Capítulo 3

2299 Palavras
Angelina Depois de quase cinco horas de viagem, contando com um engarrafamento exaustivo, conseguimos finalmente chegar em Unamar. O relógio marcava 16h da tarde, e todos já estávamos arrancando os cabelos de tanta fome, e cansaço. - Vou pedir uma quentinha.- minha madrinha avisa, e todos nós concordamos. Ninguém queria ir para a cozinha uma hora dessas, e a minha madrinha que é a dona da comida mais gostosa que eu já comi na vida, nesse momento, não tem condições nenhuma de cozinhar para todos nós, então, optamos por uma quentinha mesmo. Cada um escolhe a opção que deseja no cardápio, e enquanto aguardamos chegar, vamos arrumando nossas coisas no lugar. A casa aqui é duplex, contém dois quartos, e dois banheiros, sendo um na parte de cima, e um nós fundo da casa, na pequena área de serviço na parte de baixo. Os dois banheiros tem chuveiro e é o que facilita muito na hora de sair para algum lugar, ninguém precisa ficar brigando para se arrumar. A divisão dos quartos é sempre a mesma. Eu e Emma ficamos com o quarto cor-de-rosa, ao lado do banheiro de cima, onde já deixamos nossos colchonetes, e mesmo fazendo algum tempo que não venho aqui, o meu cantinho continua reservado. Minha madrinha tem problemas com obesidade, e consequentemente, tem vários outros problemas por conta disso. Para ela não dormir no chão, o tio Benjamin comprou uma cama de casal, que também já fica no outro quarto para ela. Olívia, sua sobrinha mais velha, sempre aproveita para dormir ao seu na cama. Abigail, seu filho mais novo Lucas, Noah, Linda e Eva, dormem em uma grande cama que eles fazem no chão do quarto onde dorme minha madrinha e Olívia. O quarto deles é o principal da casa, e é claro, o maior dos dois. Nele tem uma enorme porta de vidro que dá na varanda, e dessa varanda, dá para vê perfeitamente a rua, e a parte de baixo da casa, onde fica o chuveirão, a churrasqueira, os brinquedos das crianças, e também onde guardamos os carros a noite. O tio Benjamim prefere dormir na sala lá embaixo, onde fica a cozinha americana, um sofá retrátil, e a TV que é o mais importante para ele. - Olha, terminaram de construir a casa da frente.- Linda diz boqueaberta.- e por sinal, parecer ter gente em casa.- ela diz ainda observando. Todos nós ficamos curiosos para saber do que ela estava falando, e paramos o que estávamos fazendo na hora para ir na varandinha do quarto espiar casa. É enorme, da última vez que viemos aqui, ainda estava sendo construída. Na verdade, na última vez que eu vim aqui, ela ainda era só um terreno vazio, não tinha nem sido comprada ainda - p***a, fizeram um casarão mesmo hein.- Noah diz observando o lugar. Algo me é familiar… A construção é simplesmente a casa mais linda que eu já vi na vida, não dá pra ver perfeitamente, pois assim como a nossa casa, ela é bastante alta, e provavelmente muito grande, mas, a parte da frente parece um monumento. Ela é pintada de azul. -a minha cor preferida- É um azul-marinho bem escuro, com um acabamento perfeito. Portão branco automático, uma parte da entrada é gramadinha, tem um poste com uma luminária em formato de bola, da mesma cor do portão no meio do gramado. Um corredor ao lado todo no piso, que provavelmente dará nos fundos da casa. É perfeita! Janelas brancas dão um contraste com a parede azul escuras, e deixa o lugar bem mais sofisticado. Tento me lembra, sinto que já há vi antes. - Linda mesmo.- diz Abigail concordando com o irmão. - Gente, eu acho que sonhei com essa casa.- falo me lembrando de algo, e todos começam a rir.- é sério, essa casa é a casa dos meus sonhos. E não e mentira minha. Eu me lembro agora, sempre sonhei com uma casa parecida com essa, e ela parecer ter saído exatamente da minha cabeça. - Quem nunca sonhou em ter uma casa como essa Angelina?