Capítulo 16

1871 Palavras
Marcelo Eu mentiria se dissesse que não estou ansioso para ter um momento a sós com Angelina outra vez. Essa mulher me intriga de todas as formas, me deixa nervoso e sem saber o que dizer em ocasiões que normalmente isso não aconteceria. Estou fascinado. Sua aparência me enlouquece. Olho para ela e vejo a Emily, mas aí ela sorri e me olha como se estivesse vendo minha alma, isso me deixa perdido e louco. É como se não tivesse nenhum traço de outra mulher igual a ela na terra, como se fosse única, e aquele olhar foi guardado especialmente para mim. — A onde vamos?.- ela pergunta enquanto vamos caminhando. — Conversar.- respondo sorrindo. Quero conhecer-lá melhor. — Sobre o que você quer conversar? —Quero que me conte mais sobre você.- digo com as mãos para trás, olhando para o chão e andando junto com ela em direção a praia. — Bom, meu nome é Angelina.- ela diz e sorrir como uma menininha, e putz! Como é linda.- tenho 21 anos, moro em cima da casa dos meus pais, estou atualmente no meu terceiro ano da faculdade de direito, e pretendo ser uma advogada de muito sucesso.- ela conta, e eu balanço a cabeça. — Tenho certeza que será.- eu digo vendo os olhos dela brilharem. — Se Deus quiser.- ela diz com as mãos para o céu. — Conta mais.- eu peço como um lobo, louco para devorar toda e qualquer informação sobre ela. — Huuumm…- ela coloca a mão no queixo, tentando pensar sobre o que mais falar.- tenho dois irmãos mais velhos, um mora fora do país, e a do meio mora na rua da frente da minha casa, ambos estão casados.- ela continua.- eu sou noiva a dois anos, mas isso é um pouco complicado porque ninguém é muito a favor do meu relacionamento.- ela diz meio sem graça, colocando uma mexa do cabelo para trás e eu me viro para encara-lá. Chegou no ponto onde eu queria chegar.. — E por que não?.- pergunto curioso e atento. Será que ele faz algum mau a ela? Será que ele a agride? Isso me deixa nervoso. — Thomas é intenso demais, ele foi abandonado pelos pais quando era muito pequeno, acabou criando um trauma muito grande por disso. Ele acha que qualquer movimento meu é sinal de que vou terminar, deixar ele de lado, ou algo desse tipo.- ela diz com um pequeno sorriso constrangido nos lábios, e logo em seguida da de ombros, como se já estivesse acostumada com aquelas situações. Fico me perguntando: Será que ela gosta mesmo dele? Seu olhos não brilham quando fala desse cara, muito pelo contrário, ela parece ficar triste. Talvez ele não a faça feliz como deveria. Isso pode ser uma porta de entrada para mim. Controle-se cara! — E você?.- ela pergunta depois de um tempo de silêncio. Coço minha cabeça, e depois a encaro novamente. — Sobre o que você quer saber?.- pergunto meio ansioso e ela sorri. É uma covardia esse sorriso! Acho que ela já sabe o quanto ele mexe comigo e faz de proposito. — O que quiser me contar.- diz me encarando. — Bom, tenho 32 anos, sou neurocirurgião, tenho uma filha de 3 anos e meio, atualmente estou morando com a minha mãe.- conto poupando alguns detalhes. — Você é comprometido?.- ela pergunta meio sem graça, e eu acabo ficando também. — Como eu disse antes, é complicado... Eu tenho uma pessoa, mas é como se não tivesse.- respondo sincero e nesse momento, vejo o rosto dela cair um pouco. Será que ela se interessou por mim assim como eu por ela? Nós caminhamos e conversamos por horas, não só sobre nossas vidas pessoais, mas sobre sonhos, planos, amizades, sobre o que gostamos de comer, de viagens e família. Percebo que temos muito mais em comum do que eu tinha com Emily, e me encanto cada minuto mais por essa menina mulher. — O que você faz quando está fora do Brasil?.- ela pergunta, e eu me pego realmente incomodado. Queria poder lhe contar tudo, mas tem coisas que preciso manter em sigilo. — Trabalhei nas forças armadas como minha mãe já falou. Isso foi bem antes de me casar e ter filho, por isso fiz bastante besteira por lá.- digo a ela e ela começa a ri.- mas agora, só resolvo questões de trabalho mesmo, e de vez em quando encontro algus amigos para beber.- ela concorda com seus olhos brilhando em minha direção, me deixando de boca seca. — Fico tentando imaginar você fazendo besteira.- diz ela sorrindo ironicamente e eu a olho de lado. Ela pensa que sou tão chato assim? — Por que? Você não acredita em mim?.- pergunto a encarando com um sorriso travesso nos lábios. — Bom, é que você parece ser a pessoa mais séria do mundo.- eu enrugo a testa, e ela dá uma gargalhada. — Você me acha um chato?.- pergunto fingindo ofensa. Se ela soubesse... — Não! - ela exclama quase em um grito, e segura no meu braço, fazendo meu corpo todo comichar.- não é isso, é que você parece ser muito responsável.- ela explica, tentando reverter o que disse, e eu fico achando graça da maneira nervosa que ficou. — Relaxa. Estou brincando com você.- sorrio, e ela me dá um tapinha de leve.- eu fiquei assim depois da guerra, comecei a dar valor as poucas coisas, e quando Izabela nasceu então, comecei a ser ainda mais cuidadoso.- sem contar com a minha entrada na máfia, isso me mudou completamente, porém não pretendo dizer isso a ela. — É, certas coisas nos faz criar maiores responsabilidades mesmo.