Matteo não chegou a responder à última coisa que eu disse. O som do telefone dele cortou o ar do escritório como um estalo seco, abrupto demais para ser ignorado. Não foi um toque comum. Foi curto, urgente. O tipo de som que não se repete duas vezes porque quem liga sabe que será atendido na primeira. Vi a mudança antes mesmo de ele falar. O corpo dele enrijeceu de imediato, como se tivesse sido puxado por dentro. A mão que ainda estava apoiada na secretária fechou-se lentamente, os dedos pressionando a madeira com força suficiente para marcar. O olhar perdeu o foco em mim e deslocou-se para um ponto vazio à frente, já calculando distâncias, cenários, consequências. Ele atendeu sem dizer o nome. Não precisei ouvir as palavras do outro lado para saber que algo tinha mudado. O silêncio

