O PREDADOR NA CONTENÇÃO Entrei na loja de lingerie de luxo com as pernas bambas, uma sensação de vertigem que não vinha do cansaço, mas do rastro de calor e perigo que o Renan deixava por onde passava. O ar-condicionado gelado da boutique, com aquele cheiro de perfume caro e aristocrático, não era suficiente para apagar o incêndio que ele tinha começado sob a minha pele no estacionamento. Eu sentia cada poro do meu corpo dilatado, uma traição física que me dava ódio. Passei as mãos trêmulas pelas rendas francesas, sedas e transparências que custavam o preço de um carro popular. Eu precisava manter a fachada de esposa fiel, a "Joia do Império", então escolhi algumas peças pretas e vermelhas o uniforme da submissão que o Augusto gostava de ver antes de me usar como um troféu. Mas o sossego

