O som da porta abrindo com força, batendo contra o batente de madeira maciça, me tirou do transe de forma violenta. Pelo reflexo do espelho vitoriano, vi o Augusto entrar no quarto como se estivesse invadindo um território inimigo que ele acabara de conquistar na bala. Ele não pedia licença, nunca pedia; o dono da p***a toda não bate na porta do próprio patrimônio. O cheiro de uísque barato misturado com pólvora, suor de baile e aquele rastro metálico de óleo de fuzil invadiu o ambiente, estilhaçando o perfume suave de baunilha que eu tentava manter como meu único refúgio, meu último vestígio de dignidade. Ele veio bufando, exalando aquela adrenalina tóxica de quem acabou de sair de um proibidão regado a ódio, poder e bajulação. Começou a se despir ali mesmo, no meio do quarto, com movime

