Aceitei. A palavra saiu baixa, firme, sem enfeite, sem defesa, e o silêncio que se instalou depois não foi de surpresa, mas de confirmação, como se Matteo estivesse apenas a dar tempo ao meu corpo para compreender o que a minha boca já tinha decidido. — Aceito. Ele não respondeu de imediato. Manteve-se imóvel por um segundo longo demais, o olhar fixo em mim, pesado, avaliador, como se estivesse a medir não a minha coragem, mas a minha rendição. Senti o peso desse olhar percorrer-me sem pudor, da forma como eu estava em pé à maneira como respirava, consciente demais de cada centímetro de pele coberta, de cada reação que eu não conseguia controlar. Então, o canto da boca dele ergueu-se num sorriso lento e satisfeito, de quem nunca duvidou do resultado. — Boa escolha — disse, por fim, n

