capitulo 6 Samira

1099 Palavras
O som da porta abrindo com força, batendo contra o batente de madeira maciça, me tirou do transe de forma violenta. Pelo reflexo do espelho vitoriano, vi o Augusto entrar no quarto como se estivesse invadindo um território inimigo que ele acabara de conquistar na bala. Ele não pedia licença, nunca pedia; o dono da p***a toda não bate na porta do próprio patrimônio. O cheiro de uísque barato misturado com pólvora, suor de baile e aquele rastro metálico de óleo de fuzil invadiu o ambiente, estilhaçando o perfume suave de baunilha que eu tentava manter como meu único refúgio, meu último vestígio de dignidade. Ele veio bufando, exalando aquela adrenalina tóxica de quem acabou de sair de um proibidão regado a ódio, poder e bajulação. Começou a se despir ali mesmo, no meio do quarto, com movimentos brutos e impacientes. Jogou a regata preta, úmida de suor, no chão de mármore e soltou o cinto tático que carregava a pistola de ouro com um estalo seco que ecoou nas paredes como um presságio. — c*****o, Samira... tu ainda tá nessa neurose de espelho, p***a? — ele rosnou, a voz grossa, arrastada pelo álcool e pela prepotência de quem acredita que até o ar do quarto entra nos meus pulmões por ordem dele. Ele sentou na beirada da cama de dossel, tirou as botas táticas e as meias, ficando só de cueca box preta. O corpo do Augusto era um mapa de guerra vivo e horrendo: cicatrizes de tiro que pareciam crateras, marcas de faca cruzando o abdômen e aquelas tatuagens fechadas, escuras, que contavam a história de cada vida que ele ceifou pra sentar no trono do Turano. Ele se jogou de costas no colchão de mil fios, os músculos do peito ainda travados, e ficou me encarando com aqueles olhos injetados de quem não aceita menos que a rendição total, a anulação da minha existência. — O que tu tanto olha nesse reflexo, morena? Tá procurando defeito no que eu já disse que é perfeito? Tu é a mulher do Imperador, p***a. Teu brilho é o meu brilho. Se eu te escolhi, é porque tu é o topo da cadeia. — Ele deu um tapa sonoro no colchão, um sinal claro, quase um comando de adestramento, pra eu me aproximar. — Vem cá. Larga esse vidro e vem pro teu dono. Eu virei devagar, sentindo minhas pernas pesadas, segurando o que restava da minha postura de primeira-dama, que na verdade era só uma máscara de sobrevivência. — Eu só tava pensando, Augusto. Pensando em como as coisas mudaram tão rápido. No salão, eu era dona do meu tempo, das minhas mãos. Aqui, eu sou cercada de luxo, sou dona de tudo o que o dinheiro compra, mas sinto que não mando nem no meu suspiro. O Augusto soltou uma risada anasalada, um som seco, desprovido de qualquer rastro de humor. Ele levantou da cama com uma agilidade de predador que nunca relaxa, nem mesmo dentro do próprio santuário. Em dois passos pesados, ele tava na minha frente, invadindo meu espaço pessoal. A mão dele, calejada, grande e quente, subiu pelo meu pescoço, apertando a traqueia com uma força calculada, me forçando a arquear a cabeça e olhar pra cima, pros olhos de quem me via como um objeto de valor. — No salão tu era uma zé-ninguém que ganhava miséria pra lixar casco de madame encostada. Aqui, tu é a rainha do morro. E rainha não pensa, Samira. Rainha não reflete sobre a vida. Rainha obedece, baixa a crista e satisfaz o rei quando ele volta da guerra. — O olhar dele, faminto e possessivo, desceu pro decote do meu vestido de seda branca. — Esse vestido tá me irritando. Tá escondendo o que eu paguei caro pra ter. Antes que eu pudesse formular qualquer protesto, senti o tranco violento. Ele meteu as mãos brutas na gola do vestido e, com um movimento de pura covardia e domínio, rasgou a seda fina de cima a baixo. O som do tecido partindo ecoou no quarto como um tiro de advertência. Eu fiquei ali, trêmula, exposta, sentindo o ar gelado do ar-condicionado bater na minha pele nua enquanto os restos do vestido caíam aos meus pés como um trapo velho, um símbolo da minha dignidade sendo pisoteada. Ele não ligava pro preço da peça; ele só ligava pro prazer de destruir o que ele mesmo tinha me dado. — O que é meu eu abro do jeito que eu quero, na hora que eu quero — ele sussurrou no meu ouvido, o hálito quente de uísque queimando minha nuca, me fazendo estremecer de pavor. Ele me pegou no colo com uma facilidade humilhante e me jogou na cama. O Augusto era um animal no sexo, uma b***a fera que usava o ato como uma extensão da tortura e do poder que exercia no asfalto. Ele se jogou por cima de mim, o peso esmagador do seu corpo me prensando contra os lençóis. As mãos dele mapeavam meu corpo com uma agressividade que me tirava o fôlego, apertando minha cintura com dedos que pareciam garras de aço, deixando marcas que eu sabia que ficariam roxas antes do amanhecer. Ele sabia como ser bom, porra... ele sabia exatamente onde tocar pra fazer o corpo de uma mulher trair a própria mente. O Imperador era mestre em usar aquela pegada bruta, aquele instinto de quem domina o crime, pra dominar o meu prazer e me transformar em algo submisso. Ele me beijou com fúria, uma mistura de desejo carnal e autoridade absoluta, enquanto as mãos dele não paravam um segundo, explorando cada milímetro da minha pele com uma urgência de quem acaba de vencer uma batalha sangrenta. — Tu é minha, Samira. Nunca esquece disso. Cada batida desse teu coração é por minha ordem e permissão — ele rosnava contra o meu pescoço, a voz vibrando dentro do meu peito, me fazendo sentir pequena, minúscula. Ele se livrou da cueca com uma mão só, com uma impaciência febril, enquanto a outra mão prendia meus dois pulsos acima da minha cabeça, me imobilizando completamente. Foi então que senti a presença dele por inteiro, sem filtros. O Augusto era um exagero da natureza, um privilégio anatômico que ele usava como uma arma de intimidação. O p*u dele era grande, grosso, uma peça de artilharia pesada que parecia feita pra me partir ao meio, me rasgar por dentro e me forçar a reconhecer a sua superioridade masculina. Era desproporcional, uma ferramenta de prazer e dor que ele exibia como se fosse um fuzil de ouro.
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