Capítulo 22

1065 Palavras

Acordei sozinha. O primeiro impacto não foi a ausência dele. Não foi a cama vazia ao meu lado nem o silêncio pesado que costumava acompanhar os despertares solitários. O primeiro impacto foi o quarto. Demorei alguns segundos a perceber onde estava, como se o meu corpo tivesse acordado antes da minha mente. O teto alto, branco demais, sem uma única imperfeição. As cortinas pesadas filtrando a luz da manhã de forma precisa, quase clínica, deixando entrar apenas o suficiente para iluminar sem aquecer. O ar cheirava a nada. Nenhum vestígio de noite, de urgência, de sangue. Nenhuma desordem. Nenhuma prova de que alguém tinha sido ferido ali horas antes. Sentei-me devagar na cama dele. Era grande, firme, impecavelmente feita, mesmo depois de tudo. Os lençóis não guardavam calor, não guardavam

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