento... No topo da cidade, inalcançável, sozinha. O peito dela doía só de pensar. Ela se lembrou da felicidade bruta do pai ao vê-la junto a Shawn no natal e chorou mais ainda, puxando os cabelos curtos pela raiz. Levou um tempo ali, até se recuperar. Karen: Oh, querida, eu estava preocupada. - Disse, indo até Camila quando essa apareceu na cozinha, tendo grama grudada no jeans que usava, o rosto vermelho, os olhos impassíveis. Só o rosto dela estava vermelho - Você está bem? Camila: Com uma enxaqueca. Nada demais. - Disse, a voz morta, e Karen assentiu. Karen: Liam deixou remédios, você quer um? - Perguntou, solicita. Camila teve uma breve vontade de contar a Karen o motivo de sua enxaqueca e observar a solidariedade sumir do rosto da sogra, mas se reprimiu.   Camila: Não, eu já tomei. - Disse, suspirando - Precisa de ajuda?   Karen: Não. Só estou me desfazendo do resto da ceia de ontem. - Era sempre muita comida, e Karen mandava que fosse distribuída para moradores de rua - Ei, isso não. Eu creio que estragou. Era uma torta. Camada de massa, normal, mas recheada de doce de leite e morango. Karen avaliou e pediu a opinião de Camila: Definitivamente azedara. Foi pra cima da bancada, enquanto Karen dava ordens em direção ao resto. Camila subiu, foi se deitar. Sua cabeça não doía, de fato. O peito doía em pensar pra onde ela iria no dia de amanhã. Só saiu do quarto no fim da tarde: Shawn e Karen caminhavam pelo gramado, ele abraçando a mãe pelo ombro, e ela queria água. Sua mente estava a mil. O placar estava a favor dele: Até agressão física ele alcançara. Ela precisava se lembrar. Precisava de um modo de rebater, de empatar o jogo. Greg: Olá, Camila. - Disse, simpático, parado na frente da cozinha.- Estou faminto, você quer alguma coisa? - Camila o olhou por um instante, pequeno e frágil, e um lampejo nítido veio em sua cabeça. - O que os Mendes prezam mais que tudo? - A família. - O modo mais fácil de atingir a todos é derrubando um deles, desencadeando um efeito dominó." Camila: Claro. - Disse, o olhar distante, sorrindo de canto - Eu vim mesmo fazer um lanche. Quer torta? - Perguntou, e se virou, apanhando a torta estragada, desprezada por Karen, se virando. Greg: Claro! - Disse, se sentando. Não estava estragada ao ponto de feder, ou perder o gosto. Só não servia mais pra ser comida. Camila ignorou isso, cortando uma fatia generosa da torta e servindo pro garoto.   Greg: Você não vai comer? - Perguntou, pegando o garfo. Camila: Oh, eu já comi. - Garantiu, parecendo sincera - Está uma delicia. - Greg assentiu, afundando o garfo na torta e comendo o primeiro pedaço com vontade. Camila sorriu, observando o primeiro dominó cair. Não tinha seguidoras, não usava tiaras nem meias de seda, mas parecia que a Camila do St. Jude estava de volta. Estava furiosa, e queria vingança pelo que fora feito dela.
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