- Emma diz irônica, e os outros concordam. Mas eles não entenderam, é um sentimento de Déjà-vu, como se eu tivesse escolhido cadê detalhe feito ali. Estranho! No final, deixamos de admirar a casa dos outros, e voltamos aos nossos afazeres, até que nossa comida finalmente chega. Agradeço a Deus pela nossa refeição, e ataco a minha marmita de carne assada com macarronese e farofinha. Ma-ra-vi-lho-sa! Nós comemos nossa comida, saboreando cada pedaço, conversando sobre coisas aleatórias. Rimos da implicâncias do Noah com a Emma, e a da Emma com a Linda. Mas tarde, quando terminamos de comer, resolvemos ir para a praia, aproveitar o restante do dia. Pegamos cadeiras, cangas, brinquedos de areia para as crianças, e casacos. Estamos no outono, e a essa hora, o friozinho está a todo vapor, e por isso, nós temos que nos agasalhar bem durante a noite. Saímos no portão em direção a praia que fica a alguns metros da casa, atravessamos a rua e já sentimos a areia nos nossos pés. Como eu precisava disso! Sentir o cheiro de mar, o vento soprando em meu rosto, o barulho das ondas batendo na areia, e o silêncio do horizonte. A luz do final da tarde torna tudo mais pitoresco, algo que eu não pude deixar de registrar com a câmera do meu celular. É uma paisagem e tanto! Aproveito que estou com meu celular na mão e mando mensagem para os meus pais avisando que chegamos bem, e vejo que tenho uma nova mensagem de Thomas. Meu corpo logo congela. Respiro fundo. Abro a aba da nossa conversa, já me preparando para o drama. ‘Não passou sequer um dia, e você já está me deixando de lado. Muito obrigada por isso. Divirta-se!’ Escreveu ele. Merda! Merda! Mil vezes, merda! Parecia que eu podia ouvir as palavras saindo de sua boca perfeitamente, com aquela voz de menino mimado e irritado que ele sempre faz. Eu não sei mais o que fazer, ou dizer para que ele entenda de uma vez por todas que eu jamais iria fazer isso com ele, p***a! Resolvo ligar para ele, e tentar -mesmo sabendo que é quase impossível- acalmar seu humor ácido. O telefone toca, e ele me atende no terceiro toque. - Alô. - Oi Tom, cheguei aqui quase agora, você está bem? - Estou bem, onde você está? - Estou na praia aqui da esquina mesmo, chegamos cansados e resolvemos ficar por aqui mesmo hoje. - Hum…- sua voz sai hesitante. - Está chateado?- pergunto ja sabendo a resposta. - O que você acha? São as nossas ferias, e você preferiu passá-las bem longe de mim. Como eu deveria está me sentindo, Angelina?- seu tom é áspero. - Não fala assim Thomas. - Eu falo somente a verdade! Você quis se livrar de mim e foi para longe. Eu não estou bem com isso, e não vou ficar escondendo só para você se sentir melhor. - Você não precisa ficar assim, nós já conversamos sobre isso. São só duas semanas, logo vou está de volta e você não irá nem se lembrar desses dias que ficamos longe um outro.- escuto ele sorrir pelo nariz, como forma de deboche e incredulidade. - Acho muito difícil eu me esquecer disso, Angelina, muito difícil! - Aí Thomas, pelo amor de Deus, eu preciso disso, por favor, me entenda. A gente anda brigando muito, é necessito desse espaço. - Tá bom Angelina, eu já entendi, você precisa fica o mais longe de mim possível. Espero que ache o que está procurando. Ele desliga o telefone na minha cara, e eu fico olhando o aparelho sem acreditar que ele realmente fez aquilo. Cara, pra que isso? Thomas parece uma criança mimada, quer que tudo sempre seja do seu jeito, e isso está afetando muito a nossa convivência. Parece que eu preciso está o tempo todo medindo o que falar para não gerar um conflito maior a cada conversa. Ele parece minar qualquer possibilidade da gente se resolver. Parece um explosivo, preste a explodir a qualquer momento. - O que ouve Angel?.- Linda senta ao meu lado, percebendo meu olhar de exaustão. - O de sempre.- sussurro, sabendo que como meus pais, ninguém aqui concorda com o meu relacionamento com Thomas, então prefiro não entrar em detalhes sobre ele. - Entendo, relacionamentos são complicados mesmo.- ela diz olhando para o mar, sabendo exatamente do que se trata. Thomas é desse jeito desde sempre, ele nunca fingiu ser quem não é, mas de uns tempos pra cá, tem ficado cada vez mais difícil. Algo não está se encaixando. - Nem me fale.- suspiro esgotada e triste ao mesmo tempo. - Mas olha que coisa linda.- ela diz relaxando o corpo com as mãos espalmadas na areia, se inclinando um pouco para trás, contemplando a visão expandida que temos o privilégio de observar a nossa frente.- se você não tiver o mínimo de paz aqui, não terá em lugar algum.- ela me dá um sorriso ao terminar sua frase. - Será mesmo? Tô começando achar que esse negócio de paz definitivamente não se aplica a mim.