- ela diz pensativa. Paramos em uma sorveteria, eu compro sorvetes para nós dois, depois sentamos na areia da praia, sem conseguir parar de conversar. Ela tira a canga de sua bolsa, e a estende na areia, enquanto eu seguro sua casquinha. — Prontinho.- diz pegando o sorvete de volta. Ficamos um bom tempo conversando sobre as coisas mais aleatórias possível. Falamos sobre a faculdade dela, eu conto algumas experiências no consultório, e ela fica impressionada. Nós rimos, e também sofremos com algumas histórias tristes de ambos. Parecia que ela queria me ouvir falar mais sobre Emily, mas ainda não consigo me abrir sobre esse assunto, e sempre a respondia com respostas breve, até ela perceber que eu realmente não estava afim de abordar esse tema, e isso a faz respeitar minha decisão. É estranho conversar sobre a minha esposa, com uma mulher que tem estranhamente o mesmo rosto que o dela. É loucura! — O que você pretende fazer quando terminar a faculdade?.- pergunto a ela. — Eu quero abri o meu próprio escritório, depois de fazer todas as pós que pretendo fazer.- ela diz, e eu concordo. — Sim, seria o melhor a fazer do que trabalhar apenas para uma só empresa, assim você teria o leque aberto, poderia ter muitos clientes.- a incentivo. — Você acha que seria uma boa mesmo?.- pergunta meio incerta. — Mas é claro, por que não?- pergunto sem entender a incredulidade dela. — É que o Thomas disse que é burrice.- ela fala meio triste.- ele disse que ainda sou inexperiente, terei acabado de terminar a faculdade, ninguém irá querer ser advogado por mim.- diz com frustrações enraizadas dentro de si. Esse cara é um babaca! Como um homem que está ao lado de uma mulher como essa, pode desencorajar seus sonhos dessa maneira? Só um i*****l de merda faria isso. — Eu não vejo dessa maneira, eu sei que você tem plenas capacidades de ser uma advogada excelente.- falo olhando dentro dos olhos dela. Eles me hipnotizam! Não consigo desgrudar daquele olhar, e ela também não o desvia do meu. Ficamos nos encarando por um bom tempo, e eu fico reparando em cada detalhes seu. Ela é uma jovem muito bonita e inteligente, cada palavra que sai da sua boca me impressiona. Fico encantado com seu jeito meigo, e a boca carnuda convidativa que ela tem, tudo isso começa a me deixar intoxicado, e animado lá em baixo. Me aproximo um pouco mais do corpo dela, e vejo quando prende a respiração ao inalar meu perfume. Olho para sua boca, e acabo umedecendo os lábios, pensando em com macio seria beijar essa boca. Seguro em seu rosto, sentindo meu coração chegar a garganta, sem conseguir mais controlar a respiração. Angelina também parece respirar irregularmente, enquanto sua boca meio aberta deixa o ar escapar entre seus lábios. Minha boca já está bem perto da dela, e quase já posso sentir seu gosto doce, até que. — Marcelo, eu na sou a Emily.- Angelina sussurra com a voz embargada, e eu encaro seus olhos. Ela pensa que minha vontade de beija-la é por sua aparência surreal com Emily. Essa frase repetitiva, faz meu peito arder. Angel, você é única! — Eu sei disso.- sussurro de volta.- Angelina, além do rosto, eu não acho você nem um pouco parecida com ela.- digo um pouco rouco, com o desejo acesso em minha voz. — Quer dizer que eu não sou atraente pra você?.- ela pergunta com um sorriso torto, e eu me afasto pra encarar seu rosto, com a minha testa franzida. — O que? Não foi isso que eu disse.- me defendo depressa. — E o que você quis dizer com isso?.- ela pergunta cruzando os braços, e eu passo minha mão sobre os cabelos. Ela é esperta! Angelina quer me ouvir falar de Emily, e achou um jeito para isso. — Você e ela tem o mesmo rosto, parecem gêmeas univitelinas.- eu tento me explicar, mesmo sem saber como fazer isso. Porra*, não era esse caminho que eu gostaria de esta indo agora. — Você me olhou como se eu fosse um fantasma.- ela diz me encarando, e realmente foi isso que eu pensei na primeira vez que eu a vi. — Eu achei que estivesse ficando louco, que estava vendo miragem.- me afasto dela, e fito o chão.- foi muito estranho, uma sensação que eu nunca mais vou esquecer.- confesso a ela, me lembrando do susto que foi vê-la pela primeira vez. — Você saiu sem dizer nada, achei que tinha feito alguma coisa e não me lembrava, não sei, foi estranho a maneira que você me encarou, fiquei até assustada.- ela diz, e eu sorrio olhando para ela de volta. — Você também me assustou.- sorrimos um para o outro. ◆◆◆ Ao voltarmos para casa, eu tenho no peito uma pontada de arrependimento por não ter beijado Angelina essa noite. Foi a oportunidade perfeita, talvez jamais terei outra como essa. — Obrigada pelo passeio.- ela diz quando entramos em casa. — De nada.- respondo com um sorriso patético nos lábios, e com o p*u rígido a todo momento. Se controla ai cara, essa mulher é um perigo para nós dois! — Papai, papai.- Izabele vem correndo em nossa direção, e eu me abaixo para pega-la em meus braços. — Oi meu amor, se divertiu hoje?- vou andando para a cozinha com ela no colo, enquanto Angelina vai ao encontro do pessoal na área da piscina.
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