Tenente Souza Narrando Me chamo Felipe Souza, tenho trinta e cinco anos e carrego nas costas quase quinze na polícia, cinco deles como Tenente do BOPE. Essa farda não é só uniforme, é cicatriz. É o sangue que já derramei, o suor que já gastei e os sonhos que tive que deixar pelo caminho. Eu cresci respirando polícia. Meu pai era Capitão do BOPE, um exemplo de honra dentro de casa. Homem duro, poucas palavras, mas reta. Eu me lembro até hoje do cheiro da graxa na farda dele, da bota brilhando na porta, da pistola desmontada sobre a mesa da cozinha enquanto ele limpava peça por peça. Não era só trabalho, era quase religião. Mas também me lembro do dia em que tudo acabou. Eu tinha dezessete anos quando ele foi chamado para uma invasão na Rocinha. Explosão, troca de tiros, caos. Uma granad

