Fiquei ali, mudo por alguns segundos, sentindo a verdade das palavras dela me asfixiar. A Samira tinha razão. O crime consome a alma da gente, transforma homem em bicho e mulher em troféu de vitrine. Eu sempre coloquei o ferro, o ouro e a gestão da guerra na frente de tudo. Mas o jeito que ela falou, essa aceitação de que ela sempre seria o "Plano B", me deixou possuído por uma vontade doida de provar o contrário. Eu não queria que ela se sentisse assim, não agora que eu sentia o cheiro de traição rondando o meu império. — Hoje é diferente porque eu tô dando a minha palavra de homem, Samira — falei, caminhando até ela e segurando o rosto dela com as duas mãos, sentindo a maciez da pele dela. Forcei ela a olhar pra mim, pra dentro da minha verdade. — Esquece a boca, esquece o morro por hoj