- respondo desanimada. Eu gosto do Thomas, sei que a gente pode sim construir um futuro juntos. Mas acho que está faltando algo, eu não sei o que é, mas sinto que alguma coisa me falta. - Quer vê você ter paz para organizar sua mente, e voltar mais tranquila para casa depois?.- ela pergunta, e eu me viro para encarar seu rosto, em expectativa.- me dá aqui seu celular.- pede com a mão esticada em minha direção. Ãh? - O que?.- pergunto receosa, com a testa franzida, e ela rir da minha cara. - Me dá logo esse celular aqui garota.- Linda praticamente puxa o celular da minha mão, e eu fico de mãos atadas, olhando pra ela desconfiada e preocupada. O que ela quer com o meu aparelho? Será que vai ligar pro Thomas é xingá-lo? Não, não. Jesus! Ela desativa o meu direct do i********:, desinstalar o Messenger do f*******:, e desativa o chip do celular. - Pronto!.- diz orgulhosa ao me entregar o aparelho.- agora você pode tirar suas fotos e entrar na internet pelo wi-fi, sem que ninguém te perturbe.- sorri limpando a sujeira imaginária das mãos, enquanto eu lhe lanço um olhar apreensivo. Santo Deus, isso vai me gerar um problema nuclear. Droga! Por que deixei ela fazer isso? - Cara, não sei se foi uma boa ideia.- falo nervosamente encarando o celular em minhas mãos. - Ah Angel, pensa nos momentos bons que você vai poder viver aqui sem preocupaçõe, resolve os problema quando voltar pra casa, se não, de que vai adiantar ter vindo viajar?- ela me pergunta, olhando para mim. Eu pisco algumas vezes a encarando de volta. Pensando bem, ela tem toda razão. Isso não é fugir! Mas será mesmo que não? Só de vim pra cá sem ele, já foi uma fuga não foi? Será? Estou confusa! Linda percebe a briga que se inicia em minha mente, e dá um longo suspiro. Desconfio que esteja reprimindo uma revirada de olhos, pro pura empatia ao meu martilho. - Angel, aproveita isso aqui para se conectar com você. Ultimamente eu só te vejo triste pelos cantos, e não estou gostando nada disso. Você sempre foi uma menina tão alegre, extrovertida, brincalhona, cheia de vida. Não pode deixar que uma briguinha apague a sua luz. Respira fundo e curte a viagem, isso vai te fazer bem garota.- ela me aconselha, e eu vejo verdade no que diz. Eu realmente não estou levando isso como deveria. Eu quero me permitir viver essa viagem, sem estresse e preocupação, pois sei que provavelmente elas vão está no mesmo lugar em que eu deixei, estão, eu resolvo tudo quando voltar pra casa. Enquanto isso, o tempo que eu estiver aqui, eu quero ser livre, sem medo de magoar ou deixar alguém irritado. Vou me preocupar somente comigo por um tempo, isso me fará bem, eu sei que vai. … Oito horas da noite, e agora só estamos com a iluminação pública. O mar é n***o, e a escuridão chega a nós assustar. Porém, também traz paz de espírito, junto a uma sensação de liberdade sem igual. - Olha Angel, o que o meu colega de sala me enviou.- Olívia se aproxima com o seu celular na mão, e um sorriso radiante de orelha a orelha. Na mensagem, seu amiguinho da escola diz que está com saudades, e para ela aproveitar bastante as férias. Olívia não consegue esconder seu sorriso bobo dos lábios, com as bochechas rosadas. Ela tem apenas 13 anos de idade, e está começando a entrar na adolescência agora, onde os garotinhos começam a aparecer no radar. Ela está eufórica com sua primeira paixonite. - Nossa, é um gato.- sussurro confabulando com ela, cobrindo minha boca com minha mão direita, e ela ri toda sem graça, voltando a prestar atenção no celular. Essa fase é ótima, fase em que não temos com o que nos preocupar, somente estudar, e nos apaixonar por garotos que acabam virando nossas primeiras decepções amorosas no futuro. No final, não tem para onde correr, todos passamos pelas mesmas coisas em várias etapas da vida. Uns tem a sorte de encontrar o amor para vida toda ainda no colégio, outros arrumam apenas uma decepção eterna, e outros até mesmo um filho. Nunca sabemos o que o futuro nos reserva! Depois de um tempo, resolvemos ir para casa. Pedimos lanche pelo aplicativo, e ficamos todos encolhido embaixo das cobertas, assistindo filmes na Netflix, e comendo besteiras.
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